quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Os duques

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Estes dois senhores são os dois pontas de lanças do Vitória de Guimarães (Roberto e Douglas).

 

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Problema: não marcam golos.

 

Estas duas senhoras são duas mediáticas magistradas que enchem a boca com o combate à corrupção.

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Maria Jose Morgado e Saldanha Sanches para uma entrevista para a publica .

Lisboa , 30 de Setembro de 2008 .

©Enric Vives-Rubio Pedro Cunha

 

 

 

 

Problema: não se conhecem, na prática, os resultados das suas magníficas “ideias”.

Mesmo assim gosto mais dos primeiros…

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Músicas que não consigo deixar de ouvir … (#2)

VCR dos XX.

Este álbum de estreia da banda de uns miúdos dos arredores de Londres vai ser, estou em crer, um dos álbuns marcantes da década.

 

Distraí-me por uns dias, poucos diga-se, e já não consegui bilhetes para o concerto na Casa da Música (a 26 de Maio) ou mesmo em Lisboa, na Aula Magna, a 25 de Maio.

Uma pena.

Previsivelmente irracional - I

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Dan Ariely é um investigador israelita na área do comportamento, pertencente aos quadros do MIT (Massachusetts Institute of Technology), prestigiada Universidade norte-americana situada na cidade de Boston. Este cientista desenvolveu recentemente uma curiosa teoria que, basicamente, diz que o homem apesar de ser um ser (inquestionavelmente) racional adopta frequentemente, e de forma absolutamente previsível, comportamentos francamente irracionais desde que tenha o engodo certo.

E a política nacional é, sem dúvida nenhuma, um fértil campo de exemplos para estes comportamentos.

Vejamos então os últimos desenvolvimentos da Face Oculta (cada vez mais escancarada!) na perna do polvo que tem a ver com o controlo da comunicação social.

O que é que se percebe das escutas? Basicamente que um conjunto de homens da confiança do Primeiro-Ministro (PM) se envolveram em manobras para calar jornalistas e meios de comunicação não alinhados ao Governo, envolvendo para isso meios do Estado.

O que é que se esperaria do PM? Provavelmente que o PM dissesse que aqueles senhores que assim falaram agiram mal, descarada e abusivamente, e que continuaria a governar o País de acordo com a vontade expressa nas urnas. Ou então, por outro lado, se fosse o caso, reconheceu que agiu mal e que por isso se demitia. Em qualquer dos casos a atitude tomada seria racional, consequente e responsável.

O que é que aconteceu? O PM veio dizer que a revelação das escutas é ilegal e por isso nada comenta e que tudo não passa de “mais uma” calúnia. Disse que o conteúdo das escutas era falso? Não, não disse. Reduziu o caso, uma vez mais, a uma perseguição pessoal.

O que se esperaria dos altos magistrados da nação? Que dissessem que as escutas eram falsas e os autores de tal falsidade iriam ser processados. Ou então, que o Procurador-Geral da República (PGR) cumprisse uma “vontade” que deixou há uns tempos ao semanário Expresso e divulgasse publicamente as escutas e os seus despachos. Isso seria racional e transparente e permitir-nos-ia aferir da bondade das suas decisões.

O que fez o PGR? Disse que não encontrou nas escutas nenhum “atentado ao Estado de Direito”, que as escutas sem outros meios de prova não são suficientes e que discordava das conclusões que o juiz de Aveiro e o delegado do Ministério Público escreveram. E um caso de tanta gravidade não implicaria que todos nós conhecêssemos as razões dessa discordância? De forma racional e transparente?

Previsivelmente irracional - II

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Acreditando, como eu acredito, racionalmente, que os políticos como as pessoas não são todos iguais - e ainda bem que não o são – vejamos também o que o PSD nos oferece neste seu processo de escolha de novo rumo e nova liderança.

