quinta-feira, 29 de maio de 2008

Pensamento do dia

"Quando cheguei a casa à noite, a minha mulher insistiu que a levasse a sair, a um sítio bem caro... Levei-a a uma bomba de gasolina!"


Já cá se sabe que isto dos combustiveis é como é, que aqui em Angola o gasoleo está a 29 Kwanzas (que com o actual câmbio são menos de 25 centimos aí) desde que aqui cheguei em Agosto de 2006 e que desde que aqui cheguei o gasóleo passou dos cerca de 90 centimos para os actuais 1,40 e tal (até tenho medo de tentar por o valor correcto pois agora as subidas são quase diárias...) e que aqui há petróleo e aí não e coisa tal mas, caramba, há coisas que não percebo.

Quando uma gasolineira sobe, as outras sobem também. E sobem porque o petróleo está a subir hoje. Mas sempre ouvi dizer que compram o petróleo a meio ano, logo tal valor só se deveria reflectir no preço final em Novembro e não já. Mais ainda, não percebo como é que se pode subir o preço todos os dias, como aconteceu recentemente na Repsol. Ou, pelo contrário, anunciar que vai subir e depois porque a reacção foi negativa, anunciou-se que foi um lapso que se tornou realidade uns dias depois. E como é que os hipermercados conseguem vender o combustivel muito mais barato (por vezes, diferenças na ordem dos 10 cêntimos), estarão a perder dinheiro?

O que eu sei é que os automobilistas são os super-contribuintes. Logo no momento da compra do carro, dois impostos: IA e IVA em cima ainda do IA! Depois, portagens em pontes e autoestradas. Estacionamento na cidade, pago. Selo automóvel anual. Combustiveis com impostos na casa dos 60%. E os automobilistas são quase todas as familias portuguesas, que têm carro. E se alguns há que é por puro comodismo ou luxo, a maior parte é apenas porque os transportes públicos alternativos não nos valem. Exemplos: a minha namorada mora numa freguesia fronteira de Guimarães com Braga; trabalha no centro de Braga; se quiser ir de comboio ou metro de superficie, não há; se for de autocarro, tem de apanhar um para Guimarães, outro para Braga e outro dentro de Braga para chegar à rotunda do Santos da Cunha. Ou vai de carro ou monta uma tenda no meio da rotunda! Quantos exemplos mais querem? Eu morava no centro de Guimarães e trabalhava numa obra na saída de Vizela para a VIM; a estação da CP era próxima, mas os horários impracticáveis (eu entrava às 9h00, o comboio chegava lá às 7h50, eu saía às 18h00, o comboio passava às 19h20) e de autocarro demorava cerca de 1 hora a chegar lá, 11 km... Há alternativas? Desconheço, mas como estes dois pequenos exemplos, há montes deles assim que implicam que o cidadão, as familias, tenham de se deslocar de automovel.

Não falando da questão das empresas, que com um peso enorme de impostos em cima em comparação com as concorrentes no mercado espanhol, que nos está mais próximo, não têm qualquer hipotese de internacionalização e ainda conseguem ver o seu mercado interno a ser pulverizado por empresas espanholas.

Portugal, assim, não tem futuro. Ou quem sabe, um qualquer capitão do exercito um destes dias fica parado no quartel por falta de verbas para comprar combustivel e não resolve organizar outro 25-A como naquele longinquo ano em que uns descontentes de salários deitaram abaixo uma ditadura obsoleta... como esta democracia em que agora vivemos!

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Brand-New-Life



Dispensavam-se as palmas, mas enfim...
Serão sempre únicos.

Young Marble Giants



Já lá vão quase trinta anos que os Young Marble Giants editaram o álbum perfeito - Colossal Youth - que encheu a minha juventude e ainda hoje ouço com prazer e devoção.
Em Portugal só pudemos ver os Gist, em 1982, em Vilar de Mouros, que mataram um pouco a saudade da grande banda de Cardiff cuja sonoridade a todos surpreendeu e que ainda hoje, apesar das cópias, é das sonoridades
mais próprias e originais.
Irei vê-los na sexta à Casa da Música tão nervoso e ansioso como se fosse ver um espectáculo de alguém que me é particularmente querido.
Até lá...

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Por razões óbvias (II)



Por razões (quase) óbvias, se eu votasse nas eleições do PSD, votaria Pedro Passos Coelho.

Porque é jovem, mas não imaturo. Porque sabe fazer política, mas não é politiqueiro nem está associado aos (des)governos dos últimos 34 anos. Porque tem uma imagem e uma voz que preenchem a TV, uma ideia de país e um pensamento liberal, como o meu.

