sábado, 15 de fevereiro de 2014

A noite de cristal do disco sound


Em 12 de julho de 1979, ainda no auge da música disco, o DJ Steve Dahl promove uma manifestação contra a música disco no estádio de baseball dos White Sox de Chicago que se revela um autêntico sucesso ... de imensa confusão.





Aproveitando a promoção de bilhetes (98c) dos White Sox contra os Tigers milhares de pessoas acorrem ao estádio para a loucura total: invasão de campo, queima de singles enquanto fumavam marijuana ... no tempo em que fumar era permitido nos estádios.




Steve Dahl de 24 anos havia sido despedido de uma estação radiofónica pois o seu rock deixou de ter espaço e vingou-se de forma poderosa



Steve Dahl de 24 anos havia sido despedido de uma estação radiofónica pois o seu rock deixou de ter espaço e vingou-se de forma poderosa e aproveitou a euforia imprevisível das massas...


Foto: The history rat

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Listas para: PLAY

Everything But The Girl (1996)


Lorde (2013)


Haim (2013)


Lykke Li (2011)



Eleanor Friedberg (2013)



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A vitória das renováveis



Os números da produção de energia elétrica a partir de fontes renováveis em Portugal tem sido uma das grandes notícias para amenizar o desconforto do mau tempo.

Em 2013 os números já haviam sido muito bons:

58% ENERGIAS RENOVÁVEIS
37% COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS
5% IMPORTAÇÃO


Em janeiro de 2014 os números são impressionantes: 91% da energia elétrica foi produzida por uma via renovável.

Ver notícia do Público
Ver relatório da APREN






Em termos nacionais, segundo a APREN, o aumento de produto de energia elétrica, fundamentalmente pela via hídrica e eólica, permitiu ao país a poupança de cerca de 850 milhões de euros.

Boas notícias por isso.

Há que trabalhar, de futuro do ponto de vista tecnológico, nas possibilidades de armazenamento da energia elétrica que permita uma melhor versatilidade nas eólicas.


Foto_Raquel Esperança (Público)
Gráfico_Público

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Os ladrões de corações




Ser vigarista do coração é uma espécie muito própria do género mais alargado dos vigaristas (que tem em Alves dos Reis um notável exemplo), ligando-se por taxonomia à família mais vasta - e pouco recomendável -  dos criminosos.

Ao ler a notícia do Público de hoje não fiquei particularmente espantado pela postura dos acusados:


‹Durante sete anos e três meses, o então foragido à Justiça Lorosa de Matos terá conseguido enganar as duas ex-magistradas do Ministério Público com quem se envolveu, sem que estas tivessem percebido a sua verdadeira identidade. Lorosa de Matos, que foi ouvido nesta quinta-feira no tribunal em Lisboa, garante que as antigas procuradoras nunca fizeram pesquisas por ele, nem lhe entregaram dados confidenciais. “Elas foram sempre iludidas”, defendeu, alegando que a única pessoa que estava a par de todas as identidades falsas seria um amigo que entretanto também se envolveu com uma das ex-magistradas.
(...)
Apesar de continuar a ser ouvido para a semana, Lorosa de Matos tentou justificar que, embora tenham partilhado hotéis, viagens e computadores, as antigas procuradoras nada sabiam. “O falso convencimento delas advém duma grande mentira, uma grande história, porque necessitava dela e pela forma como lhes eram transmitidas as coisas”, disse. E acrescentou: “Se calhar às vezes duvidavam que alguma coisa não batia certo.” Porém, Lorosa de Matos e o amigo tentavam contornar a situação. “Se em algum momento souberam, então enganaram-me bem elas a mim”, afirmou. As ex-magistradas pensariam que se chamava Vasco Chambel e seria inspector da Interpol. Este foi apenas um dos nomes usados, outros foram Eduardo Carqueja e Ricardo Moreira.›


Os vigaristas do coração encarnam normalmente a mentira que engendram. São verdadeiros na mentira que criam, daí serem tão profundamente eficazes. Quando, finalmente descobertos, são confrontados com a verdade, recuperam a ética que (só por momentos, assim o julgam) perderam.




Fotos_Rudolfo Valentino (wikipedia)

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Europa Verde





O espaço da União Europeia (UE) tem sido, ao longo da sua existência enquanto comunidade, um espaço de responsabilidade aos mais diversos níveis. A paz que ela providenciou na Europa - e que este ano se lembra a propósito dos cem anos do início da I Grande Guerra Mundial - é frequentemente esquecida por questões menores e por ideias que, procurando a popularidade interna, utilizam a UE como bode expiatório para males próprios.

Ao nível do ambiente a UE é, de longe, o espaço mais confiável e cumpridor das metas estabelecidas. Na passada semana a UE estabeleceu, após intensas negociações, as suas metas para 2030 no que diz respeito ao clima e às políticas energéticas, depois de em 2007 o ter feito para 2020.





Independentemente das críticas, sempre passíveis de serem feitas e muitas vezes desejáveis para melhor compreensão de todos, estabeleceram-se os seguintes princípios:

● 40% de redução das emissões de CO2, no espaço da UE em 2030, face aos valores registados em 1990 (habitual ano de referência).

- ao ritmo de redução atual só se atingiriam os 28%;
- os 15 Estados-Membros que se comprometeram com uma redução de 8% até 2012 conseguiram uma redução de 12,2%.


 27% do consumo global de energia em 2030 deve ser de origem renovável.

