O FIM DO MUNDO
Q uem, como eu, enquanto pequeno miúdo, foi educado no catolicismo, ficou muitas vezes aterrado com a ideia do apocalipse bíblico. Já não bastava o medo que o Inferno infundia nas mentes mais frágeis, como a minha, mas a ideia de o mundo poder terminar, sem aviso, de um dia para outro, por entre trovoadas e escuridão, enquanto os anjos separavam os que iriam penar na condenação, daqueles que teriam a vida eterna, era absolutamente aterradora. Pelo menos para mim que era um miúdo que queria crescer e fazer coisas que via os grandes fazerem, queria mundo, queria conhecer tudo aquilo que me era vedado alcançar e do qual tinha imensa curiosidade. Ainda tentei rebelar-me, muito cedo, contra um conjunto de regras que tinha de seguir na religião, mas a coisa não correu bem. Um malfadado dia recusei-me a acompanhar a minha avó à novena da igreja de S. Pedro, à qual ela me convidava com frequência. Nesse dia fiquei em casa, rebelei-me. Entretanto, no meu ócio culpado, vim ao quintal e um cavaco...