Marcelo Rebelo de Sousa olhando para a situação do país “esticou a corda” afirmando que estaria disponível para ser líder se o partido o visse como uma solução de consenso e todos os grupos e grupelhos se unissem, ou pelo menos se calassem, em torno de um objectivo maior: o País. Não foi escutado. Foi demasiadamente racional. Exigiu talvez o impossivelmente racional e perante a irracional apatia quase geral, disse adeus.

No terreno perfilam-se então três fortes e credíveis candidaturas que apontam caminhos distintos: Pedro Passos Coelho para “mudar”, Aguiar Branco para “unir” e Paulo Rangel para “romper”.

E o país afinal necessita de quê? Necessita de uma correcção de rumo? Necessita de uma união que pressupõe sempre uma “quadratura do círculo”? Ou precisa de ruptura pura e simples?

Cada um, militante do PSD ou não, fará o seu juízo. Por mim só há um caminho: o da ruptura. E uma ruptura com um homem – Rangel – que tem a capacidade pessoal e a convicção para o fazer; e que veio trazer à política uma visão fresca e nova de quem chega ao serviço público com carreira feita.

A ver vamos se o PSD consegue, como já o fez no passado, ser imprevisivelmente racional.

Eu acredito nessa possibilidade.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Life on Mars

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Não há esperança possível. Sócrates vive num Portugal e eu, como muitos outros, noutro Portugal.

No Portugal de Sócrates há espantosas coincidências. No meu há desconfiança.

O Portugal de Sócrates é um dos melhores países a resistir à crise enquanto eu, por todo o lado, só vejo desemprego, ineficácia governativa e falta de futuro.

A entrevista de ontem a Miguel Sousa Tavares deu a ideia de um homem que descreveu a vida de um outro Portugal … em Marte:

David (sempre) Bowie.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Que se passa?

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Stephen Frears é um realizador britânico competente, por vezes brilhante, que me leva a acompanhar a sua carreira com uma atenta regularidade.

High Fidelity, O puto, A carinha, A minha bela lavandaria, A rainha, ou Ligações Perigosas, e mesmo Herói Acidental ou Anatomia do Golpe, são bons exemplos.

Não fui ver Chéri, o seu derradeiro filme, no circuito comercial normal. Vi-o agora no cineclube.

E não se consegue acreditar que um realizador tão interessante como Frears tenha efectivamente feito aquilo. Um filme tão insonso e mal representado que até dói. As cenas de sexo conseguem ter a intensidade dos comentários do António Vitorino. Ou Frears tomou alguma coisa que lhe fez mal ou, então, assinou por baixo como os “engenheiros”.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Sensatez

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Vinicius de Moraes foi postumamente promovido a ministro de 1ª classe pela sua carreira de embaixador. Tal gesto veio repor alguma justiça pela reforma compulsiva com que a ditadura brasileira o “brindou” em 1968.

Gesto tão espúrio quanto grande … já que libertou o tempo de Vinicius de Moraes para nos dar alguns dos poemas e músicas mais bela da história da humanidade.

É justo, é sensato, mas Vinicius não necessitava deste reconhecimento. Ele que sempre foi do tamanho do mundo.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Cara de pau

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Afinal, disse Sócrates, o Governo também não sabia de nada (ver notícia). Outro encornanço, segundo as sábias palavras de Granadeiro.

E, segundo Sócrates, são os outros que mentem e que o perseguem. Ele, coitado, só quer cuidar do país.

Não há memória na Democracia portuguesa de uma cara de pau assim. Pinto Monteiro, na Visão de ontem, segue-lhe claramente as pisadas.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Poema

O filme Invictus é um poema.

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Pode não ser um “clássico Clint Eastwood”, pode até ter as falhas que lhe apontam, mas é um belo filme … de generoso e merecido tributo.

INVICTUS_full_600É o filme que dá a Morgam Freeman a oportunidade de ser e honrar Mandela e a sua (comovente história). E Freeman é perfeito! Representa com um amor e uma reverência soberbas…

Invictus é o poema de William Ernst Henley: 

Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.
In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.
Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.
It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll.
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul

invictus

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Propaganda – fase 2

0000107354 Foto: Filipe Casaca (i)

Para Sócrates o problema não é a situação real do país, mas sim a percepção que nós e os outros temos do país.

