quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Arrasar, mas nem tanto

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Belmiro de Azevedo é um extraordinário industrial. É um dos poucos homens de negócios nacionais com dimensão mundial. Com a idade vai perdendo os poucos pruridos de “opinião política” que tinha e que são (sempre) necessários a um homem de negócios. Na entrevista à Visão (notícia i) o homem arrasa Cavaco (“ditador”), Alegre (“devia ter juízo”) e Sócrates. No entanto sobre Angola … evita falar mal de José Eduardo dos Santos (“não há Democracias perfeitas”).

O poder do dinheiro ainda fala mais alto que o poder do povo. Uff…

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Foi ontem a grande apresentação do iPad da Apple de Steve Jobs.

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Sou um fã da Apple desde que os Macintosh, na universidade, me libertaram do peso dos IBM. O meu primeiro computador pessoal foi um LCII da Apple. O meu velho iPod é um dos meus principais e mais acarinhados objectos. O meu iPhone 3G é insubstituível e desempenha, para mim, o papel de “maior amigo do homem”.

 

Ao ver isto

fiquei com a convicção que o iPad é um iPhone “gigante”, mais funcional por isso ao nível da internet, e que tem um Kindle de permeio.

Parece pouco para uma das empresas mais criativas do universo. Mas pode ser que me engane…

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

e-mail’s

 

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De tempos a tempos, consoante o triste acontecimento que se dê, há um tema que tudo ocupa. Há bem pouco era a gripe A, agora é o terrível terramoto do Haiti. E tudo isto se multiplica nas conversas sociais, na internet ou fora dela, até à náusea.

Se não achei grande piada às dezenas de e-mail’s que fui recebendo quando a pandemia (que afinal não foi) se espalhava, não pude de deixar de achar absurdo a quantidade de e-mail’s que mãos amigas me foram fazendo chegar sobre “como agir em caso de terramoto”.

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Um deles começava por “Oi, sou Doug Copp. Você não me conhece mas estive dentro de 875 prédios que ruíram…” e depois dava um conjunto de conselhos úteis de que nunca mais me lembrarei. Fundamentalmente porque alguém que sobrevive a 875 prédios que ruíram ou trabalha na construção civil, no departamento de demolições, ou para onde quer que vá acontece uma catástrofe. Nesse caso o mais prático é saber onde está (ou para onde vai) o Doug Copp e sair de lá.

Fotos do Flickr, respectivamente: cntrl click to empty e e-mail

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Fina água

agualusa-jose-eduardo José Eduardo Agualusa é um óptimo escritor e um homem de causas.

O artigo que escreveu ontem no i sobre José Eduardo dos Santos e a pouca vergonha que lhe resta é um artigo de coragem. A capacidade demolidora do artigo advém-lhe da limpidez e crueza.

A ler.

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“(…) Devíamos, talvez, começar por aqui. O único motivo que poderia levar José Eduardo dos Santos a sujeitar-se ao escrutínio popular, e a todas as coisas mesquinhas e desagradáveis que, para alguém como ele, tal processo implica, incluindo discursos em comícios, banhos de multidão e entrevistas, seria conseguir o respeito da comunidade internacional. José Eduardo dos Santos está um pouco na situação do escritor brasileiro Paulo Coelho, o qual depois de conquistar milhões de leitores, depois de enriquecer, ambiciona agora ser levado a sério como escritor. Quer o respeito dos críticos.
A diferença é que José Eduardo dos Santos, não tendo o respeito da comunidade internacional, começa a beneficiar do temor desta - o que para um político pode ser algo bastante semelhante (…)”

Gorongosa

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Mário Crespo é um extraordinário jornalista. Não lhe basta a coragem para dizer o que diz e escrever o que escreve, mas dá sempre um toque ao que faz.386-travel map_10_09_07_thumbnail

Acabei de ver uma entrevista a Greg Carr que há meia dúzia de anos tem tentado recuperar o Parque da Gorongosa, em Moçambique, que antes da guerra era o Parque Natural com mais animais no mundo e se degradou rapidamente. O processo de recuperação tem tido, diga-se, um assinalável sucesso (ver página).

Gorongosa National ParkA maneira como Mário Crespo conduziu a entrevista – num inglês impecável refira-se – foi propositadamente parcial. Mostrou-nos o projecto, o homem, e ao mesmo tempo torceu pelo que está a ser feito e por aquilo que desejavelmente será o Parque dentro de uns anos. Opinativo, ao estilo do 60 minutes que ele “apresenta” também na SIC Notícias.

Um mimo de entrevista. Um Mário Crespo - apesar dos maneirismos, ou também por eles – único. Um senhor.

Esperemos que ninguém o deite abaixo; pois vontade não faltará.

Um vídeo promocional no YouTube:

domingo, 24 de janeiro de 2010

Hospício

 

Tema Sylvia dos The Antlers.

 

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Michael Lerner, Peter Silberman (o craque!) e Darcy Cicci.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Sorolla

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O pintor valenciano Joaquín Sorolla (1863-1923) é o pintor  da luz.

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O pintor da praia e do mar.

links: 1 e 2.

Se conduzir … não ouça

As autoridades políticas mexicanas estão a trabalhar no sentido de impedir a produção e difusão de música que canta as venturas e desventuras dos traficantes de droga mexicanos: os narcocorridos.

Proibir o narcocorrido atenta com “a liberdade de expressão” dizem outros. Enfim, veremos o que o futuro reservará a exemplares como este:

A bela …

O Chile é um país extraordinário. Não só do ponto de vista geográfico ele é único; também do ponto de vista político ele é um exemplo naquela região.

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Depois da ditadura de Pinochet (1973-1990) o país soube abraçar e dignificar a democracia. Governado há anos por coligações de centro-esquerda o país tem sabido solidificar a sua economia e a convivência sem desenterrar “fantasmas”.

A presidência de Michelle Bachellet, do PS chileno, é um exemplo. (Vi há poucos dias, em reposição, uma extraordinária entrevista de Bachellet a Soares). Agora foi eleito, com 52% de votos, o candidato mais à direita Sebástian Piñera e os jornais vão dando conta da extraordinária correcção com que o processo eleitoral e de transição presidencial têm sido conduzidos.

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Piñera, inclusivamente, moderou nos festejos, por entender injustificáveis quaisquer excessos.

… e o monstro

 

As manobras políticas de Chavez continuam no seu melhor. Há bem pouco foi a acusação feita aos EUA de tirarem partido da tragédia haitiana para ocuparem militarmente aquele país:

 

Só falta mesmo a acusação de que foram os EUA a provocar o terramoto. Já faltou mais…

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O controlo

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A polémica sobre a suspensão das Escolhas de Marcelo tem sofrido novos desenvolvimentos.

Depois de se ter percebido que a RTP pretendia acabar com o programa porque o suposto contra-peso (António Vitorino) deixaria de funcionar, parece ter agora voltado atrás face aos comentários que daquela decisão foram sendo feitos. E justificou tal decisão com a ERC. No entanto a ERC negou-o.

José Alberto Carvalho parece não ter aguentado a sua estratégia para varrer da estação pública uma figura incontornável que (qual pecado) pensa pela sua própria cabeça.

Nunca como agora a TV pública foi tão instrumentalizada. Vivemos tempos difíceis e o governo de Sócrates quer (mais do que nunca) dar a imagem de um país que não existe.

Não me incomoda nada – e já aqui o defendi – que a RTP fosse privatizada. Mas isso não seria o suficiente para garantir a independência da informação pois, como se sabe, as televisões privadas também têm que se ancorar num Estado que, por si, gasta mais de metade da riqueza produzida no país. Veja-se o exemplo da TVI e da sua progressiva domesticação.

E o Governo da nação vai-se cada vez mais assemelhando à governação de uma autarquia que, pela sua proximidade e má formação de quem a governa, tudo condiciona e manipula.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

+ Herman

Fiquei saudosista.

E o José Severino do “é mais bolos” relembrado neste vídeo pelos Contemporâneos (excelentíssimos).

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Cinema Negro

 

Por sugestão do Joaquim (no post anterior) aqui deixo as coordenadas para um festival de Cinema curiosíssimo: o Noir City Film Festival, em San Francisco, Califórnia, um pouco mais a Oeste (1000Km) do Festival de Sundance (Park City, Utah).

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O programa é fantástico. Filmes dos anos 40 e 50 como Human Desire do Fritz Lang, Um lugar ao sol de George Stevens (negro?), ou o negríssimo O Carteiro Toca sempre duas vezes na versão original de Tay Garnett com John Garfield e Lana Turner (em português a tradução assumiu o título de O Destino bate à porta).

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Um festival que desconhecia e me parece interessante e diferente, e que tem este fantástico vídeo de apresentação (uma nova versão do Carteiro?):

Eu ia, só não tenho transporte.

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A novidade

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O Sundance Film Festival deve ser o certame mais puro, interessante e profícuo no panorama do cinema mundial dos últimos 30 anos.

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Fundado por iniciativa de Robert Redford (o Sundance KId, daí o nome) o festival tem lançado os nomes mais interessantes do cinema americano independente. Jarmush, os irmãos Cohen, ou Tarantino, “começaram” lá.

É um legado extraordinário aquele que Robert Redford deixará ao cinema. Já não bastava a sua competência enquanto actor…

Ver artigo i.

De 21 a 31 de Janeiro.

Família agradável

O jornalista e sociólogo Francesco Alberoni, autor do célebre “Enamoramento e Amor”, publica no i crónicas muito interessantes.

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A última foi sobre a cómoda família italiana como razão para os machos mais novos só saírem de casa dos pais aos 35 anos. Fenómeno que vai acontecendo em Portugal por razões económicas, além das sentimentais é claro. Em Itália deverá acontecer o mesmo, apesar do romantismo de Alberoni:

“O Instituto Italiano de Estatística confirmou aquilo que já sabíamos, ou seja, em cerca de 70% dos casos, os jovens italianos do sexo masculino ficam em casa dos pais até terem 35 anos ou mais. Porquê? A causa mais importante e que costuma ser ignorada é as casas italianas serem bonitas, bem decoradas e confortáveis. Ainda se come em mesas com toalhas, pratos, copos e talheres, e come--se bem, devido ao nosso talento culinário. Em Inglaterra e nos Estados Unidos, as casas costumam ser decadentes, sujas e ter uma decoração de péssimo gosto, não há cultura culinária e não se come à mesa. Quem chega abre o frigorífico e engole a primeira coisa fria que encontra (…)”

Artigo completo

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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Na varanda

Neste último Natal ganhou dimensão (apesar de patética) a luta de varandas entre o Menino Jesus e o Pai Natal. Uma ideia que veio de Espanha e que pretendeu “expulsar” o Pai Natal que se vinha pendurando de forma acrobática nas varandas portuguesas há já alguns anos.

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Tudo isto fez lembrar um dos mais brilhantes momentos de humor na nossa televisão (Pai Natal ou Menino Jesus? O Juiz Decide), que já lembrei aqui há mais de uma ano e que é sempre bom recordar.

Um momento de TV genial de um Herman irrepetível, com José Pedro Gomes e Miguel Guilherme.

Um assombro.

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Não esperava gostar tanto de Avatar.

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O filme é bem feito e consegue prender durante as “longas” 3 horas de duração. Tinha medo da história  “Pochaontas”  e do exagero na superprodução. Mas erradamente. Ainda bem que me enganei.

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Estreei-me nas salas do Espaço Guimarães: um luxozinho impecável.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Atitudes

 

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Obama socorreu-se de Clinton e George W.Bush, ex-presidentes dos EUA, para o trabalho de ajuda ao Haiti. Um gesto impecável!

Os EUA, em particular os seus Presidentes, habituaram-nos a ter uma postura que tende a preservar, em primeiro lugar, o Estado do qual todos são tributários; e que percebem que uma eventual falha de credibilidade do Estado também os afecta.

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Em Portugal o Presidente Cavaco Silva vai condecorar, na próxima terça-feira, Santana Lopes com a Grã Cruz da Torre e Espada.

Santana, apesar do gesto hipócrita do Presidente da República (quanto hipocrisia meu Deus!), era o único Primeiro Ministro que ainda não havia recebido essa condecoração.

O que se passará não será surpresa. Teremos certamente oportunidade de ver e ler a crítica feroz dos iluminados que, pertencendo ao sistema político, acharão indigno este gesto. E isso é que é preocupante. Já que a população é populaça, vai com a corrente….

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Desporto

 

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Gattuso na vitória sobre a Juve (Lapresse)

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Laker’s girls (ansa).

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O regresso de Schumacher (ap).

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Em Buenos Aires: o Dakar argentino.

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Depois do sucesso de Chicago Rob Marshall voltou aos musicais com o filme Nine. Baseado numa peça da Brodway de 1982 este filme centra-se na personagem de um realizador em crise de criatividade (o Guido que é Fellini … o Guido é o Guido Anselmi interpretado por Mastroianni no 8 e 1/2 de 1963, um filme feito dos medos e dos sonhos de Fellini).

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O filme é fundamentalmente lúdico.

