sexta-feira, 25 de março de 2011

Opinião

 

Maria de Fátima Bonifácio

Público 24.03.11

 

de

“Em 1974, saiu a sorte grande a Portugal. Sem nenhum esforço comparável ao que tinham feito os países europeus saídos da Segunda Grande Guerra, os portugueses subiram,
de uma assentada, vários pontos no seu nível de vida. Habituámo-nos mal, e acabámos, irresponsavelmente, a passar férias em Cancun e a comprar carros de luxo a prestações.

Chegou Cavaco, nos anos oitenta. Dotou o país de infraestruturas indispensáveis e pôs a economia a crescer. Chegou Guterres, nos anos noventa. Fez do Estado uma espécie de Santa Casa da Misericórdia e persuadiu os portugueses de que podiam perfeitamente ter auto-estradas de borla. A economia estagnou. O Serviço Nacional de Saúde expandiu-se. As pensões e as reformas não encolheram. Para inúmeras famílias, viver do rendimento
mínimo, conjugado ou não com subsídios de desemprego, tornou-se muito mais atractivo do que ganhar um magro
salário a trabalhar. A despesa do Estado e o endividamento do país cresceram perigosamente, ameaçando a insustentabilidade. Os que isto diziam e demonstravam eram tidos como pessimistas patológicos. Barroso escandalizou as almas sensíveis ao oficializar que os socialistas tinham deixado o país de tanga. Ao cabo de quinze anos de irresponsável governação socialista, chegámos onde chegámos: mais pobres do que já fomos, e tendo como
única perspectiva de futuro continuar a empobrecer (…)”

Alquimista

 

Maria Gadú é das melhores novas vozes brasileiras. Um país musicalmente bendito.

Aqui pega numa música sem interesse aparente … e transforma-a num tema viciante.

quarta-feira, 23 de março de 2011

O capacho

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Os sucessivos governos de Portugal, qualquer que seja a sua base de apoio ou orientação política, têm escolhido para a pasta das Finanças pessoas de crédito que, raramente, se envolvem em questiúnculas políticas.

Ernâni Lopes foi um exemplo do que acabei de dizer, e a maioria conseguiu preservar-se da onda político-partidária para poder manter algum ascendente sobre o Governo do qual faziam parte.

Teixeira dos Santos não. Teixeira dos Santos envolveu-se e serviu de muleta às habilidades do PM ao ponto de passarmos a vergonha de não sermos confiáveis. De não falarmos verdade.

Hoje no Parlamento levantou-se quando Ferreira Leite falava e saiu. Uma falta de respeito que caracteriza a sua acção enquanto Ministro.

É dos poucos Ministros da pasta que sai, claramente, pela porta dos fundos.

Dr. Pinóquio

 

Há 25 anos Herman, com um enorme poder premonitório, fez este brilhante sketch…

 

… com o FMI à perna.

terça-feira, 22 de março de 2011

E depois?

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O Primeiro-Ministro criou um cenário que, manifestamente, não consegue conter.

O cenário montado à volta do PEC 4 foi mais uma sucessão de mentiras e de “agarrem-me senão eu mato-me” para enganar os incautos.

Só que desta vez acho que vai parar aqui. Ainda bem, “a mentira tem perna curta” apesar de Sócrates vir dando largas pequenas passadas há demasiadamente tempo.

A saída dele não vai trazer milagres: claro que não. Vamos escapar ao FMI: já lá estamos. Mas pelo menos que se comece, de uma vez por todas, a falar verdade aos portugueses e a olhar de frente o futuro e a maneira como havemos de sair deste buraco.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Os heróis de Fukushima

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Desde a primeira evacuação da central nuclear de Fukushima, de onde foram retirados mais de 750 trabalhadores, que a central ficou entregue a 50 funcionários que, naturalmente, sabem os enormes riscos que correm. Mesmo assim continuam a trabalhar para evitar uma catástrofe maior.

O artigo de Susana Almeida Ribeiro no Público de hoje é uma peça jornalística sobre a coragem altruísta daquela gente:

"Devidamente equipados com os fatos anti-radiação, 50 japoneses trabalham incansavelmente na central nuclear de Fukushima I, que tem sido palco de explosões e incêndios desde o sismo de 9,0 da passada sexta-feira e que ameaça libertar para a atmosfera uma nuvem radioactiva com consequências imprevisíveis.
Hora a hora, estes 50 trabalhadores - os únicos que ficaram após a retirada dos restantes 750 - deitam água do mar nos núcleos dos reactores que apresentam perigosos níveis de aquecimento.
Muitos dos trabalhadores estão voluntariamente neste combate. Está intimamente entranhada na cultura japonesa esta dignidade profissional e este trabalho individual em prol de um bem comum.
(…)