Esta notícia diz tudo.

“O governo pôs em marcha uma ofensiva ao nível da comunicação para mudar a imagem de Portugal nos mercados financeiros internacionais. A prioridade era acabar com a colagem das finanças públicas nacionais às gregas e mudar a percepção que se estava a criar de que Portugal era a nova Grécia.
(…)
Segundo uma outra fonte do governo, o executivo está mesmo a negociar um contrato com uma agência de comunicação e relações públicas internacional que já terá ajudado nas entrevistas transmitidas pela CNN e outros órgãos.”

(i, 16/02/10)

Até aqui o PM fez passar a ideia de que o país estava bem e quem não o achava era cinzento e derrotista.

A partir de agora a ideia será a dizer que o rei vai (efectivamente) nu, mas que é linda a sua nudeza…

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Não consigo deixar de ouvir… (#1)

 

Leap dos The Cave Singers, do álbum Welcome Joy de 2009.

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É um comboio a alta velocidade (mas dos comboios tradicionais) esta música. Esta banda de Seattle aproxima-se, na literatura, das Crónicas Americanas do Sam Sheppard.

A América, enfim.

O grito

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O fotógrafo freelancer Pietro Masturzo, italiano, ganhou o prémio da World Press Photo relativo a 2009.

Uma mulher grita de um telhado na capital iraniana durante os protestos. O sofrimento e a preocupação de um povo retratados de uma forma solitária.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O meu primeiro disco de Jazz

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Não me recordo exactamente quando os comprei (eram 3!). Provavelmente foi em 1981 numa discoteca (de vender discos) em frente ao turismo, em Guimarães.

A edição em vinil é uma edição da DARGIL de 1979 que ainda hoje tenho (mau grado ainda não ter encontrado a agulha para o meu gira-discos) e que se designava Charlie Parker quartet, quintet & septet.

Namorei-os durante semanas, como era típico naqueles tempos em que por amor à música se comprometiam uma (ou duas, ou mais) semanadas. Os discos faziam aumentar a minha dívida externa. Internamente. Como a tantos outros…

Entrei no jazz, à sorte, pela porta grande do bebop de Charlie Parker, com Milles Davis, Earl Coleman, Max Roach (que vi há poucos meses atrás), Gillespie, Red Norvo, Errol Garner e tantos outros gigantes.

Comprei há uns dois anos na FNAC as mesmas sessões (com os takes eliminados) sob o título de Complete Savoy & Dial Sessions (na foto, 8CD), mas o CD mais próximo dos meus vinis será este.

Estou a ouvir novamente esses inesquecíveis e inesgotáveis temas.

E o day after?

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Será que o comportamento miserável do PM, do Vara, dos sargentos nas empresas do Estado e na comunicação social, do PGR e do presidente do STJ vão passar impunes? Com mais ou menos beliscões, mas que a “caravana” vai afinal passar?

Será que o presidente da República vai continuar a pôr a sua reeleição à frente dos interesses do país?

Será que os jornalistas que sofreram na pele a fúria do PM e dos seus boys não vão acabar por sofrer (ainda mais) lá para a frente, quando a poeira assentar?

Será que que ao procurador geral do caso Face Oculta e ao juiz de Aveiro não irá acontecer o mesmo que ao Rui Teixeira no caso Casa Pia?

Temo que sim. Temo que quem defende os princípios democráticos do Estado acabe, neste país, por ser engolido pela farsa.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O elogio da tolerância …

… e da conciliação.

A libertação de Nelson Mandela, há 20 anos, revelou-nos um homem de uma dimensão única. Um estadista defensor da paz e da concórdia. Um homem que soube pôr para trás das costas 28 anos de prisão e ignomínia.

Mais tarde abandonou a presidência da África do Sul, quando nela se poderia “perpetuar”.

Um exemplo extraordinário.

