quarta-feira, 24 de setembro de 2008

D.Afonso Henriques




Desde há uns tempos que tenho falado, num círculo restrito de pessoas a quem estimo a presença e as opiniões, no simbolismo que representará o facto do nascimento de D. Afonso Henriques ter acontecido em 1109 – há vários historiadores a defender como provável esta data, e o magnífico livro “D.Teresa, a Primeira Rainha de Portugal” de Marsilio Cassotti também a aponta como provável – ou seja, o importante caso de para o ano se poderem e deverem comemorar os 900 anos do nascimento do fundador da nacionalidade.
Perante o ensurdecedor silêncio que tenho sentido ao longo deste ano de 2008, usei as minhas responsabilidades de Vereador na nossa Câmara para colocar a questão e incentivar o Senhor Presidente da Câmara a liderar o processo e a escolher as parcerias adequadas para comemorar com qualidade e proveito estes nove séculos que incluem a nossa vida comum enquanto Nação, com os altos e baixos que conhecemos, mas com a singularidade de uma História que nos honra enquanto povo e de uma Língua que une mais de 200 milhões de habitantes deste planeta, ainda, azul.

A minha preocupação não foi meramente sentimental, não. A minha preocupação é fundamentalmente comercial, não tenho vergonha de o dizer.
D. Afonso Henriques é a nossa marca, a marca de Guimarães. E uma boa marca vende, produz riqueza, induz movimento, incentiva a curiosidade e a procura.
As marcas sejam elas as de produtos específicos, as de países, ou de cidades, são tão importantes que perduram para além da realidade a que se reportam. Demoram anos a serem construídas e consolidadas, mas quando conseguem atingir esse estatuto rendem para além da realidade específica que as criou. Estou a falar nas gôndolas de Veneza, nos sapatos italianos, no vinho francês, nas máquinas alemãs, no chocolate ou relógios suíços, estou a falar no Mozart de Salszburgo, no Gaudí de Barcelona, na baguette francesa, nos Beatles de Liverpool, ou nos Joy Division em Manchester. Marcas, enfim.
E D.Afonso Henriques é a marca que nos fica bem, que devemos usar e preservar, que devemos colar à nossa pele enquanto comunidade.
O Presidente da Câmara de Guimarães disse, basicamente, que ia pensar. Passados cinco dias o Presidente da Câmara de Viseu vem, através do JN, assumir as comemorações dos 900 anos do nascimento de D.Afonso Henriques, alegando o nascimento do nosso rei naquela localidade.
Pessoalmente já não tenho qualquer pachorra ou disposição para entrar em guerras do Alecrim e Manjerona. Nem me incomodo sequer. Se querem comemorar que comemorem! Agora nós, Guimarães, temos que o fazer com a dignidade, a qualidade e a eficácia que se impõem.
Senão, qualquer dia, as falsificações passam a originais: as Louis tomam o lugar das Lewis, ou as camisetas Lakoste engolem o crocodilo verdadeiro, e nós, Guimarães, cairemos no risco de sermos multados pela ASAE por usar no peito, com orgulho, o nosso Rei.
Fotos: Casa de Sarmento

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Preocupação

"A Assembleia Nacional sul-africana decidiu hoje que o Presidente Thabo Mbeki, afastado pelo próprio partido sob a acusação de ter influenciado a justiça contra o rival Jacob Zuma, deixará funções a partir de quinta-feira. Neste mesmo dia, os deputados deverão nomear imediatamente o sucessor de Mbeki, que dirigirá o país até às eleições gerais de 24 de Setembro de 2009."
Expresso on-line de 23 de Setembro 2008

Ora cá está uma situação muito preocupante. Depois de Mandela ter conduzido o país na transição de regime de forma exemplar, o ANC vem perdendo a credibilidade que ganhou aos nossos olhos. Tudo está feito para se entregar o poder ao imprevisível e poderoso Jacob Zuma.

(Baleka Mbete na foto com Mbeki)
O The Independent punha ainda em hipótese, desde ontem, a nomeação de uma mulher, Baleka Mbete, como presidente interina da África do Sul.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

No smoking



Na última reunião da Câmara tive a oportunidade de, com boa-disposição ao que julgo, criticar uma norma que impede fumar no espaço aberto da Horta Pedagógica. Tal facto não me impediu de aprovar o documento. Registei apenas, com desagrado, a dose excessiva do “politicamente correcto” que me começa seriamente a incomodar.