- atualmente a UE está nos 13% tendo-se comprometido, até 2010, uma taxa de 20% de energia de fontes renováveis;
- Portugal defendeu 40% em linha com os nossos esforços (em 2011 tínhamos 25% e poderemos, sem grande dificuldade, atingir os 31% em 2020):
- Da energia elétrica consumida em Portugal (uma parte da energia total) quase 60% tem origem em fontes renováveis 2013).



Na eficiência energética não foi possível conseguir nenhum compromisso entre os Estados Membros, estabelecendo-se apenas metas não vinculativas (para 2020 o objetivo é o de aumentar 20% da eficiência energética face a 1990), o que é sempre de lamentar.


Fontes:


Fotos:
Oliver Hoslet (EPA) e Yves Herman (Reuters)






quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Uma questão de idade


“(...) é inimaginável qualquer fase da vida mais adiantada do que a nossa. Às vezes já vamos a meio da fase seguinte antes de darmos conta que entrámos nela.”
Philip Roth. O animal moribundo. 2006.






A idade pode trazer muitas coisas, umas úteis, outras arreliadoras, pode trazer experiência, pode dar uma perspetiva mais suave sobre as coisas, pode sedimentar a cultura e o gosto, pode gastar a vista ou a agilidade, mas a sua característica mais desconcertante é ser sempre inesperada. A idade é uma espécie de festa surpresa a que vamos – a partir de certa altura visivelmente contrariados - todos os anos. Mesmo sem o querermos o tempo encarrega-se de a preparar. Sem contemplações.





E o que mais arrelia no passar dos anos é termos ainda fresca a ideia daquilo que pensávamos dos outros que a certa altura eram mais velhos que nós, aquela distância tolerante e cínica com que olhávamos para as coisas e para as pessoas que eram mais velhas. Por isso é frequente carregarmos connosco preconceitos dos tempos em que éramos mais novos. Na área do emprego isso é incrivelmente claro, já que há uma resistência de chumbo em empregar gente mais velha.
É evidente que a atual situação não tem piedade de ninguém, sejam mais novos ou mais velhos, mas um dos factos mais claros neste domínio do emprego é que os empregadores torcem sempre o nariz quando lhes aparece alguém com mais de 40 anos a candidatar-se a um emprego. Muitos dos anúncios estabelecem, frequentemente, um limite de idade (normalmente os 35 anos!). E será que já alguém pensou verdadeiramente na razão pela qual se estabelecem esses limites? Desde que não seja para carregar pesos ou proceder à armação de relógios não vislumbro o porquê da limitação. Dirão alguns que serão os vícios a grande restrição. Os vícios? Há preguiçosos de todas as idades e quanto aos vícios relacionados com dependências de maus hábitos também não me parece fazer grande sentido. Pelo menos os meus vícios foram gloriosamente apreendidos na juventude, e a idade não os tendo eliminado pelo menos refinou-os. É na juventude que se testam os corpos, que se levam ao limite as nossas capacidades para ver até onde a máquina aguenta. Depois de gloriosamente conhecidos os limites é só mantê-la a funcionar.
O preconceito da idade é, a este nível, uma tolice. A aprendizagem tem a ver não só com as capacidades de cada um mas também, fundamentalmente, com aquilo que se aprendeu com os erros cometidos. E quem mais errou estará certamente mais capacitado para evitar novos erros, mas essa é uma asserção frequentemente desprezada.






Pertenço a uma minoria de portugueses que gosta de Cavaco Silva. Aprecio-lhe a constância – mesmo a do erro – e a serenidade prospetiva e equilibradora com que ele olha para Portugal. A grande parte dos seus discursos (escritos) têm-se constituído como peças políticas consistentes que vale a pena ler, mas que ninguém lê pois acabam geralmente destruídas por graçolas políticas pouco inteligentes e aparentemente jovens. Arrumaram-no, infelizmente, na estante dos velhos e o país não aproveita a sua experiência enquanto político e enquanto homem. Também na política se criou a ideia de que é necessário ser jovem, para (pelo menos, digo-o eu) se fazerem asneiras com convicção e sem arrependimento. O episódio do referendo à co-adopção por casais do mesmo sexo, liderado pela JSD, é mais uma peça no monumento da asneira fresca e jovem. Pertenço ainda a outra minoria, distinta da primeira, que acha notável o empenhamento de Mário Soares. Malgrado algumas opiniões mais desabridas e disparatadas, acho digno de consideração que um homem se desloque no dia do seu aniversário, o octogésimo nono, para apoiar a luta dos operários de Viana do Castelo. Era mais fácil ficar em casa ou na Aula Magna, mas não, o homem achou que devia tomar posição e tomou-a. Acabei por achar também uma certa graça (perdoem-me) ao facto de Soares ter remado contra a recente onda de “canonização” do Eusébio.




A idade é hoje muitas vezes, tal como a orientação sexual ou a religião, forte objeto de preconceito. A idade aparece frequentemente como argumento no combate a uma ideia diferente da nossa. E isso é tanto mais estúpido quanto ser preconceituoso com a juventude acarreta, geralmente, uma grande dose de hipocrisia e, por outro lado, ser preconceituoso com alguém mais velho é, muitas vezes, sinónimo de uma preocupante e egocêntrica ingenuidade.




Fotos de pinturas de Vicent van Gogh. 
De cima para baixo: Carteiro Joseph Roulin, Armand Roulin, Augustine Roulin e  bebé Marcelle e Camille Roulin (todos pintados em 1888).