terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sem rival

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No novo estádio de Cornellà, em Barcelona, o Espanhol perdeu claramente com o seu rival da cidade.

Mesmo depois do resultado em 5-1 Iniesta foi ovacionado de pé por um estádio emocionado que não esqueceu a lembrança que Iniesta sempre teve para com o seu colega Dani Jarque, ex-capitão do Espanhol, falecido em 2009.

 

iniesta_efe62 Nesta fotografia da agência EFE Iniesta comemora o golo que deu à selecção espanhola o título de campeã do mundo.

 

Crónica de Fernando Alves

(a ouvir!)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Factory

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A Factory Records é um símbolo fortíssimo para alguma gente da minha geração.

Um símbolo de qualidade musical, das bandas que me marcaram para “todo o sempre” e que, de certa forma, marcaram a história dos anos 80 e 90.

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É um projecto de geniais visionários que íamos recebendo aqui em Portugal através de vinis extraordinários por mão amiga que se deslocou a Londres ou, então, pelas apaixonadas palavras do Miguel Esteves Cardoso.

 

Neste quadro Peter Saville, o designer, deu a substância a tão etérea fábrica de sonhos. As capas dos vinis foram algo nunca visto até ali.

Foram uma nova linguagem que acompanhou, na perfeição, aquilo que se ia fazendo ao nível da música.

 

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EP de 1978. Contém Joy Division. Digital.

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1979. Unknown Pleasures. LP. Joy Division.

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1980. 7’’ e 12’’. Love will tear us apart again. Joy Division.

 

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1980. 12”. Love will tear us apart again. Joy Division.

(a que eu tenho)

 

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1980. OMD. LP.

 

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1980. Section 25:  Girls don´t count. 7’’.

 

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1981. New Order. Procession. 1981.

 

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1981. King Crimson. Discipline. LP

(não é da Factory)

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1981. New Order. Movement. LP

 

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1986. New Order. Brotherhood. LP

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1981. Section 25. Dirty Disco.

 

0000266010_350 1981. Tunnelvision. Watching the hydroplanes. 7”.

 

 

O plástico poético.

Artigo cem

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Cheguei ao artigo cem na colaboração com O Comércio de Guimarães…

Valha-me Deus.

 

 

“ Ter opiniões é estar vendido a si mesmo. Não ter opiniões é existir. Ter todas as opiniões é ser poeta.”

Bernardo Soares. Livro do desassossego.

É este o meu centésimo artigo nesta coluna. Parece que foi ontem que aqui comecei a escrever mas já passaram oito anos. Que poderá dizer mais este número que o inexorável tique-taque do tempo? O tempo físico na barriga do crocodilo do Peter Pan. 100 espinhas, 100 dó ou piedade que o travem. É assim o tempo.

O que me tentou inicialmente para a escrita desta crónica foi passar em revista, como se diz, o que escrevi. Mas, felizmente, cedo me desenganei da tarefa narcísica de vasculhar noventa e nove artigos. A auto-contemplação é um inútil exercício, é pueril pois não acrescenta nada, não adianta nada, é 100 sentido. E penso que o tempo dá e tira com acerto. O acerto dele é claro, o acerto do inevitável que aconteceu e por isso é inevitável e certo à sua maneira. Se alguém reparou no que escrevi ou se, por outro lado, ninguém guardou memória ou opinião sobre as coisas que disse, as coisas que pensei, ou as coisas que não pensando disse, é tudo apenas tempo. Tão simples, tão cruel e belo quanto isso.

Como escapei a essa primeira tentação, caí noutra. Tentou-me ainda o exercício de nada dizer, mesmo escrevendo. O que aliás, até esta exacta palavra, penso estar a fazer. Seria uma espécie de gozo a mim próprio, uma sabotagem voluntária a quem opina e se acha no propósito de opinar. Mas, infelizmente, não tenho a capacidade dos articulistas que perante a página vazia a enchem justapondo as palavras de forma elegante, de maneira a que agrade a quem lê, mesmo que no fim a sensação da leitura se assemelhe à de um folheto de medicamento na parte da composição química do fármaco utilizado.

(…)

 

 

artigo

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Quem vê caras

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Não suporto a cara deste tipo .. deste Julian Assange.

Não suporto a arrogância da criatura nem o “favor” que ele nos faz ao pôr a nu a malvada diplomacia ocidental.

Mas para além disso, tudo o que tenho lido sobre os supostos abusos sexuais de que é acusado na Suécia parecem-me tão postiços e forçados como a bondade deste senhor em publicar segredos de estado.

sábado, 11 de dezembro de 2010

La Liga

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Apesar de ser fã incondicional do futebol italiano e um 1º dezembrista ferrenho, tenho acompanhado com mais atenção o campeonato espanhol de futebol. Tal se deverá a Mourinho e ao Cristiano que trabalham na equipa que mais simpatizo há anos. A léguas do Barcelona.