Rangel avança

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Ainda bem que Paulo Rangel avança para a liderança do PSD.

Parece-me, de longe, o menos “aparelhado” e o menos “aparelhável” dos candidatos ao PSD. E o PSD, mas acima de tudo o país, precisa de alguém que pense, em liberdade, pela sua própria cabeça.

notícia Público

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

My way no way

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O jornal i traz hoje uma reportagem (do New York Times) que dá conta da violência nas Filipinas nas casas de karaoke. Cantar mal o tema My Way dá, frequentemente, direito a pancadaria e tiros.

Ler notícia.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A solução final

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A reportagem publicada ontem pelo semanário Sol, e as notícias sobre esse mesmo trabalho jornalístico vieram mostrar o estado miserável a que chegamos.

Não tenho dúvidas sobre a má convivência do PM com a crítica e as obrigações de uma sociedade democrática. Restava-me ainda alguma ingenuidade ao pensar que o caso poderia e deveria ser analisado com imparcialidade e rigor pela Justiça portuguesa.

Nada disso. Aproximo-me (sem nada perceber de Direito) do bom senso do juiz de 1ª instância que não pôde (e não ficou) impassível perante o despudor das conversas que ouviu. O controlo por parte do Governo e seus sargentos da comunicação social é por demasiado evidente e exige a quem tem competências e responsabilidade uma tomada de posição.

As instâncias superiores portaram-se, como se percebe, miseravelmente.

Como VPV dizia num artigo recente (com o qual discordei quase totalmente) Portugal ainda não se habituou à liberdade. O que é típico, digo eu, de um povo fraco e manipulável como o nosso.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O teatro

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A vida política portuguesa teatralizou-se mais do que nunca. Não há dia que passe sem que uma nova cena – de faca e alguidar – saia da cabeça dos nossos dramaturgos e actores políticos.

O nomeado para os óscares tem sido, de longe, o Ministro das Finanças.

Ainda há poucos dias atirou-se às agências de rating e às instituições internacionais que nos têm puxado as orelhas em termos da nossa economia doméstica. Teixeira dos Santos apelou ao sentimento patrioteiro no sentido motivar a populaça, ao bom jeito republicano (agora que se comemoram os 100 anos).

Resultado: não sei se foi um não um êxito de bilheteira este número, o que percebi foi que o mercado de acções caiu a pique os dois últimos dias. E o dia de hoje parece também negro. A verdade é que os mercados não gostam de tiradas venezuelanas para o consumo doméstico de quem se deixa alegremente enganar.

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Por sua vez o Ministro, ontem, veio atirar-se à Lei das Finanças Locais como se ela fosse responsável pelo buraco que se tem cavado (com a sua inestimável ajuda, diga-se).

No entanto a oposição está a fazer um péssimo papel: o papel do figurante tonto. O seu comportamento, nesta inoportuna Lei, é estúpido e dá palco ao mais comezinho drama nacional, com novo episódio, para a audiência embasbacada…

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A festa dos óscares em 2010

 

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Não há a fartura cinematográfica de 2009, apesar dos nomeados para melhor filme serem metade dos que são hoje. Não há Milk, nem O Leitor, nem sequer Frost/Nixon. Mas há outras coisas ….

Ver lista de nomeados

Os filmes nomeados pela Academia para melhor filme foram:

O interessante Avatar

The Blind Side com Sara Bullock (trailer)

O genial Nas Nuvens que junta como nomeados os actores George Clooney, Vera Farmiga e a notável Anna Kendrick

O impecável Estado de Guerra (The hurt Locker de Kathryn Bigelow nomeda para a realização) que trás também Jeremy Renner para a ribalta.

O filme Precious de Lee Daniels que estreia para a semana e que promete imenso.

Os filmes A serious Man dos Cohen (trailer) e An Education da dinamarquesa Lone Sherfig (trailer).

Sacanas sem lei do grande Tarantino

Up, esse genial filme de animação

e District 9 que passou no Cineclube há bem pouco, e que perdi.