Faz-me confusão que um homem depois de passar duas horas a plantar nabiças não possa ter a possibilidade de contemplar a sua obra sob as baforadas de um cigarro.



Uma amiga minha referiu-me uma notícia que dava conta, no tom da corrente hipocrisia, da minha falha. Não sei qual foi, nem me interessa. O argumento usado é o de que não se devem influenciar as crianças e os jovens. Como se as crianças e os jovens desatassem a fumar se vissem o pobre do agricultor apoiado numa enxada a fumar um SG Ventil. Que glamour!



No meu tempo de criança e de adolescente o Lucky Luck fumava, o Corto Maltese fumava, o Jack Nicholson e o Dennis Hopper fumavam demais, a bela Natasha Kinski fumava, os Clash fumavam coisas bem piores, e resisti sempre ao fumo durante a adolescência para me viciar quando já teria idade para ter juízo. Fazer dos jovens uns “anormaizinhos”, incapazes de terem vontade própria é um erro colossal. Felizmente, sei, os “anormaizinhos” somos nós.
Fotos in Flickr. Autores (de cima para baixo): cyclonepower, andy syncro-nutz, pffft, luckless e souer99.

domingo, 21 de setembro de 2008

Outra cultura


Enquanto escrevo este post continuo a ver o Chelsea-Manchester United: Sem dúvida que até agora – minuto 70, 0-1 ganha o Man United – assiste-se a um jogo competitivo, ou seja, a forma simpática de dizer que o jogo poderia ser melhor.
No entanto não é a qualidade ou a competitividade deste jogo que me impressiona. É sobretudo, como geralmente acontece no campeonato inglês, a postura honesta que os jogadores (sejam eles de que nacionalidade forem) põem no jogo.
São normalmente jogos sem truques, sem palhaçadas, sem os chicos-espertos que pululam por exemplo no nosso campeonato. Não fora a doença vitoriana que tenho desde que me conheço não teria com certeza pachorra para assistir aos jogos do nosso campeonato, ao prrriu-prrriu constante dos nossos árbitros.

É verdade ... golo de Kalou: 1 a 1.

Uma missão


A cidade de St Davis, no País de Gales, a mais pequena cidade da Grã-Bretanha, é uma cidade com uma missão. Esta pequena cidade traçou há anos (1990) o objectivo de ser a primeira cidade mundial com balanço zero em termos de emissões de dióxido de carbono, uma ecocidade perfeita. Tanto na construção e manutenção das casas particulares, como ao nível dos transportes ou das actividades económicas, tudo tem um plano para reduzir ao mínimo os gastos energéticos e para gastar o dióxido de carbono produzido.

Fruto dessa aposta é já uma cidade com mais de 500.000 visitantes anuais, gerando receitas apreciáveis em termos turísticos mas com uma forte preocupação ambiental a que os turistas não escapam, em todas as suas actividades, mas que certamente não quereriam escapar.
Uma cidade deve ter uma missão que envolva e motive a comunidade. Aqui, em Portugal, a principal missão conhecida é, na maioria dos casos, a de reeleger o presidente da Câmara em exercício….


sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Quem tem medo de Virgínia Wolf?


Estes últimos anos, e este ano de 2008 em particular, têm sido marcados pela ascensão à esfera do poder, ou pelo menos à ribalta política de um conjunto significativo de mulheres.
Desde os bons exemplos dados pelos governos espanhol e francês que têm na sua composição um número inusual de ministras, no governo de Espanha as mulheres estão mesmo em maioria, até à forte candidatura de Hillary Clinton, ou a nomeação de Sarah Palin para o ticket presidencial republicano com uma enorme vantagem competitiva que fez com que McCain tivesse disparado nas sondagens, assiste-se hoje a uma progressiva "democratização" de género ao nível dos postos de decisão política. Ou mesmo a significativa vitória de Angela Merkel na Alemanha, com uma extraordinária capacidade negocial e a uma forte visão europeísta que se vai impondo no espaço europeu.
Mesmo em Portugal a eleição de Manuela Ferreira Leite é um dado inequívoco, e positivo, desta realidade.

