segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Ocupe o seu lugar
A iniciativa "ocupe o seu lugar" que hoje decorreu em Lisboa, no largo do Saldanha, é um grito de revolta pelo contínuo desrespeito de alguns automobilistas pelos lugares de estacionamento para deficientes.
Não é preciso ir a Lisboa para verificar esta triste realidade. Aqui em Guimarães, especialmente nas grandes superfícies, é absolutamente comum verificar a apetência de alguns "espertos" por esta prática. A falta de empatia de algumas pessoas deveria ser duramente punida. E este comportamento exigiria essa medida. Pois parece não haver outra solução para tamanha falta de civilidade.
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Portugal
domingo, 10 de novembro de 2013
Cunhal artista plástico
Não tenho particular admiração por Álvaro Cunhal, basicamente porque não o tenho por ninguém que tenha defendido regimes totalitários e a opressão, como ele próprio gostava de dizer, do "homem pelo homem". O valor da liberdade é, para mim, um valor fundamental.
A história de Álvaro Cunhal é, no entanto, uma grande história de vida e a biografia de Pacheco Pereira - os 3 volumes até agora editados - aproximou-me do conhecimento da extraordinária coragem e determinação deste homem.
Em termos artísticos os seus desenhos da prisão são obras notáveis e o seu traço é algo que me encanta a ponto de ter duas das reproduções do Avante em minha casa, com a dignidade que merecem. Pelo menos assim o julgo.
A extraordinária força do seu traço é, provavelmente, uma das características da sua personalidade. É um enorme prazer ver e rever estes desenhos.
Imagens do site do PCP
O homem
José Albino Silva Peneda, atual presidente do Conselho Económico e Social, é um homem de uma extraordinária capacidade política que não tem, em minha opinião, a visibilidade que mereceria ter. Silva Peneda plana, bem alto, acima dos tecnocratas que servem Governo e a oposição. Tem uma capacidade rara de perceber que qualquer política só se faz com as pessoas e um perfil humanista que caracterizou o PPD e o PSD e que agora se vai, de forma assustadoramente galopante, perdendo.
A sua opinião equilibrada e prospetiva sobre a Reforma do Estado, hoje impressa nas páginas do jornal Público, é apenas mais um dos muitos contributos que tem dado à sociedade portuguesa. Que assim continue.
Foto_ Artur Machado
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Santa aspirina
Depois de um jogo de futebol como o de ontem, em que o que correu mal não era difícil de prever que assim acontecesse, era necessário mudar de tática. Fui ver Chano Dominguez com uma Big Band de Colónia ao CCVF. Não me apetecia nada, mas fui. E ainda bem. Foi fantástica a mistura de jazz, flamengo, swing e música latina. Lindo e competente, taticamente perfeito. Sem substituições tontas. Obrigado Chano por me fazeres esquecer os teus conterrâneos ... e os meus.
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Guimarães Jazz,
Vitória de Guimarães
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Benção de outono
Quando o tempo fica triste - como acontece agora - há alguns bons motivos mesmo assim para o apreciar: o cheiro a lenha e a castanhas ... e o sabor do diospiro. Ou se ama ou se detesta. Faço parte do primeiro grupo e tento guardar o prazer do seu sabor exagerando, agora, no seu consumo.
Foto: http://www.secondskinstyling.com
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Fruta
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
A vida sem direção assistida
“… os pobres
sonham em ter o suficiente para comer e ficar parecidos com os ricos. E os
ricos o que é que sonham? Como perder peso e ficar parecidos com os pobres”
Aravinda Adiga. O tigre branco. 2008.
O meu carro brindou-me, a passada semana, com um problema que me deixou
apeado nas situações mais inoportunas. O terror dos carros modernos são os
problemas elétricos. E lá vão eles obedientes e silenciosos ao rastreio por
computador. Se o computador acusa a maleita é tudo rápido e eficiente, se assim
não acontece é ver os mecânicos impotentes tentando adivinhar o que se passa
para além da informação digital debitada na célula central. Olhando absortos
para os componentes do veículo como olhariam para a carcaça de um ser alienígena
que caísse, surpreendente, do céu.
Já não existem mecânicos
como dantes. Já não existem homens pintados a negro pela viscosidade dos óleos
e fluidos dos carros, com panos imundos pendendo dos macacões igualmente sujos
como a pele. Esse quadro é de um tempo que se foi. O raciocínio apurado dos
mecânicos, os seus sentidos alerta para detetar um ruído ou uma faísca
despropositada, deixaram de fazer sentido pois tudo hoje no mundo da mecânica é
asséptico e depende de ligações estudadas entre os componentes do carro e um
computador que diz, quando diz, o que está a funcionar mal. A avaria não se
deteta pelos sentidos, nem se adivinha, imprime-se em papel.
