terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Os partidos

Mario Soares 03

Na evocação da morte de Sá Carneiro e de Adelino Amaro da Costa muito se falou sobre a qualidade da política e dos políticos actuais que, genericamente, a maioria dos artigos que li entende ter piorado substancialmente nos últimos 30 anos.

É evidente que os tempos são incomparáveis e que há trinta anos atrás respirava-se política por todos os poros face à liberdade reconquistada. O cenário hoje é diferente e não existem, como existiam, pequenas elites altamente preparadas e politizadas. Muito circunscritas e por isso facilmente visíveis.

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O que mudou para pior nos últimos 30 anos foram, na minha opinião, os partidos políticos. Estes deixaram de se reger pela chama das convicções para passarem a serem comandados pela lógica do rebanho que espera, mais à frente, ovelha a ovelha, a compensação devida. Tudo numa base individual e não na lógica colectiva e do bem-comum em que a política se deve fundar.

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Nos dois principais partidos portugueses é frequente encontrarmos notícias pouco abonatórias de processos menos claros e lícitos para a eleição deste ou daquele conjunto de pessoas. Seja ao nível da freguesia ou ao nível do país.

O cinismo dos chamados “sindicatos de votos”  substituíram a ingenuidades das “bases”. Os líderes naturais foram substituídos pelos gestores de caciques, capazes de oferecerem 10, 50, 200 ou mais votos em qualquer eleição partidária.

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O sistema partidário chegou por isso a um beco sem saída com as actuais regras. É necessário inventar novas regras.

Não será fácil … não me oponho por isso a soluções radicais por mais loucas que possam parecer.

Não me chocaria que qualquer cidadão tivesse, caso assim o desejasse, uma palavra a dizer sobre o candidato à Câmara do partido X mas também do partido Y, furando assim a lógica centrípeta dos partidos políticos. Ou do candidato à Assembleia da República. Ou do candidato a Primeiro-Ministro.

Algo tem naturalmente que acontecer para que a abstenção e desinteresse não se instalem como hoje acontece.

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