sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

No Vale de Elah



Paul Haggis continua a dar-nos bom cinema.
Depois do seu primeiro filme – Crash – e de um conjunto de excelentes argumentos que escreveu para Eastwood (Million Dollar Baby, Cartas de Iwo Jima, As bandeiras dos nossos pais), No Vale de Elah é mais um bom contributo para a arte em que combina de forma feliz, como no caso, Tommy Lee Jones, Susan Sarandon e Charlize Theron. Aliás, o personagem de Tommy Lee Jones fez-me recordar os personagens dos filmes de John Ford. A rectidão e a seriedade do seu carácter são absolutamente arrebatadoras.
Um filme intenso a não perder.


Castello Lopes - Guimarães Shopping
Sala 6: 13h10, 16h, 18h35, 21h20, 24h

UCI Arrábida

Sala 6: 13h25, 16h10, 18h55, 21h45, 00h35

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Venha daí o Natal


Encontrei na azáfama pendular das minhas arrumações um recorte de jornal que dava conta que Portugal era o oitavo país do mundo com maior número de perus vivos. Isto há cerca de dez anos.
Infelizmente não encontrei a confirmação actual desses números. Nem sempre o Google dá resposta a tudo, ainda para mais com o extraordinário azar da procura em português me ter atirado para a República do Peru e a mesma procura, em inglês, me ter feito perder num emaranhado de páginas sobre a Turquia. Que azar, para o peru, esta falta de singularidade no nome.
Reporto-me então, e apenas, à desactualizada notícia para vos dizer que é fantástico que este país tenha cinco milhões de perus. Ainda por cima, com a particularidade de estarem vivos...
Na notícia de onde retirei a informação fiquei a saber que à nossa frente se encontravam apenas os Estados Unidos (88 milhões de perus), a França (36 milhões), a Itália (22 milhões), o Reino Unido (10 milhões) e o Brasil, México e Canadá (com 6 milhões cada).
Será que já passamos os Brazis, ou veio alguma Irlanda, ou a despudorada Grécia, fazer-nos descer no ranking?
Este oitavo lugar era óptimo e assim o país avança. Trôpego de aguardente, a caminho da cozedura é certo, mas avança ... com uma imensa maioria de perus.

Vá lá a gente saber porquê


“(…) existe outra expressão frequente que é igualmente impenetrável por cérebros não-indígenas. Por exemplo, a frase «Vá lá a gente saber porquê!». Um estrangeiro interpreta-a como significando «Vamos todos àquele sítio para podermos averiguar as causas do sucedido», quando, na verdade, significa incompreensivelmente que não vale a pena ir a seja onde for, porque não há maneira de saber seja o que for. Eles lá sabem porquê…”
Cardoso, Miguel E. (1995). A causa das coisas. 14ª Edição, Assírio & Alvim. Lisboa.


No início deste mês o jornal Público levantou uma série de questões sobre a vida profissional do primeiro-ministro, enquanto engenheiro técnico da Câmara da Covilhã nos anos 80 e inícios dos anos 90.
A primeira notícia dava conta da assinatura do Eng. Sócrates nos projectos de vários edifícios, cuja autoria era desconhecida pela generalidade dos proprietários. Um deles chegou mesmo a afirmar que havia pago a outro engenheiro e acrescenta “(…) ao Sócrates só conheço da televisão”. Todos estes projectos não têm rosto, ou melhor, contam com a assinatura do actual primeiro-ministro e com o rosto, ao que se lê na notícia, de um engenheiro que não poderia assinar esses projectos, pois fazia parte dos quadros técnicos da Câmara da Guarda. Abílio Curto, ex-presidente da Câmara da Guarda, corroborou também esta prática em declarações a uma rádio local.
Perante as respostas do primeiro-ministro, em que ele assume todas as obras por ele assinadas, o jornal traz, no dia seguinte, a notícia de que o Eng. Sócrates recebeu um subsídio de exclusividade enquanto assinava vários projectos e se encontrava ligado a uma empresa privada. O primeiro-ministro, apesar de não responder em concreto às questões, nega o facto de ter recebido dinheiro por essa prática e ataca o jornal de uma forma violenta.
Paralelamente a isto muitos daqueles que se atiraram à “casa de banho de Cavaco” vieram passar a imagem de que as notícias só surgiriam como retaliação da SONAE pela falhada OPA à PT. E o país “esqueceu”. As notícias ganharam requintes tais que a RTP, na introdução à notícia, classifica-a de “ofensiva do Público contra Sócrates”. Reinou após isso um incómodo silêncio.
Passámos muito do nosso tempo a olhar, com complexos, para os exemplos do estrangeiro. Como no caso da ministra sueca que caiu no erro de comprar chocolates e fraldas para bebé com o cartão de crédito pessoal do ministério: não só teve de demitir-se, como teve de abandonar o seu lugar no parlamento, apesar de ter alegado que a sua intenção era a de devolver o dinheiro após as compras. E se isso acontecesse cá? Não iria isso passar também como um ataque pessoal?
Os factos relatados na notícia do Público e que envolvem o primeiro-ministro são graves e as respostas dadas foram frágeis. Independentemente desta lamentável prática dos “testas-de-ferro” ser ou não criminalizada, atesta a probidade, ou falta dela, daqueles que a praticam.
Que pouca gente consiga ver para além da campanha de vitimização montada é a nossa sina.
Portugal é um dos países que menos confia na classe política e, paradoxalmente, o que menos lhe exige rectidão.
in Comércio de Guimarães 27.02.08
fotos Rui Gaudêncio (Público)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

E aí estão os vencedores...