Agora, em Israel, mais uma mulher sob ao poder no partido mais votado nas eleições de Março último, o Kadima. A ministra dos negócios estrangeiros de Ehud Olmert, a ex-agente da Mossad, Tzipi Livni, tem a possibilidade de se tornar primeira ministra do Estado de Israel, quer através da sua capacidade negocial no parlamento actual, quer mesmo em eleições caso não haja possibilidade de entendimento entre as fortes e divididas forças políticas que compõem o Knesset.
São bons, muito bons, estes sinais de abertura política, ou pelo menos de se espelhar nela de uma forma mais equilibrada a nossa realidade social.
Só pode mesmo é melhorar!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A crise e os EUA

Katsumi Kasahara/Associated Press

O barulho que tem provocado a crise financeira americana, com a queda de muitos dos seus "intocáveis" gigantes financeiros, pode ter repercussões importantes nas eleições americanas.


Numa altura em que a candidatura democrata se via atarantada com o furacão Palin, e com a ineficácia prática da crítica generalizada à governadora por parte da imprensa, Obama pode encontrar nesta crise o antídoto contra a força revelado pelo ticket republicano nas últimas semanas.

Bastará lembrar Bush e Clinton.


It´s the economy stupid!





segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Acta Final




A operação Euro 2008 está terminada. Este blogue, que acompanhou a aventura, dia a dia, publica em formato fotográfico a dolorosa acta final.

Prepara-se (quem sabe?) a Operação África do Sul 2010. Qualifiquemo-nos então.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Special Ones

Os Felt, banda única, com o tema Primitive Painters de 1985 (álbum Ignite the Seve Cannons, Cherry Red).
Que saudades e que arrepio ao lembrar os discos de vinil e as dezenas de cassetes que inundei com os Felt...



quinta-feira, 11 de setembro de 2008

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

LHC 10 de Setembro de 2008

O Large Hadron Collider do CERN entrou hoje, finalmente, em funcionamento depois de mais de uma década de investigação, investimento e trabalho de muitos dos mais importantes físicos e matemáticos mundiais, e depois de um quarto de século de sonhos e conjecturas.


Este é por isso um dia importante para compreendermos o Universo e lançarmos as bases para a fusão nuclear como resposta aos nossos problemas energéticos. Não tenho dúvida que a fusão nuclear é o futuro mas, até lá, é precisar não descurar, como já aqui defendi, a fissão nuclear (processo básico das centrais nucleares actuais).

Importa-se de repetir?


“Luís Filipe Menezes admite recandidatar-se à presidência do PSD.
O ex-líder social-democrata Luís Filipe Menezes admitiu hoje recandidatar-se à presidência do PSD num eventual congresso que considerou urgente realizar até ao primeiro trimestre de 2009, para que haja regeneração do partido”


Foto e texto in Público on line 10.09.08




Há personagens e personagens, mas Luís Filipe Menezes chega a ser único na sua capacidade histriónica de fazer da presidência do PSD um brinquedo pessoal e tentar tornar risível a história de um dos partidos mais importantes e inovadores da democracia portuguesa. E não faltará infelizmente gente capaz de seguir esta loucura suicida por uma fatia (ilusória) de pequeno poder.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

E agora?

Segundo a mais recente sondagem da Gallup McCain tem vantagem sobre Obama - 50% x 44% - um facto raro, como se pode ver pelo gráfico seguinte que integra as principais sondagens realizadas nos EUA.



in REAL CLEAR POLITICS


Isto deve-se com certeza ao efeito Sarah Palin.




Mais do que nunca os debates que se avizinham (McCain/Obama e Biden/Palin) vão desempenhar um papel fundamental na grande decisão.

domingo, 7 de setembro de 2008

Bill Evans, sempre

Com Chuck Israel e Larry Bunker (1965), Come Rain or come shine.