Voltei por necessidade a um carro com “ar” (poético propósito este!). E
“puxei o ar” ao carro, arrancando-o à imobilidade e ele roncou de prazer e
encheu de gasolina os meus pulmões. Voltei a rodar o volante com muita força
como se conduzisse um barco, ou pelo menos a ideia que eu faço do que seja
operar o leme de um barco. Nos carros antigos por mais pequenos que sejam, e
este era-o, tudo é duro, másculo, vibrante, muito mais próximo da condução de
um animal, ou pelo menos da ideia que eu faço do que será conduzir um animal. A
marcha no carro que usei para substituir o meu é mais lenta e nervosa e as
curvas “desfazem-se” mesmo, tal a força utilizada para as “fazer”. O paralelo
comunicou-me diretamente com os ossos e a condução passou a ser um exercício
físico, musculado e ostensivo como se operasse uma pandeireta gigante, ou pelo
menos a ideia que eu faço do que será tirar som de uma pandeireta gigantesca.
Quando o meu carro regressou, envergonhado e cabisbaixo, de mais uma
operação electrónica eu já não o sabia conduzir tão bem. Pareceu-me estranho e
desajustado, grande e tão leve que dei por mim a exagerar nas curvas, tentava
“desfazê-las” quando a direção assistida, agora de volta, apenas queria que eu
as contornasse, suavemente. Havia-me habituado, afinal, e mais decisivamente do
que eu pensara, ao desconforto.
Perdemos, por vezes, na vida a direção assistida. Por mais sólido que
nos pareça o carro em que caminhamos pelo tempo adentro há sempre qualquer
coisa, inesperada, à nossa espera. Não devemos, nunca, viver no terror do
inesperado, mas deveremos, humildes, viver na incerteza do possível. É mais
cómodo e avisado.
Ao que parece o meu carro não sofria afinal de nenhuma impossibilidade
electrónica profunda. Oxalá tudo se tenha resumido, como me disseram, a um fio
mal conetado com o motor de arranque. Uma avaria simples, prosaica e
entendível, até por mim, mas que escapou impune ao software da viatura. Quando o carro, ou a vida, pára ao peso de um
fio lasso tudo é, confortavelmente, mais simples e entendível. É só ligar.
Imagens_Ladrões de bicicletas___Vittorio De Sica_1948
Publicado in Comércio de Guimarães. 30.10.13.
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Crónicas
domingo, 27 de outubro de 2013
Cercado
Fotos: Marca
Iniesta é um excecional jogador de futebol, ontem no clássico com o Real Madrid em Camp Nou (2-1 para o Barça) tornou a sê-lo, muito mais em jogo que Messi ou Xavi.
As fotos são a prova plástica do terror e atenção dos adversários quando o mago pega na bola: o seu escudo invisível contra o mundo.
Iniesta é jogador do Barcelona desde os doze anos.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
O dia de anos
“(…) Ele
deixará a tabuleta e eu deixarei os versos/ A certa altura morrerá a tabuleta
também, e os versos também/ Depois a certa altura morrerá a rua onde esteve a
tabuleta,/ E a língua em que foram escritos os versos./ Morrerá depois o planeta
girante em que tudo isto se deu. (…) ”
Álvaro de Campos. Tabacaria. 1928.
Escrevo este artigo no meu dia de anos. Na quinta-feira que precedeu a
publicação desta crónica. E sinto-me ligeiramente confortado por, no dia de
anos, ter tempo e disposição para falar do meu dia de anos.
Sinto, talvez desde que completei 30 anos, uma certa surpresa pela
quantidade de anos que cada meu aniversário traz. Trinta e quatro, meu deus,
trinta e nove, já (?), quarenta e três, não é possível, e por aí adiante até
aos quarenta e nove. E recordo hoje com saudade a surpresa numérica dos
aniversários anteriores, desejo-a de forma tonta e irresponsável. A angústia do
tempo dá à barriga um friozinho de aflição. Molda-a ao susto na cadência dos
aniversários. No entanto isso é bom: significa que podemos sentir. Haverá um
dia em que isso não acontecerá e isso é que será realmente mau. Apesar de “em
outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente/ Continuará
fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas (...)”.
Mas não serei eu e isso é o bastante para ser, no mínimo, inoportuno.