Melhor Filme
Este País Não É Para Velhos (No Country of Old Men)
http://www.youtube.com/watch?v=uMA4emMR7uw

Melhor(es) Realizador(es)
Ethan e Joel Coen por Este País Não É Para Velhos

Melhor Actor
Daniel Day-Lewis em Haverá Sangue de PTAnderson
http://www.youtube.com/watch?v=azuq7JlyEb8

Melhor Actriz
Marion Cotillard por La Vie En Rose

Melhor Actor secundário
Javier Bardem em Este País Não É Para Velhos

Melhor Actriz secundária
Tilda Swinton em Michael Clayton (na foto com Clooney)

Melhor Argumento Original
Diablo Cody por Juno
http://www.youtube.com/watch?v=WqyQqE9Rff4&feature=related

Melhor Argumento Adaptado
Ethan Coen, Joel Coen por Este País Não É Para Velhos

domingo, 24 de fevereiro de 2008

E Nós?!

E Nós?! Sim! Os professorzecos!

Adoro ver o Miguel Sousa Tavares a falar do que não sabe....do que não sente na pele!
É admirável a forma pujante como fala do Futebol Clube do Porto, sendo, de facto, a única coisa que nos une e onde lhe reconheço "algum" saber faccioso.

Mas o sujeito tem ideia do que é leccionar? Tem ideia do que é preparar aulas a pensar em 28 miúdos diferentes? Tem ideia do que é estar com 28 miúdos entre os 13 e 15 anos numa sala de aula? Ele sabe o que são alunos NEE? Ele sabe o que é um professor não possuir um espaço próprio para trabalhar na escola? Ele sabe o que é corrigir testes? Ele sabe o que são competências? Ele sabe o que são reuniões de departamento? Ele sabe o que é sair da escola com 80 testes? Ele sabe o que é sair da escola a pensar na escola? Ele sabe o que é não dormir por causa da escola?
NÃO SABE!

É possivel que tenha "dado" aulas, "vendido" aulas, mas nunca teve o sentimento de leccionar!

Sr. Miguel Sousa Tavares... fale do que aparentemente sabe falar, do FCP!

No passado éramos os Senhores Professores, no presente somos os professorzecos, e no futuro seremos?

Noite de óscares



Na madrugada que se avizinha atribuir-se-ão os óscares para este ano, naquela que é a octogésima edição da popular cerimónia.

Parece ser um bom ano. Só vi ainda dois dos filmes - Expiação e Michael Clayton, ambos bastante interessantes - e o que me falta promete, o filme dos irmãos Coen, a revelação Juno e mais um filme do genial PT Anderson. Ficam aqui os nomeados:


Melhor Filme

Expiação (Atonement)

Juno (Juno)

Michael Clayton - Uma Questão de Consciência (Michael Clayton)

Este País Não É Para Velhos (No Country of Old Men)

Haverá Sangue (There Will Be Blood)


Melhor RealizadorJulian

Julian Schnabel- O Escafandro e a Borboleta

Jason Reitman -Juno

Tony Gilroy -Michael Clayton

Ethan e Joel Coen -Este País Não É Para Velhos

Paul Thomas Anderson -Haverá Sangue


Melhor Actor

George Clooney -Michael Clayton

Daniel Day-Lewis -Haverá Sangue

Johnny Deep -Sweeney Todd

Tommy Lee Jones -No Vale de Elah (de Paul Haggis)

Viggo Mortensen -Promessas Perigosas (de David Cronemberg)


Melhor Actriz

Cate Blanchett -Elizabeth-A Idade do Ouro

Julie Christie -Londe Dela (Away from her)

Marion Cotillard -La Vie En Rose

Laura Linney - The Savages

Ellen Page -Juno


Melhor Actor secundário

Casey Affleck -O Assassínio de Jesse James

Javier Bardem -Este País Não É Para Velhos

Phillip Seymour Hoffman -Jogos de Poder (mais um grande papel!)

Hal Holbrook -O Lado Selvagem

Tom Wilkinson -Michael Clayton


Melhor Actriz secundária

Cate Blanchett -I'm Not There

Ruby Dee -Gangster Americano

Saoirde Ronan -Expiação

Amy Ryan -Vista Pela Última Vez...

Tilda Swinton -Michael Clayton (sempre soberba!)