Ficámos metade do tempo todo a pensar o que é que o Daniel Day-Lewis está ali a fazer e a outra metade a tentar estabelecer as conexões entre as actrizes de agora e as actrizes de Fellini, entre as histórias do filme e histórias do realizador italiano. Dissipa o aborrecimento.

As actrizes/mulheres estão belíssimas. Vá lá…

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Está tudo dito

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Há fotografias que dizem tudo. Não deixam sequer espaço para a imaginação: esta é uma delas (foto da AP).

A guarda de honra à selecção do Togo, um dia (?) após o ataque sofrido, no decurso da CAN em Cabinda.

Mrs Robinson

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Iris Robinson e a sua infidelidade ao primeiro-ministro da Irlanda do Norte tem constituído uma das notícias mais sumarentas da actualidade.

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Não é só a tentação pelo frugal que lhe tem dado relevo. A conexão ao filme de Mike Nichols The Graduate é uma delas. A música de Garfunkel, outra. Tudo encaixa na cinéfila relação de uma mulher mais velha com um neófito.

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Mas isso não garantiria a “crucificação” mediática a esta influente mulher, protestante e pró-britânica, na vida política irlandesa.

As influências políticas que foram movidas pela deputada para favorecer o amante levam o caso para outro domínio. O seu conhecido puritanismo e a sua conhecida oposição aos homossexuais está a fazer o resto (a vingança serve-se fria).

No caso Clinton Mrs Robinson criticou Hillary, lembram alguns jornais.

Agora, a declaração do marido, o PM Peter Robinson, dizendo que a mulher se tentou matar é a cereja em cima do bolo. O PM irlandês não fez mais do que antecipar-se a uma reportagem da BBC. E fê-lo em grande puxando a “faca e o alguidar” …. a ver se escapa.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Desgraça

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As terríveis proporções do desastre natural no Haiti vão sendo conhecidas, a conta gotas, e os cenários são sempre mais negros do que o que se suponha.

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Já não bastava a miséria do dia-a-dia haitiano e agora este desastre bíblico causado pelo terramoto…

Apesar da pronta e expedita ajuda do Ocidente os próximos dias mostrarão a verdade face da catástrofe, num país que ficou de um dia para outro sem hospitais ou organizações minimamente preparadas no terreno.

Os brasileiros têm uma expressão curiosa a propósito dos azares dos mais fracos: pão de pobre quando cai, cai sempre com a manteiga para baixo.

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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Insuportável

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Ouvi há pouco, na TSF, declarações de Pinto da Costa (ver notícia ) … e dei por mim a pensar que só um país como o nosso e um fenómeno alienígeno como é o futebol é que é capaz de criar e sustentar este tipo de criaturas.

Não suporto o homem, a sua arrogância e fanfarronice. Neste momento, com a equipa a jogar mal como está bom de ver (infelizmente só melhorou em Guimarães), inventa os cenários que lhe interessam e cria o clima de guerra em que se sente confortável.

O homem tem mérito, ninguém duvida. Agora que passou o prazo de validade há mais de uma década, lá isso passou. Só nós aqui para o aturar…

Foto: A Bola

Serenidade

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Eric Rohmer foi para mim, dentro dos realizadores da nouvelle vague, aquele que me deu um retrato mais fiel da geração de 60.

Era mais confiável que Godard, mais sereno que Truffaut.

Revi há pouco A minha noite em casa de Maude e gostei daquele mundo novo (estávamos em 69!) e das personagens cultas e convictas que Rohmer semeou. Neste e noutros filmes.

domingo, 10 de janeiro de 2010

O monstro

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Marques Mendes escreveu no Sol um notável artigo. Uma opinião desassombrada, sustentada e clara em que o ex-líder do PSD questiona, entre outras coisas, o papel e o peso do Estado.

Não é possível sustentar a actual situação, ou fingir não perceber que mais de metade da riqueza produzida em Portugal é consumido pelo Estado e pela sua máquina.

Não partilho da opinião do Estado mínimo; advogo que a saúde, a educação ou os recursos naturais (como a água) devam estar maioritariamente no serviço público.

Agora, como aponta Mendes, é absolutamente insustentável que o Estado continue a sustentar uma RTP (360 milhões de € por ano), os transportes (cujo endividamento representa 8,6% do PIB nacional), ou as participações em empresas com golden shares ou outros estratagemas.

O peso do Estado é inercial mas não é, de forma alguma, ingénuo. Tem propósitos eleitoralistas e de controlo.

Controlar a comunicação social é, quase sempre, uma tentação irresistível por parte do poder. Este governo é, parece-me, o mais perfeito protótipo dessa sanha.

Engordar a administração pública e controlar as empresas participadas pelo Estado é outra das tentações, que permite distribuir e pagar favores à malta do partido e àquela que não o sendo se dispõe, ocasionalmente, a louvá-lo. E constitui nos dias de hoje um descaramento inadmissível num país de desempregados e com uma geração perdida (conforme notícia do Público de hoje).

A atribuição de subsídios por parte do Estado é hoje a mais vergonhosa manipulação que governo e autarquias fazem da miséria alheia. Não há cabaz ou rendimento mínimo que não conte com a “mão amiga” que vai condicionar e exigir retribuição. O pior é que o povo consente, habitua-se a viver da “mama” do Estado e torna-se dependente, indolente e totalmente manipulável.

O dinheiro dos impostos em Portugal não serve hoje para equilibrar Portugal e prosseguir objectivos de futuro e com futuro mas, fundamentalmente, para servir interesses de grupos instalados.

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MARITIMO VS V.GUIMARAES

O Vitória ganhou ontem (e muito justamente) ao Marítimo. O Vitória foi a equipa que melhor soube estar num campo impossível para a prática do futebol.

Há algo que me espanta num desporto que movimenta tanto dinheiro: porque é que a maior parte dos nossos relvados fica impraticável com o mau tempo.

Ao ver os jogos noutros países com Invernos bem mais rigorosos – Inglaterra ou Itália – não se encontra a miséria que nos nossos campos existe.

Há que estabelecer regras neste domínio. Quem paga para ver a bola (no estádio ou na televisão) merece maior respeito!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Moreno

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Recentes notícias dão conta da possível saída de Moreno do Vitória.

Quando um jogador de Guimarães, formado em Guimarães, e um vitoriano sofrido e assumido, sai é uma pena. Ainda por cima um jogador cheio de qualidades, que só não foi mais longe, parece-me, por não saber controlar a sua emotividade.

Lembro-me do ano de descida e das primeiras jornadas na Vitalis e da instabilidade de Moreno. É como se um de nós, daqueles que sofrem nas bancadas, estivesse a jogar. Sem calma, sem racionalidade … metia dó a sua desorientação em campo e a nossa desorientação nas bancadas. A sua expulsão na Póvoa, nas primeiras jornadas, foi um límpido reflexo da emotividade e vitorianismo que, tantas vezes, lhe atrapalharam a “carreira”.

À parte disso é um excelente jogador que, diga-se, a generalidade dos sócios do Vitória nunca mereceu. Moreno foi quase sempre, tirando os últimos tempos, uma vítima da acefalia (disfarçada de paixão) que tanto me incomoda naquele estádio.

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Ataque de pânico

 

A Web 2.0 mudou radicalmente a forma e o alcance da internet.

Rapidamente se passou de uma web muito centrada nos dominadores de linguagem de programação para o utilizador comum e a sua disponibilidade para se mostrar e colaborar com uma vasta rede de utilizadores.

A Google foi uma das principais, senão a principal empresa, desta nova rede global. As redes sociais, o Youtube, ou os blogues são as mais fantásticas criações colectivas da Web 2.0 (já madura, mas ainda longe de se esgotar).

Um dos mais recentes e extraordinários exemplos é o vídeo no YouTube do uruguaio Fede Álvarez (Ataque de Pánico!). Os 300 dólares que gastou no filme …

…  valeram-lhe um passaporte dourado para Hollywood. Como poderá consultar noutra ferramenta da Web 2.0: a Wikipédia.

A bicada da pomba

barack-obamaA tentativa de atentado no dia de Natal pôs à prova a Administração americana em relação à sua política de combate ao terrorismo.

Hillary Clinton já veio avisar que os EUA estão atentos à influência da Al Qaeda naquele país e não ficarão parados. Obama reafirmou a determinação da sua secretária de estado.

Pessoalmente tranquiliza-me (se bem que nunca tivera dúvidas) a determinação americana de “chamar os bois pelo nome” e agir em conformidade; fico é curioso por perceber as reacções daqueles que sempre culparam os falcões republicanos pela tensão política no mundo.

Provavelmente aqueles que desancariam na Administração se Obama fosse Bush, não o farão desta vez…

Obama pode ser uma pomba, mas não é anjinho. Não o pode ser.