quinta-feira, 14 de abril de 2011

A grande economia

A China continua a ser uma ditadura implacável.

A recente prisão de Ai Weiwei é mais um dado para se imaginar o que acontecerá naquele país àqueles que não têm a exposição pública deste reconhecido artista.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Sob custódia

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Foto_gettyimages

Se há coisa que a idade normalmente dá, além de algumas maleitas, é a calma.

Assim é comigo no futebol também. Apesar de tudo a doença Vitória dói sempre – e esta época é nesse particular desgraçada - quanto mais não seja por reparar na tristeza dos mais novos. Ainda por cima contra o rival Braga.

Tenho muitos amigos em Braga mas futebolisticamente falando quero sempre que o Braga perca. Então quando é contra o Vitória esse desejo é brutal.

Só em Portugal é que há a hipocrisia de se dizer que se quer que o rival seja forte ou ganhe a esta ou aquela equipa. Eu não. Estou em linha com a normalidade e aquilo que se passa entre o City e o United, entre o Milão e o Inter, entre o Real e o Barça.

Não esperava muito mais do jogo de ontem.

Fiquei no entanto espantado com o jogador Custódio. Desde logo porque o jogador tinha lugar de caras no nosso Vitória e, fundamentalmente, pelo facto da sua postura ontem em campo. Para um jogador nascido e formado em Guimarães acho que o seu “profissionalismo” foi indigno de quem nasceu nesta terra. A maneira como entrou aos jogadores do Vitória – particularmente a Nilson – ou a forma apalermada como festejou a vitória é algo que a minha origem vimaranense não compreende.

Exigiria muito menos de William, agora no Vitória de Setúbal, e o jogador teve uma postura decente no miserável confronto que recentemente tivemos.

Um pouco de hipocrisia, principalmente nos festejos, não lhe tinha ficado nada mal.

Já não há respeito.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Olhar em frente

portugal

Encontramo-nos, enquanto povo, na vertigem alucinante da montanha russa em que, de olhos fechados, a descida parece não ter fim. Sempre a descer com o estômago empurrando os pulmões de encontro ao cérebro, não há notícia que aplaque a vertigem. Pelo contrário. Ou é o défice que afinal é maior do que o previsto, apesar do inenarrável Ministro das Finanças nos dizer que mais este engano é “apenas” uma questão técnica. Ou os juros a apertar quando os mercados percebem que já não há confiança que valha. Ou mesmo constatar que entre 1980 e hoje o stock da dívida directa do Estado aumentou 50 vezes! Ou seja este país transformou-se efectivamente numa montanha russa. Até agora a subir: era necessário crédito dava-se crédito, eram necessárias estradas davam-se de borla, era necessário um pavilhão para meia-dúzia de habitantes e lá se construía o mamarracho para garantir uns quantos votos, sempre sempre a subir até à queda que hoje nos tira o fôlego.

Para piorar só faltava mesmo a actual crise política e a alucinada desfaçatez de Sócrates.

 

Convém, mais do que nunca, inspirar fundo e não ficarmos paralisados pelo medo.

Somos um país antigo cuja história nos deve encher de orgulho. Resistimos ao longo destes 900 anos aos diferentes invasores e soubemos sair deste rectângulo fazendo o mundo avançar. Não precisamos de outros, precisamos de nós.

Precisamos de uma nova cultura de responsabilidade e de exigência e não dos deslumbramentos de ocasião a que a nossa alma é tão (irresponsavelmente) sensível.

Precisamos sobretudo de penalizar de forma exemplar a pouca-vergonha. Dão-se dois exemplos:

 

O défice de 2010 que era para ficar nuns miseráveis 7,3% vai quedar-se, ao que hoje se sabe, pelos 8,6%. A responsabilidade pelo alargamento do buraco é dos bancos (BPN e BPP) e do sector público de transportes (fundamentalmente de Lisboa), estes últimos “contribuíram” com mais 800 milhões de € para o buraco. Ora nós aqui de Guimarães somos, ano após ano, solidariamente responsáveis com este disparate, apesar dos nossos transportes serem privados. E não digo que não o tenhamos que ser. O que não é suportável é ver as greves que se multiplicaram nas últimas semanas e a loucura de chefias que grassa nesses “serviços públicos”. Marques Mendes, no seu recente livro, refere que a CP tem uma quantidade de chefias tão grande, que há um chefe por cada 16 trabalhadores da empresa. Ora isto não é, como é fácil de ver, sustentável.