Melhor Argumento Original

Diablo Cody -Juno

Nancy Oliver -Lars and the Real Girl

Tony Gilroy -Michael Clayton - Uma Questão de Consciência

Brad Bird -Ratatui

Tamara Jenkins -The Savages


Melhor Argumento Adaptado

Christopher Hampton -Expiação (difícil de adaptar tão bom livro, mas competente)

Sarah Polley -Longe dela (Away from Her)

Ronald Harwood -O Escafandro e a Borboleta

Ethan Coen, Joel Coen -Este País Não É Para Velhos

Paul Thomas Anderson -Haverá Sangue (de Upton Sinclair)


Não se compreende que a fantástica banda sonora de Haverá Sangue, do guitarrista dos Radiohead Jonny Greenwood, tenha escapado às nomeações ...

Haja festa.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Barack Obama por Ricardo Araújo Pereira


Tenho acompanhado com muito interesse as eleições norte-americanas, sobretudo por causa de um facto que me parece ter a maior importância política: sou extremamente parecido com Barack Obama. Também sou parecido com Hillary Clinton, mas só quando deixo crescer o bigode. Já com Barack Obama, as semelhanças são assombrosas: temos o mesmo sorriso franco, o mesmo olhar tranquilo, o mesmo aspecto encantador de argelino subnutrido. Gostava muito que Obama fosse eleito Presidente, quanto mais não seja porque não é todos os dias que se tem a oportunidade de ser sósia do homem mais poderoso do mundo. Será divertido visitar os EUA já depois da eleição, e assistir à reacção das pessoas quando se aperceberem das parecenças. Pode ser que me confundam com o Presidente e me ofereçam coisas boas. Outra hipótese é oferecerem-me 75 gramas de chumbo maciço no meio dos olhos, sob a forma de um balázio. Mas mesmo isso seria uma ocorrência pitoresca, diferente da monotonia do quotidiano, que eu acolheria com satisfação.
No entanto, além de transformar a minha vida, a eleição de Barack Obama pode acarretar outras mudanças de menor importância. Por exemplo, pode transformar o nosso planeta. Se Obama for eleito, durante uns anos viveremos num mundo surpreendente em que o Presidente dos Estados Unidos da América se chama Barack Hussein Obama, enquanto, por exemplo, no Gana, o Presidente é um tipo chamado John (a sério, acabei de verificar). É tão estranho como ter um Antunes a comandar os destinos da Suécia – o que seria, aliás, benéfico: há muitos anos que eu mantenho que a única maneira de Portugal atingir o nível de vida dos suecos é pôr um português a mandar na Suécia. Era num instante que os apanhávamos. Infelizmente, ninguém me dá ouvidos no que à política internacional diz respeito.
Quanto à eleição americana, é certo que Barack Obama ainda não é Presidente dos Estados Unidos. Longe disso. Mas não é impossível que venha a ser eleito, o que não deixa de ser mais uma prova de arrojo do povo americano. Toda a gente conhece as regalias a que o Presidente dos EUA tem direito: morar na Casa Branca, fazer-se deslocar no Air Force One… Depois de tudo o que aconteceu, não deixa de ser extraordinário que um povo tenha a coragem de pôr um avião daquele tamanho à disposição de um homem chamado Hussein. Por tudo isto, desejo que aconteça a Barack Obama o mesmo que aconteceu a Kennedy: que vença as eleições e se torne Presidente. Ou, na pior das hipóteses, que lhe aconteça o mesmo que aconteceu a Bush: que perca as eleições e se torne Presidente.


in VISÃO

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Futuro em Angola

Enquanto a maior Democracia do mundo anda de caucus em caucus, em Angola também o processo eleitoral decorre desde o ano passado, com vista às eleições legislativas em Setembro deste ano e às presidenciais de 2009.

O processo, moroso, começou pelo recenceamento eleitoral da população, estimada em 14 milhões de habitantes, espalhados pelo enorme país (1.246.700 Km2) e em locais de dificilimo acesso em muitos casos.

Este ano, previsivelmente na primeira semana de Setembro, haverá eleições legislativas. O ambiente é calmo e, com excepção de algumas declarações mais inflamadas de alguns políticos habituados a 30 anos de guerrilhas, tudo decorre na maior das normalidades, não havendo previsão de que nada de anormal se venha a passar.

Em todo o caso, e porque não me acreditando em bruxas continuo a achar que elas existem, as minhas férias este ano coincidem com essas eleições...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

We can believe in


Estou absolutamente viciado nas primárias americanas. Há muito que não havia eleições tão excitantes.

Do lado dos Republicanos um autêntico Senhor, o Senador John McCain, homem de princípios e de coragem que não cai bem no seu próprio campo partidário pelas suas posições mais liberais. Está obviamente nomeado como candidato Republicano.

Do lado dos Democratas a luta está completamente em aberto entre Obama e Hillary. Ela tinha tudo e foi perdendo gás. Ele foi ganhando muito (já leva 22 estados contra 10, e no dia 12 FEV ganhou Wahington DC, Maryland e Virgínia), apesar das derrotas em Estados muito importantes como a Califórnia ou NY. Obama é absolutamente cativante: as entrevistas revelam uma simplicidade sincera e os discursos públicos uma energia que de há muito se não via neste planeta. