quinta-feira, 26 de abril de 2012

Calor

 

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Perante notícias realmente chatas a preparação da visita de Obama a Cartagena para um encontro com líderes da região foi realmente uma notícia diferente e digna de estória.

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Segundo o Público:

“O escândalo rebentou no fim-de-semana – quando Obama estava em Cartagena a participar na cimeira – depois de uma prostituta se ter queixado à polícia de que um dos agentes norte-americanos não lhe tinha pago após ter recorrido aos seus serviços na quarta-feira anterior.
Em poucas horas, os agentes alegadamente envolvidos ou com conhecimento do sucedido na Colômbia foram chamados de regresso a Washington por “suspeitas de conduta imprópria”. Desde então a agência tem vindo a tentar gerir este embaraço que foi já definido como o maior na história dos serviços secretos norte-americanos.”

 

E lá se foi o “profissionalismo” dos serviços secretos americanos mas ficou um argumento curioso para a indústria cinematográfica da América.

O calor tem destas coisas.

Aloe Blacc

 

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É-me difícil descrever em palavras a excelente atuação de Aloe Blacc na Casa da Música o passado sábado. Sublime será talvez um adjetivo apropriado.

Blacc espantou-me pela forma como se apresentou, sustentado “apenas” por um quinteto de cordas mas libertando, mesmo assim, a sua voz poderosa num concerto surpreendente.

 

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Mais fácil será definir o habitual desrespeito da Casa da Música pelo horário dos concertos; já nem nos Festivais ao ar livre atrasos destes acontecem. A entrada caótica, tipo jogos de futebol há mais de 20 anos, serviu para eu sentir saudades do centro cultural Vila Flor.

Salvou-se o magnífico concerto.

 

Fotos Filipa Oliveira aqui.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Nunca pior

 

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Raramente temos a perceção do quanto evoluímos, ano após ano, em termos de consciência social, cultural ou política, em termos do respeito pelos outros. No entanto tudo parece ao contrário, o peso das notícias e a tendência para relevar as coisas más dá-nos uma noção generalizada de que tudo se afunda, de que o trajeto é (inevitavelmente) para baixo e não para cima.

Vejamos por exemplo os conflitos entre povos, as guerras a que eles conduzem, diminuíram drasticamente ao longo da história da humanidade. Na nossa Europa isso é claro e já não temos um conflito bélico entre países desde o fim da Segunda Guerra Mundial, há quase 70 anos! Isso é inédito na nossa história comum.

A União Europeia é, de forma injusta, um saco de boxe onde os cidadãos descarregam as suas frustrações. Os cidadãos dos países mais ricos porque se sentem roubados e os dos países menos desenvolvidos porque se sentem menosprezados. Uns e outros terão as suas razões, mas tudo é irrisório se percebermos o potencial de solidariedade e de civilização que a União Europeia nos trouxe. Não são apenas as regras democráticas, as normas de saúde, higiene ou ambiente que transpusemos para um quadro legislativo comum que importam, mas fundamentalmente a paz a que atualmente pouco valor se dá, já que a tomamos (erradamente) como garantida.

Comparando a nossa época com a Idade Média pode constatar-se que a taxa de homicídios baixou 30 vezes (ver Peter van Uhm no TED). Conseguem imaginar a nossa sociedade com 30 vezes mais mortes por assassinato? Certamente que não. A verdade é que ao longo da nossa história fomos passando para o estado o monopólio da força e da lei, fomos evoluindo e tornando-nos corresponsáveis nos estados democráticos por esse monopólio necessário.

 

Grevistas da CUF,Lx 1911

 

Quando olhamos para os Estados Unidos da América não podemos deixar de nos espantar com o facto de o país ter um presidente negro, que muito provavelmente será reeleito em novembro. É uma espantosa realidade tendo em conta que a comunidade afro-americana é apenas a terceira em número de pessoas (12,3%), atrás da hispânica (12,5%) e da comunidade branca (69.1%), mas também porque a história daquele país nos diz que há 50 anos um qualquer Obama teria muitas dificuldades em obter uma educação de qualidade ou até, nos estados do sul, teria severas restrições em usar uma casa de banho “pública”.

E que dizer da democracia sul-africana e da recente primavera árabe? Há riscos e perigos? Claro que os há, mas não deixa de ser um degrau mais acima em termos da liberdade dos povos e do combate contra o preconceito.

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Ao nível daquilo que se designa por costumes essa evolução é ainda mais visível já que basta uma ou duas décadas para analisarmos e refletirmos sobre as nossas perspetivas pessoais, sem grande esquecimento ou distorção daquilo que outrora pensávamos.

A homossexualidade passou rapidamente – e bem – aos olhos da sociedade portuguesa, de uma aberração para uma opção. E isso em muito poucos anos. Eu próprio não me estaria a ver há dez anos atrás a achar normal, como penso hoje, o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo, apesar de achar escusada a mimetização do casamento desde que garantidos os direitos civis de quem decide viver junto independentemente da orientação sexual, mas compreendo-o face ao desejo de se ver reconhecido esse ato de mútua vontade.

Já nem me atrapalha hoje a adoção de crianças por casais homossexuais tendo em conta a necessária observância de um conjunto de regras de respeito pelo bem-estar e liberdade das crianças. Há pouco tempo atrás isso ainda me metia alguma confusão, hoje não me mete nenhuma.

 

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Gosto porém de manter a minha inflexibilidade em casos menores como o do varandim do Toural, pois se há coisa que se discute são mesmo os gostos.

 

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Publicado in O Comércio de Guimarães

sábado, 14 de abril de 2012

Eletrizante

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Estamos a assistir, no futebol espanhol, a um dos duelos mais incríveis de que me lembro nos bons campeonatos de futebol.

Vemos uma distância astronómica entre Barça e Real do resto da concorrência (com belíssimas equipas), uma perseguição implacável do Barça ao Real e uma troca louca entre Messi e Ronaldo na liderança dos melhores marcadores.

Adora Barcelona, mas desde que me recordo prefiro o odiado Real ao incensado Barça … talvez exatamente por isso.

Respeito no entanto a qualidade extraordinária da equipa de Barcelona e, fundamentalmente, a normalidade estética dos seus jogadores: cabelinho curtinho e sem tatuagens, uma raridade no futebol atual.

Sofro no entanto pelo Real, pelo insuportável Mourinho e pelo vaidoso Ronaldo. Hala Madrid!

Inevitavelmente setembro

 

Extremely-Loud-and-Incredibly-Close

Está por cá (Guimarães) o filme Extremamente Alto, Incrivelmente Perto de Stephan Daldry.

Um bom filme, com uma boa história e com atores competentes.

 

EXTREMELY LOUD & INCREDIBLY CLOSE

 

Reencontrei Max Von Sydow – um dos atores de Bergman – e isso bastaria.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O amigo espanhol

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As recentes dificuldades de colocação da dívida espanhola nos mercados é um mau sinal para Espanha, um mau sinal para Portugal e um péssimo sinal para a nossa economia, nomeadamente para as nossas empresas têxteis.

Esperemos que Espanha se possa segurar neste contexto … e que o nosso Ronaldo os ajude a ter “ganas”.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

60 minutes #2

 

Uma boa ilustração de entrevistas de Mike Wallace.

60 minutos

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Alguns dos programas de informação americanos revelam-se por estarem à frente do tempo. À frente pelos temas, à frente pelo profissionalismo dos seus jornalistas, à frente pela coragem.

 

 

O programa de informação da CBS 60min – que passa na SIC – é um desses casos: o de estar à frente.

Para que o 60min seja a referência que é ainda hoje (o programa é de 1968) muito contribuiu Mike Wallace.