Por falar em chefes … o diário i trouxe a passada semana uma história típica daquilo que de pior o país tem. Dizia o jornal que um tal Marcos Baptista acedeu à administração de mais uma empresa pública, os CTT, pela mão de um ex-sócio seu o actual Secretário de Estado Paulo Campos. Já seria mau a promiscuidade dos compinchas, mas a coisa pode sempre piorar … e piorou. O despacho de nomeação publicada no Diário da República referiu que o dito senhor era licenciado pelo ISEG. Pelos vistos não era e ganhou em 2009, segundo o jornal, 257 mil €. Mas o melhor é que quando confrontado com o facto de ter produzido falsas declarações sobre as suas habilitações o tal senhor respondeu, e passo a citar, “(…) sempre estive convencido que o meu percurso académico com oito anos de frequência universitária e elevado número de cadeiras concluídas corresponde a um curso superior (…)”.

Alguns, nos quais eu me incluo, têm às vezes pesadelos ao sonhar que alguém nos veio dizer (em sonhos) que afinal não acabámos o curso. É comum isso acontecer. Agora há outros que, pelo contrário, acabaram o curso em sonhos. Enfim, os exemplos vêm de cima.

No entanto o país continua e tem que continuar. Há muito mar ainda e um futuro que importa responsavelmente construir.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Obama 2012

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Foto_Olivier Douliery, McClatchy-Tribune

 

O anúncio candidatura de Obama à presidência dos EUA em 2012 era mais do que esperada. E aconteceu.

A eleição de Obama em 2008 envolveu o país numa aura de esperança. Obama herdou um país a braços com uma grave crise financeira – da qual está claramente a sair agora – e foi duramente atacado ao longo destes anos pois foi-lhe exigido o pagamento da factura de milagreiro (que, diga-se, ele cultivou durante a campanha).

No entanto o mundo está claramente melhor ao nível das relações internacionais.

Apesar do “jogo” estar (ainda) no início, será que qualquer outra administração americana conseguiria gerir tão bem os graves e importantes conflitos no mundo árabe? Não me parece e o mundo está menos tenso por isso.

O mérito é também da Secretária de Estado Hillary que Obama tão bem escolheu.

O país do futebol

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Infelizmente o país do futebol não anda muito longe do país do dia-a-dia. Em ambos se dá destaque a uma gente que mais não faz do que insultar o parceiro para desculpar os seus erros e falhas.

Vi o Benfica-Porto e, sinceramente, até achei piada ao mau perder do Benfica. Eu também detestaria ver o Braga a comemorar em Guimarães o que quer que fosse, nem que fosse a passagem aos dezasseis-avos de final da Taça  da Bugalha.

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No entanto quem ouvir os comentadores desportivos (uma classe em que quanto mais rasca for o comentador, mais adeptos terá) parece que aconteceu uma desgraça. A hipocrisia é grátis.

E eu, enquanto contribuinte e português estou absolutamente fulo com os meios que o Estado português usou para controlar uns milhares de anormais acicatados, diariamente, por meia-dúzia de comentadores e dirigentes.

Um amigo meu que foi à Luz contou-me que na vinda para norte encontrou todos os viadutos – repito todos – policiados até muito próximo do Porto. Bem como todas as estações de serviço fortemente policiadas.

Apagaram a luz. E depois?

Quem paga todos os meios policiais para controlar a arruaça e porque é que se paga é que ninguém pergunta … e é isto que interessa questionar.

Fotos_Lusa e Bola