Tenho presenciado, além da qualidade dos jogos, a um conjunto de pequenos grandes gestos que me têm agradado. O esforço que os presidentes do Real e do Barcelona fizeram por publicamente esvaziarem o clima de tensão antes do “memorável” Barça-Real, ou o pontapé de saída de Vargas Llosa no Real-Valência, são bons exemplos desses grandes gestos.

Os espanhóis, ou os povos de Espanha, sempre souberam “vender” a sua cultura, a sua gastronomia, o seu Cervantes. Fazem-no também no futebol. Não por qualquer golpe de marketing, creio, mas porque efectivamente gostam daquilo que têm.

A cadeira vazia

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O Nobel da Paz “entregado” simbolicamente ontem na Noruega a Liu Xiaobo constitui uma derrota para a arrogância e sobranceria dos governantes chineses.

 

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A imagem da cadeira vazia é arrasadora. Diz tudo.

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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Angolanos temem investimento chinês

Alguns Angolanos temem investimento chinês, diz o Diário Económico.



Acho que fazem bem, porque vi bem esse facto e alertei alguns para essa realidade, nomeadamente por "preocupação por o investimento de Pequim - através de empréstimos que terão de ser pagos - "não criar emprego" para os angolanos, não permitir a transferência tecnológica e por ter uma "pobre qualidade"".



E preocupa-me ainda o facto de neste momento o nosso Governo "de gestão" estar a aproximar-se dos chineses em busca de investimento e tentando trazer para cá alguns dos gigantes asiáticos. Da China, como se dizia de Espanha, "nem bom vento, nem bom casamento"...

O Natal digital

Este vídeo está a ter o merecido sucesso no YouTube …

 

…. e bem o merece.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O pateta poderoso

 

“Na véspera da entrega do Prémio Nobel da Paz a um preso político chinês, Pequim atribui, pela primeira vez, o Prémio Confúcio da Paz. O comité Nobel já classificou a iniciativa como patética, enquanto o comité chinês tenta descredibilizar a academia com 109 anos de história.

O director do Prémio Confúcio, Tan Changliu, defende que a Noruega é um pequeno país enquanto a China representa mais de mil milhões de habitantes. Apesar disso, sublinha que não se trata de um contra-ataque ao Nobel, por distinguir Liu Xiaobo, considerado um criminoso pelo governo chinês. O comité defende, também, que a História não se vai lembrar de Xiaobo dentro de 500 anos.

O primeiro Prémio Confúcio da Paz foi atribuído a Lien Chan, antigo vice-presidente de Taiwan, que se encontrou várias vezes com o presidente chinês. Algo raro, visto que Taiwan está separada da China comunista há mais de 60 anos.

O porta-voz de Lien Chan disse nunca terem ouvido falar de tal prémio e que Lien não tem intenções de o receber.

Ainda assim, o galardão foi simbolicamente entregue a uma criança, cujas mãos foram quase pequenas demais para o maço de notas no valor de 11400 euros.”

Euronews

O vídeo é adequado:

 

A lamentável senhora

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Já há uns anos que se percebia que os líderes europeus tinham mudado para pior. Angela Merkel é um exemplo quando comparada com Helmut Kohl. Aliás o processo de sucessão na CDU e o despudor de como assobiou para o ar quando Kohl foi (injustamente) envolvido em casos de corrupção indiciava isso mesmo: falta de nível.

Aquilo que a Sra. Merkel tem feito à UE é o “quanto pior, melhor”, procurando dar lições de moral aos PIIG’s. Não é que não sejam merecidos alguns “puxões de orelhas” só que, neste momento difícil, está a atirar a água e a criança fora, pondo em causa, a cada declaração, a força da UE.

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Eu sei que é difícil aceitar a incompetência de alguns governos (o facto de, por exemplo, os gregos terem “martelado” as suas contas durante anos é sem dúvida grotesco), mas é preciso perceber também que a integração da Alemanha de Leste foi e é paga pela UE (muito justamente) e a força económica da Alemanha actual baseou-se em muitas cedências de outros países. A queda de barreiras alfandegárias dos nossos têxteis permitiu, por exemplo, que a Alemanha entrasse nos mercados asiáticos. E isso não é de somenos. Pelo menos para Portugal.

Ana Sá Lopes comenta no i (A Europa à beira da implosão total) a visão actual de gente com nível como Jaques Delors que tem a visão fundadora da Europa.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Os partidos

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Na evocação da morte de Sá Carneiro e de Adelino Amaro da Costa muito se falou sobre a qualidade da política e dos políticos actuais que, genericamente, a maioria dos artigos que li entende ter piorado substancialmente nos últimos 30 anos.