Até ao momento já morreram cinco funcionários e outros 22 ficaram feridos, em ocasiões diferentes. Dois estão desaparecidos.
Apesar disso, o grupo não arreda pé. Alguns ex-trabalhadores em centrais nucleares americanas, ouvidos pelo NYT, indicaram que a solidariedade entre os funcionários de uma estrutura deste género é muito grande. Os trabalhadores passam muitas horas juntos, em turnos, e há um espírito de missão muito grande. “Claro que ficamos preocupados com a saúde e a segurança das nossas famílias, mas temos a obrigação de permanecer nas instalações. Há um sentimento de lealdade e de camaradagem”, indicou ao jornal Michael Friedlander, que trabalhou 13 anos em três diferentes centrais americanas.
Não foram reveladas as identidades destes 50 trabalhadores que ficaram para trás nem as autoridades adiantaram como é que eles poderão ser substituídos em caso de mais acidentes.
(…)”

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quarta-feira, 16 de março de 2011

Absolutamente necessário

 

Vi apenas a segunda parte. E vi o Inter a ganhar bem ao Bayern.

 

 

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Seria absolutamente lamentável que nenhuma equipa italiana seguisse em frente. Não era futebol.

 

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sábado, 12 de março de 2011

Quando nada ficou na mesma

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O início da década de 80 ficou marcada por trabalhos musicais absolutamente excepcionais. Já não bastava o Closer dos Joy Division para aparecer, pouco depois, a obra prima (entre as obras primas) dos Talking Heads: Remain in Light.

Claro que em Portugal, face às condicionantes do mercado global, as coisas cairiam sempre uns bons meses depois. Com a necessária inércia para termos lido os artigos musicais do MEC e só muito tempo depois se podiam comprar os vinis que o António Sérgio, e mesmo o Luís Filipe Barros, já haviam gasto no tempo em que a rádio era rádio.

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Foi o meu amigo Jorge o primeiro a ter o Remain in Light, que deve ter as espiras gastas de tanto o ouvirmos em 1981.

Sempre que ouço essa obra bizarra para a altura (e provavelmente ainda para agora) percebe-se que há música boa e música má … e uma outra categoria que sobrepassa a memória e fica agarrada aos músculos e órgãos de quem a desfruta.

O difícil processo criativo desta obra  – o peso de Brian Eno, a revolta de Tina Weymouth e Chris Frantz, a cooptação  de músicos estranhos à banda - está muito bem documentado na wikipedia (versão inglesa).

 

O barco negreiro

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O anúncio de ontem do PEC 4  é mais um exercício de profunda desorientação governativa. O anúncio sucessivo de PEC’s descredibiliza os anteriores e afunda os que agora chegam.

O “novo” PEC foi mais uma declaração solta e tonta, digna de negreiros que não sabem, definitivamente, o que estão a fazer. Só querem ficar bem na fotografia, nem que para isso tenham de afundar o barco.

 

Foto_Filme Ben-Hur de William Wyler, com Charlton Heston

The mate

 

Looking For Eric

Looking for Eric (2009)/ O meu amigo Eric é mais um dos intocáveis e sensíveis filmes de um grande realizador britânico: Ken Loach.

Uma obra de mestre …

… em que a redenção se merece.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Curiosas evidências

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“Os EUA andam há muito a financiar regimes corruptos do Médio Oriente com o objectivo de combater os islamitas. Agora os manifestantes pós-democracia fazem-no gratuitamente.”

 

 

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Thomas Friedman do New York Times, cujas crónicas são traduzidas para o i, é um Pulitzer (3 vezes) que escreveu o excelente livro “O mundo é plano” (1ª edição de 2005).

Foto_Jim Young (Reuters)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Sobressalto necessário

 

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Não morro de amores por Cavaco Silva. Respeito-o porque o acho sério e dedicado à causa pública. O seu discurso, regra geral, não me entusiasma … mas ontem achei que fez um bom e necessário discurso.

 

Desde logo porque foi claro …

“ (…) é fundamental que todas as decisões do Estado sejam devida e atempadamente avaliadas, em termos da sua eficiência económica e social, do seu impacto nas empresas e na competitividade da economia, e das suas consequências financeiras presentes e futuras. Não podemos correr o risco de prosseguir políticas públicas baseadas no instinto ou em mero voluntarismo(…)”

 

Porque constatou o óbvio que é tão difícil de constatar no meio do foguetório mediático em que a governação se transformou e que tanto dizem a nossa região …

“(…) A inovação e a incorporação de conteúdo tecnológico nos bens que produzimos são essenciais. Contudo, não podemos deixar de ver o potencial e a importância dos chamados sectores tradicionais. As vantagens competitivas adquiridas e aprofundadas por estes sectores, bem como a experiência que já têm do mercado internacional, não podem ser desaproveitadas nem vítimas de preconceitos. Estão em causa sectores tipicamente criadores de emprego, contribuintes positivos para a nossa balança externa e que são, além disso, elementos essenciais de coesão social e territorial.”

“(…) Ainda no plano estrutural, é necessário garantir uma fiscalidade mais simples, transparente e previsível, melhorar a qualidade do investimento em formação e qualificação dos recursos humanos, assim como assegurar mais eficiência, credibilidade e rapidez no funcionamento do sistema de justiça. A justiça desempenha um papel crucial no desenvolvimento económico, como fonte de segurança e de previsibilidade, e funciona como referência para a captação de investimento internacional.”

