quinta-feira, 17 de março de 2011

Os heróis de Fukushima

JAPAN-QUAKE/

Desde a primeira evacuação da central nuclear de Fukushima, de onde foram retirados mais de 750 trabalhadores, que a central ficou entregue a 50 funcionários que, naturalmente, sabem os enormes riscos que correm. Mesmo assim continuam a trabalhar para evitar uma catástrofe maior.

O artigo de Susana Almeida Ribeiro no Público de hoje é uma peça jornalística sobre a coragem altruísta daquela gente:

"Devidamente equipados com os fatos anti-radiação, 50 japoneses trabalham incansavelmente na central nuclear de Fukushima I, que tem sido palco de explosões e incêndios desde o sismo de 9,0 da passada sexta-feira e que ameaça libertar para a atmosfera uma nuvem radioactiva com consequências imprevisíveis.
Hora a hora, estes 50 trabalhadores - os únicos que ficaram após a retirada dos restantes 750 - deitam água do mar nos núcleos dos reactores que apresentam perigosos níveis de aquecimento.
Muitos dos trabalhadores estão voluntariamente neste combate. Está intimamente entranhada na cultura japonesa esta dignidade profissional e este trabalho individual em prol de um bem comum.
(…)

Até ao momento já morreram cinco funcionários e outros 22 ficaram feridos, em ocasiões diferentes. Dois estão desaparecidos.
Apesar disso, o grupo não arreda pé. Alguns ex-trabalhadores em centrais nucleares americanas, ouvidos pelo NYT, indicaram que a solidariedade entre os funcionários de uma estrutura deste género é muito grande. Os trabalhadores passam muitas horas juntos, em turnos, e há um espírito de missão muito grande. “Claro que ficamos preocupados com a saúde e a segurança das nossas famílias, mas temos a obrigação de permanecer nas instalações. Há um sentimento de lealdade e de camaradagem”, indicou ao jornal Michael Friedlander, que trabalhou 13 anos em três diferentes centrais americanas.
Não foram reveladas as identidades destes 50 trabalhadores que ficaram para trás nem as autoridades adiantaram como é que eles poderão ser substituídos em caso de mais acidentes.
(…)”

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