Helena Matos

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Uma vez mais, e com a devida vénia a uma das mais lúcidas e corajosas penas da actualidade, um excerto do artigo de opinião de Helena Matos no Público de hoje. Um mimo.

 

“O Mário Crespo é psicótico. A Manuela Moura Guedes, além de desequilibrada, é ainda várias outras coisas que invariavelmente são as mulheres quando não se comportam com o recato e a simpatia discreta que a irmandade misógina do discurso igualitário lhes exige. José António Saraiva tem um parafuso a menos. José Manuel Fernandes delira e Eduardo Cintra Torres padece de obsessões. A lista não se restringe a jornalistas. Por isso Marcelo Rebelo de Sousa também não está nada bem. Para Medina Carreira, sugere-se o internamento e Campos e Cunha em poucas horas passou de ministro a pessoa extenuada e esgotada, obviamente incapaz de acompanhar o ritmo dinâmico que o executivo se propunha imprimir ao país através da construção do TGV de que Campos e Cunha ousara discordar.

Este paradigma soviético-psiquiátrico de reacção àqueles que contrariam o Governo, e sobretudo levantam questões de fundo em relação a José Sócrates, tem-se acentuado nas últimas semanas. Numa recente entrevista ao jornal Libération, o primeiro-ministro português parecia um governante de um país da desaparecida "cortina de ferro". Estes últimos, das raras vezes que, nas visitas ao estrangeiro, eram confrontados com questões menos simpáticas, manifestavam vigorosamente as suas dúvidas acerca dos números e dos factos que davam um retrato menos positivo do sistema soviético. Mas, conhecedores da importância que os jornalistas ocidentais tinham na credibilização do seu regime, acabavam a convidá-los para irem "conhecer a realidade" daqueles países. Tal como esses pretéritos soviéticos, José Sócrates começa nesta entrevista por descredibilizar as agências de rating (anglo-saxonnes, explicava o Libération com aquela incomensurável desconfiança que os franceses têm por tudo o que seja "anglo"). E acaba a convidá-las a virem conhecer a realidade portuguesa, como se não estivéssemos em Portugal, em 2010, mas sim na Roménia dos anos 70 do século passado.

O círculo de Sócrates a que o PS parece estar reduzido leninizou-se no que respeita às técnicas de destruição dos opositores. É gente que sabe como é importante manter o povo sempre ocupado com o combate ao reaccionarismo. A carteira pode estar vazia mas nós estamos a progredir porque mudamos os comportamentos por decreto. E o decreto pode estar mal feito mas isso também não interessa porque a seguir virá outra proposta de outro decreto que igualmente vai separar os puros dos impuros. E nas polémicas nem lhes falta uma legião de compagnons de route dispostos a contar aquele detalhe que definitivamente enterra os que enfrentaram o líder. Lembram-se da velha história do escritor que divergiu do PCP e que era bom escritor, homem culto, talentoso, mas...? Aqui chegados, havia sempre alguém que deixava cair o "mas" para depois rematar dizendo que o problema era o escritor ter falado quando fora detido pela PIDE. O escritor, que de facto existiu, levou anos e anos a explicar que nunca falara na PIDE pela prosaica razão de que nunca fora detido por ela. Ironicamente, nem oscompagnons de route que inventaram a história ou a PIDE que efectivamente usou a tortura nos interrogatórios saíam mal deste caso. O escritor, esse, é que se sentia na necessidade de dar explicações. É assim que nós estamos (…)”

Agarrem-me

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O lema do PM é, neste seu segundo Governo, “agarrem-me senão em mato-o”.

O Sr. Presidente da República, através da convocação do Conselho de Estado, teve a maçada de o agarrar…

A vítima

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É raro ver-se alguém tão massacrado pela imprensa internacional como o papa Bento XVI.

O homem não pode dizer nada, que há logo um escândalo de natureza planetária.

Ora o homem por trás do papa – Joseph Ratzinger – é um homem de invulgar cultura. Naturalmente que a sua capacidade retórica acompanhará, nem que a curta distância, os seus conhecimentos e só uma criatura profundamente desequilibrada (o que o papa certamente não é) provocaria a celeuma que a comunicação social nos vai trazendo.