Histórias do Village Vanguard, do famoso Domingo, com o trio perfeito: Bill Evans, Scott LaFaro e Paul Motion.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Olho de Falcão


Vasco Pulido Valente é, há anos, um dos analistas políticos portugueses mais brilhantes. Dantes haviam alguns com interesse, hoje VPV está praticamente sozinho. Personagem invulgar ocupa com regularidade a última página do público com clareza e inteligência.
Ouvi o discurso de Sarah Palin na Convenção Republicana e, rapidamente, alguma “excitação” pela novidade foi, à medida que o discurso ia evoluindo perante a gritaria, substituído por uma enorme apreensão. VPV resume tudo isso de forma brilhante no Público de hoje. Passo a transcrever um excerto do artigo:

"A Convenção do Partido Republicano foi, politicamente, um espectáculo de horror. Primeiro, pelo nacionalismo. Durante horas o Congresso berrou “U-S-A!”, “U-S-A!”, com um fervor histérico, que não lembrava, e não anuncia, nada de bom. A América é o melhor país que se criou na Terra (o planeta): o mais forte, o mais rico, o mais livre. E é também o farol e a esperança da humanidade: a cidade perfeita no cimo da montanha. Bem sei que este último delírio faz parte da tradição indígena. Infelizmente, vem hoje muito pouco a propósito. O que não impediu os 20 mil congressistas de St. Paul de vaiarem o “estrangeiro”, especialmente a “Europa” e a Rússia, e em geral o mundo que não os compreende. Uma das razões por que odeiam Obama é porque Obama é popular “lá fora”.
Um nacionalismo desta espécie, xenófobo e fanático, leva naturalmente ao militarismo. Entre alguma parlapatice sem consequência, a Convenção Republicana não passou de uma cerimónia militar. A Convenção não parou de falar do soldado, do prisioneiro de guerra e do herói McCain. E homenageou um herói do Iraque, outros prisioneiros de guerra, antigos combatentes do Vietname e do Golfo e as tropas (centenas de milhares de homens) que estão hoje no terreno. Muita gente soluçava e chorava. McCain tem um filho no Iraque e outro a caminho, Palin tem um filho no Iraque. Os delegados berraram de gozo e gratidão. E várias criaturas com responsabilidades (Giuliani, por exemplo, e a própria Palin) declararam a vitória iminente– a vitória, reparem bem – sem qualquer restrição ou dúvida."

in Público 05.09.08

A precursora




D. Teresa – a Primeira Rainha de Portugal foi um dos meus mais amados livros de férias. Este livro, bem escrito e bem documentado, da autoria de Marsilio Cassotti, dá-nos uma D. Teresa que diferente daquela que nos foi dada a conhecer (ou melhor, não foi pura e simplesmente dada a conhecer, já que D. Teresa representou sempre o papel da vilã que surge apenas para tornar mais sagrado o herói). Este livro fala-nos de uma mulher inteligente, que se soube situar politicamente no seu tempo, e que soube jogar o jogo religioso de forma sábia, por isso foi chamada, pelo Papa Pascoal II, em 1116, a Primeira Rainha de Portugal. E percebe-se que o génio político de D. Afonso Henriques tem próximas e fundas as suas raízes.
Uma das minhas leituras actuais é do mesmo autor argentino, Infantas de Portugal Rainhas em Espanha. Outro livro notável sobre a nossa notável História.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Não sabiam?



A demissão de gente da CPN do CDS-PP pelo facto de Portas ter ocultado a demissão, há um ano atrás, de um dos seus vice-presidentes é dos factos mais bizarros que tenho visto na política ultimamente.

Das duas uma: ou nunca reuniram a CPN e não deram por falta do demissionário, ou dando por falta dele nunca quiseram saber! E depois? Zangam-se agora?

Furacão Sarah




Foi ontem que a candidata Sarah Palin discursou na convenção republicana.
Estas imagens demonstram o entusiasmo dos republicanos nesta senadora, que se notabilizou por ser presidente da Câmara de uma cidade do Alaska com tantos eleitores quantos tem Creixomil.
Com esta escolha McCain ganha fôlego ao procurar fidelizar o imenso eleitorado ultra-conservador que o critica de ser demasiado "centrista".
As palavras da senadora, utilizando os filhos para passar a mensagem do Iraque e do não ao aborto, chegam a ser assustadoras. Esta demagogia colherá simpatias?
A ver vamos...