 

Apelando para a evidência de que o ónus das políticas de austeridade não pode cair sempre em cima dos mais fracos pois isso afunda o país…

“(…) Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos.”

“(…) A coesão entre as gerações representa um importante activo de que Portugal ainda dispõe. Os jovens não podem ver o seu futuro adiado devido a opções erradas tomadas no presente. É nosso dever impedir que aos jovens seja deixada uma pesada herança, feita de dívidas, de encargos futuros, de desemprego ou de investimento improdutivo.”

Pois os cortes que interessam ao país têm que se fazer nos interesses instalados e não na população…

“(…) Em vários sectores da vida nacional, com destaque para o mundo das empresas, emergiram nos últimos anos sinais de uma cultura altamente nociva, assente na criação de laços pouco transparentes de dependência com os poderes públicos, fruto, em parte, das formas de influência e de domínio que o crescimento desmesurado do peso do Estado propicia.”

“(…) O exercício de funções públicas deve ser prestigiado pelos melhores, o que exige que as nomeações para os cargos dirigentes da Administração sejam pautadas exclusivamente por critérios de mérito e não pela filiação partidária dos nomeados ou pelas suas simpatias políticas.”

“(…) Não podemos privilegiar grandes investimentos que não temos condições de financiar, que não contribuem para o crescimento da produtividade e que têm um efeito temporário e residual na criação de emprego. Não se trata de abandonar os nossos sonhos e ambições. Trata-se de sermos realistas.”

 

E apelando ao envolvimento e empenhamento cívico dos portugueses, absolutamente necessário…

“(…) A nossa sociedade não pode continuar adormecida perante os desafios que o futuro lhe coloca. É necessário que um sobressalto cívico faça despertar os Portugueses para a necessidade de uma sociedade civil forte, dinâmica e, sobretudo, mais autónoma perante os poderes públicos.”

 

 

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Foto_ Ferreira Santos (Público)

 

É difícil encontrar na Democracia portuguesa um discurso político tão substancial e cru, como os tempos aliás exigem.

 

O que é fácil encontrar na nossa Democracia é a vozearia anti-discurso político que mais não se destina do que a criar desânimo e a sensação de que “todos são iguais”, para manter o status quo,  e que aparece inevitavelmente quando o PS está em apuros. Essa mensagem é veiculada pelos peões de ocasião que querem que tudo fique na mesma.

E não deixa de ser ridículo que se misture os governos de Cavaco com os de Sócrates, como se fossem faces de uma mesma moeda.

Portugal cresceu, desde 1974, 2,5% em média. Nos últimos anos não temos crescido nada, pelo contrário. O período de ouro da economia portuguesa foi de 1986 a 1990, com taxas entre 5% e 8% (Fonte: Economia Portuguesa, as últimas décadas. Luciano Amaral. 2010). Precisamente nos Governos de Cavaco e Silva. E os fundos comunitários cresceram aceleradamente nos anos 90 e em 2000.

Juntar tudo no mesmo saco é, profundamente, desonesto e só tem como finalidade perpetuar a gentalha que nos tem governado. É importante para o país dizer basta e é fundamental que o PS se aperceba disso e faça alguma coisa.

quarta-feira, 9 de março de 2011

A galinha

O governo de Portugal assemelha-se a uma galinha em quem cortaram a cabeça, mas que continua a correr descontroladamente em frente, como se fosse a algum lado. E o mais grave é que há muita gente que não sabe que a galinha corre sem cabeça. E há mesmo quem me assegure que viram a galinha com a cabeça. Desgraçado o país que acredita num primeiro-ministro fanfarrão, irresponsável e descarado como este, e que é o principal responsável pela galinha que sem cabeça se dirige descontroladamente contra a parede.

O discurso de tomada de posse do Presidente da República foi suficientemente duro para que tudo fique na mesma e a galinha continue, desalmadamente a correr.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Ashes to ashes

 

Encontrei este fim de semana esta pequena pérola jornalística no Sol (4.3.2011) a propósito da novela nacional, em território americano, que a foto acima ilustra.

“…Além dos exames a Renato, foram ainda requeridas análises ao cadáver do cronista, para perceber se este teria ou não uma doença sexualmente transmissível”

Muito bem.

sábado, 5 de março de 2011

E agora?

 

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A Assembleia de Guimarães promoveu ontem uma conferência sobre a situação política e social do país, de que foi orador Luís Marques Mendes. O brilhantismo e a simpatia do conferencista deixam augurar um bom ano de actividade daquela instituição que, em 2012, fará 50 anos de existência.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Wikimerchandaising

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Julian Assange não deixa de nos surpreender. Depois de tentar “salvar” o mundo tenta vender-nos agora essa mesma “salvação” em sacos, saquinhas, t-shirt’s e elegantes  canecas, entre outros produtos.

280

 

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Desde 9,99€…

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Fonte: mundodigital.tsf.pt