Bernard Henri-Lévy, num oportuno artigo, faz luz sobre o assunto

Delícia

 

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Caramel, da libanesa Nadine Labaki (na foto, como actriz), chegou aos cinemas em 2008 e foi um dos mais refrescantes filmes da altura.

Um filme sobre mulheres, cristãs e muçulmanas, que vivem em Beirute (outrora resplandecente) e o tentam fazer da melhor maneira que conseguem. Uma história muito bem elaborada sob um clima mediterrânico que força em trazer aos olhos e ao olhar a alma das pessoas.

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O que faltava

Já aqui conversámos isso…

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Só faltava atirar em Mário Crespo. Ora aí está (notícia). O JN lá arranjou maneira de proibir o Mário Crespo de escrever a sua coluna.

O motivo foi a denúncia que o jornalista fez dos “comentários” de Sócrates, a outros colegas seus, sobre a sua própria pessoa.

Depois de Manuela Moura Guedes, depois de José Manuel Fernandes, será a vez de Mário Crespo?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Os meus filmes #9

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O período alemão de Bergman (Face a Face (76), O ovo da serpente (77), Sonata de Outono (78) e Da vida das marionetas (80)) dá-nos um conjunto notável de filmes. A excepção é naturalmente O ovo da serpente (o mais incaracterístico dos seus filmes) e o seu expoente é, para mim, a Sonata de Outono.

Ingmar Bergman exila-se na Alemanha (até 1981) – a Federal – como protesto contra a perseguição do fisco de que se disse vítima e mergulha, como de costume, na alma humana. Filma a Sonata de Outono na Noruega com uma dupla de actrizes – Liv Ullmann e Ingrid Bergman – que protagoniza um dos diálogos mais fortes e inesquecíveis do cinema (na madrugada do filme).

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Ingmar Bergman está esquecido. Foi recordado em 2007, aquando da sua morte. Mas isso não interessará muito ao seu cinema; e (pelo menos) impede que da sua obra se faça aquilo que menos ela merece: que se discuta.

Como o algodão

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Há realizadores que não enganam.

Jason Reitman é um daqueles realizadores que, desde Obrigado por Fumares, apontava já numa direcção concreta e, de certa forma, original. O segundo filme – Juno – é um mimo. Bem escrito, divertido e servido por excelentes actores…

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No fundo há (quase sempre) bom cinema quando há,  uma boa história. Original, bem escrita, e “não presunçosa” como foram as histórias dos seus filmes anteriores. Nas nuvens é isso; e ainda tem um conjunto de bons e credíveis actores, inclusivamente os que não o são. A jovem Anna Kendrick está perfeita.

Reitman tem, adicionalmente, esse grande jeito que é saber escolher os actores certos para as fantásticas personagens que nos tem mostrado.

O tolerado

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Manuel Alegre é olhado pelos seus correligionários com um misto de incómodo e expectativa. Faz lembrar aquele amigo que se convida e nunca se sabe se ele vai efectivamente animar a festa (como é expectável) ou dar cabo dela (o que se teme!).

Já aqui referi: gosto da postura do homem e suporto-lhe os tiques.

O que vejo nele é o que não vejo na generalidade dos políticos com destaque: vejo nele um homem e não um robô. E fala, quase sempre, muito bem.

Falar, como falou, em defesa da dignidade do parlamento contra a rapaziada que teima em o desacreditar, é de homem. Quando toda a gente (populaça e intelectuais)  adora desacreditá-lo…

Falar como falou do medo instalado na sociedade portuguesa é de um homem que vê para além das generalidades do costume. O discurso do PM e do PR da República no 31 de Janeiro são, pelo contrário, um bocejo redondo e (vejam lá) muito parecido.

Alegre não …. foge da norma. Nem que essa fuga se transforme, ela mesmo, e nele, numa (evitável) norma.