Apesar de tudo o que possa incomodar na passagem dos anos continuo com o
desejo infantil de os comemorar. Através de uma histriónica festa, de um jantar mais íntimo, de uma conversa
mais alargada, tudo deverá ser uma bom meio de enformar o pretexto que os
aniversários nos oferecem. Agora que os aprendizes de Lutero que nos governam
já arrumaram com uma data de feriados que comemoravam datas importantes como a
implantação da República e a restauração da nossa independência, é bom termos
um feriado só para nós. Mesmo trabalhando nesse dia podemos cortar a fita do
monumento que de nós fizemos e pôr a nossa banda musical interior a tocar a
nossa marcha, sincopada e ordenadamente. Merecemos um feriado pessoal por ano.
É uma boa cadência. Desde que nasci a Terra deu já 49 voltas ao Sol. Nada mau.
Se vivesse em Júpiter ter-me-ia comemorado apenas 4 vezes, em Saturno estaria
apenas a caminho do segundo aniversário o que seria, notoriamente, um tremendo
aborrecimento.
A expressão “fazer anos” é deliciosa. Dá-nos o controlo absurdo do
tempo. “Fazer” como se o fizéssemos, como se trabalhássemos a idade que temos,
como se a construíssemos. A ilusão de “fazer” é por isso boa e o melhor é
persistir nesse erro. “Fazer anos” como se faz um filho, ou um cabrito assado,
ou uma crónica, é suficientemente reconfortante para não deixar de se fazer.
Daí que a opressão numérica da idade, as falhas visíveis que o tempo cava no
corpo, o facto de nos lembrarmos de coisas que outros já sabem apenas através
dos livros de História, não é algo que nos deva preocupar pois ainda nos
estamos a “fazer” e esse é um trabalho que não pode ficar incompleto e que
exige a nossa mais absoluta dedicação, sem angústias. A ilusão de nós fazermos
o tempo e não deste nos fazer a nós é algo que não podemos desperdiçar, já que
tudo é relativo. Até o tempo o é.
Espero vir a ter saudades de quando fiz quarenta e nove anos e pensar,
como um fraco, de como era feliz então.
No dia de hoje, que não é
efetivamente o hoje de quem me lê, antecipo apenas em alguns anos essa ideia de
felicidade. Transporto-a para hoje, recusando-me a espartilhá-la em duodécimos
de felicidade futura.
Parabéns para quem hoje faz
anos. Seja qual for o hoje.
Publicado in Comércio de Guimarães
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Crónicas
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Uma cidade especial
O Porto é uma cidade especial no contexto político autárquico nacional. Elegeu Rui Rio contra todas as previsões, penalizando a arrogância de Fernando Gomes que se julgava omnipotente. Manteve Rui Rio contra uma campanha contínua e raivosa do F.C.Porto, privilegiando o rigor e a seriedade ao circo à costumeira hipocrisia dos interesses. Ontem foi coerente e deitou pela borda fora os prometidos eldorados para eleger Rui Moreira. O Porto é por isso um extraordinário exemplo de bom senso democrático.
Foto_CMPorto
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Política
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Não vale a pena
Não vale a pena lamentarmos
a derrota pela habilidade do árbitro que nos calhou. Não vale a pena perdermos
tempo a discutir as atitudes do treinador do Benfica e as cenas lamentáveis da
claque que ele tão diligentemente defendeu. Nada de substancial lhes acontecerá pois como se viu
pela atitude pedagógica dos “polícias” pareciam eles os prevaricadores e não o
treinador do Benfica ou os índios que nos desbastaram, uma vez mais, as cadeiras do D.Afonso Henriques. Guardará a PSP, apesar dos comunicados, para mim ou para
si toda a autoridade quando nos atrevermos a estacionar mal a viatura. Na tarde de
domingo guardaram a autoridade bem fundo para não incomodar a “nação benfiquista”. Quanto a Jorge
Jesus continuará a reinar, como um rei pimba, grosseiro, grotesco e
intelectualmente indigente, sem que nada lhe aconteça pois é do Benfica e nós
não.
Valerá a pena ter cautela e
sermos frios e inteligentes, pois depois do roubo a que o Porto foi sujeito
este domingo nós somos o apetecível pato para que o Porto se tranquilize já na
próxima sexta. Valerá a pena falar com o Addy e perceber se a ingenuidade e
inabilidade demonstradas são um acidente ou uma característica. Valerá a pena
apostar na juventude e equilíbrio do jovem Luís Rocha e incentivá-lo como
nunca. Valerá a pena pôr novamente a roda trituradora que engoliu o Rijeka
novamente em marcha e não perder tempo com os outros. Podemos melhorar e isso é
o que deve motivar quem tão bem tem trabalhado em prol do Vitória. O resto são
jornais desportivos e tretas tão desinteressantes como aquelas que os
alimentam. Somos demasiadamente interessantes para não nos concentrarmos em nós próprios.
Foto_Guimaraes Digital
Foto_Guimaraes Digital
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Futebol,
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