Não havendo PPC, optaria por Manuela Ferreira Leite, a menos má das restantes opções. Tem imagem de credibilidade, mas não me é lá muito credível (ajudou ao défice e a apertarmos o cinto, criadora dos pagamentos por conta de IRC). Tem pensamento demasiado economicista para o meu gosto - a preocupação fundamental são as pessoas, não é o Estado. Já lá esteve antes...

Em todo o caso, não voto porque me demiti do partido, porque ele era pequeno demais para mim e para os dois presidentes das principais estruturas: Luis Filipe Menezes e Pedro Rodrigues, o 1º um populista e o 2º um... nem sei como o adjectivar!

Sendo liberal, centro-direita, sempre votarei em paridos, programas e pessoas que me convençam que irão actuar dentro destes parametros, o que tem sido através do PSD que tem desde sempre acontecido. Das vezes que não votei no PSD (por exemplo, nas legislativas do Santana Lopes) votei em branco. Espero não ter de me abster ou votar em branco nas próximas legislativas. E espero poder votar no Pedro Passos Coelho...

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Praxe


A condenação dos membros da comissão da praxe de uma escola superior de Santarém é um momento importante e que se quer, sobretudo, pedagógico.

A praxe, desde que com ela convivi em Coimbra, é, na maior parte dos casos, um hábito inútil e estúpido. Quando é praticada, como parece ter sido neste caso, com requintes de malvadez, é reveledadora de uma baixeza de carácter extrema.

Espero, sinceramente, que esta sentença sirva de exemplo a quem não sabe viver em comunidade e liberte, definitivamente, quem se sente humilhado a defender, justamente, a sua dignidade.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Por razões óbvias


As eleições que se vão realizar no PSD no próximo dia 31 de Maio serão fundamentais para o meu partido e, ao mesmo tempo, muito importantes para o futuro do nosso país. Estas eleições representam uma oportunidade decisiva para que o PSD se reencontre novamente com o povo português.
A trincheira que se cavou entre o PSD e os portugueses é óbvia para quem quiser ver. Fundada na surpreendente opção de Barroso em 2004, ela cava-se de forma absolutamente clara com Santana Lopes enquanto primeiro-ministro e reaviva-se no espectáculo vazio de pirotecnia política que foi uma marca indissociável do actual presidente do PSD e que muitos como eu adivinhavam e disseram-no antes das últimas directas.
O partido precisa por isso, urgentemente, de reganhar a credibilidade perdida. É essa a tarefa das tarefas. A credibilidade, a seriedade, a competência são (devem ser!) os pilares de um partido e do seu projecto. Se se ganham eleições sem esses pilares, rapidamente a máscara cai e o país sofre com o aventureirismo e tudo se desmorona que nem um baralho de cartas. Mas se, por outro lado, o PSD construir o seu projecto com base na credibilidade, na seriedade e na competência temos um projecto de futuro e com futuro. E é disso que o país precisa.
Um partido em que as pessoas não acreditem não tem futuro. Poderá haver quem discorde das suas ideias – e isso é normal – mas o fundamental é que um partido político central como o PSD seja levado a sério, como não o tem sido nos últimos tempos.
Com estes pressupostos apoio sem qualquer reserva ou hesitação a Drª. Manuela Ferreira Leite. É o óbvio e único caminho para que o PSD reconquiste a credibilidade e a seriedade perdidas. A sondagem publicada pelo Correio da Manhã mostra que para os portugueses a candidata que apoio é, de longe, a preferida (64,1% para Ferreira Leite face aos 20% de Santana e os 6% de Coelho). Assim o entendam também os militantes do PSD já que não existe grande dúvida nos portugueses. E, já agora, que alguns dos militantes do PSD se deixem do espectáculo miserável que têm dado ao atacar de forma despudorada a candidata melhor colocada para consolidar o PSD e para dar uma alternativa credível aos portugueses, que dela tanto precisamos.
Não alinho no tacitismo interno que externamente nos desacredita e abstenho-me obviamente de mais comentários sobre a campanha interna.
Continuo, isso sim, a acreditar que os princípios fundamentais que fundaram este partido há 34 anos e que Ferreira Leite assume, como verdadeira social-democrata que é, são actuais e necessários, nomeadamente a afirmação do predomínio do interesse público sobre o interesse privado e a defesa da igualdade de oportunidades para os cidadãos deste país.
O resto é o nada com que se enchem noticiários e as tricas que nos desacreditam a todos.

Cavaco e o bloco jovem



Não me pareceu aceitável que os serviços da presidência da República tenham deixado de fora, por questões meramente formais, a juventude do Bloco de Esquerda aquando da reunião do presidente Cavaco Silva com vários representantes de entidades ligadas à juventude. Não foi bonito. Agora o que me pareceu ainda mais lamentável é que nenhum daqueles jovens tenha tido a irreverência de o dizer.