É evidente que os tempos são incomparáveis e que há trinta anos atrás respirava-se política por todos os poros face à liberdade reconquistada. O cenário hoje é diferente e não existem, como existiam, pequenas elites altamente preparadas e politizadas. Muito circunscritas e por isso facilmente visíveis.

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O que mudou para pior nos últimos 30 anos foram, na minha opinião, os partidos políticos. Estes deixaram de se reger pela chama das convicções para passarem a serem comandados pela lógica do rebanho que espera, mais à frente, ovelha a ovelha, a compensação devida. Tudo numa base individual e não na lógica colectiva e do bem-comum em que a política se deve fundar.

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Nos dois principais partidos portugueses é frequente encontrarmos notícias pouco abonatórias de processos menos claros e lícitos para a eleição deste ou daquele conjunto de pessoas. Seja ao nível da freguesia ou ao nível do país.

O cinismo dos chamados “sindicatos de votos”  substituíram a ingenuidades das “bases”. Os líderes naturais foram substituídos pelos gestores de caciques, capazes de oferecerem 10, 50, 200 ou mais votos em qualquer eleição partidária.

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O sistema partidário chegou por isso a um beco sem saída com as actuais regras. É necessário inventar novas regras.

Não será fácil … não me oponho por isso a soluções radicais por mais loucas que possam parecer.

Não me chocaria que qualquer cidadão tivesse, caso assim o desejasse, uma palavra a dizer sobre o candidato à Câmara do partido X mas também do partido Y, furando assim a lógica centrípeta dos partidos políticos. Ou do candidato à Assembleia da República. Ou do candidato a Primeiro-Ministro.

Algo tem naturalmente que acontecer para que a abstenção e desinteresse não se instalem como hoje acontece.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Saudades do Portugal

 

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Impressionou-me vivamente a fotografia e  o texto de Joaquim Magalhães de Castro (JMC) publicado no suplemento Fugas do Público de sábado.

Nela se vê os tripulantes de um dos barcos que a 16 de Novembro se foi despedir do navio-escola Sagres, já que haviam sido barrados pelas autoridades de o fazerem em terra.

Segundo JMC:

<Esta manifestação traduzia bem o sentir dos goeses, que nunca deixaram de ser portugueses. Numa das faixas exibidas bem alto podia ler-se "Viva Portugal. Nós amamos o Portugal. Boa viagem Sagres". Noutra: "Adeus Sagres. Viva Portugal. Goans love you."
A presença dos pescadores em festa foi a bofetada de luva branca nos denominados freedom fighters, promotores das manifestações anti-portuguesas dos dias anteriores. Curiosamente, um dos seus mais proeminentes dirigentes marcou presença na recepção oficial que a Sagres ofereceu à comunidade local, marcada pela ausência previamente anunciada do Ministro de Estado de Goa que, intimidado pelos protestos dos fundamentalistas locais, inventou uma viagem de trabalho a Deli para não estar presente. Foi uma recepção com direito a fado com pronúncia local, vinho moscatel, cerveja Sagres (claro!), presunto, queijo dos Açores, bacalhau e até uns deliciosos pastéis de nata, confeccionados na cozinha da barca.>

 

Não deixa de ser comovente que estes goeses, muitos dos quais não eram nascidos em 1961 quando a União Indiana expulsou os portugueses do territórios, se vistam a rigor para dar nota do seu amor a Portugal.

Muita coisa fizemos bem. A capacidade de deixar saudades é uma delas.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Sentido de Estado

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Não serei certamente eu quem acrescente algo, ou deva acrescentar, ao elogio fúnebre, justíssimo, que em uníssono se tem feito a Hernâni Lopes…

Gostaria modestamente de lembrar que nunca ouvi Hernâni Lopes, do alto da capacidade que efectivamente tinha, a dizer “eu não sou um político”. Não teve a superioridade moral de muita gente que faz alarde disso, mas que se pela para que os partidos políticos que dizem desprezar os chamem.

Aliás Portugal precisava de homens que, como Hernâni Lopes, colaborou com diferentes pessoas de diferentes partidos. Tinha que gostar delas, claro. Foi apoiante de Mário Soares e de João de Deus Pinheiro ao Parlamento Europeu. Assumiu simpatias e disse presente quando foi necessário.

Não ostracizou a política. Disse o que achava a cada momento e colaborou quando entendeu necessário. Deu nível à política.

Podia assistir (confortavelmente) da bancada e não o fez.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O favorito

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Este 1º de Dezembro é um dos feriados de que mais gosto. Faz-me sempre lembrar a dignidade, resistência e a coragem deste povo.

Numa altura em que deixamos que nos tratem como incómodos pedintes é bom manter essa postura, nem que ela seja confundida com altivez. Que o seja.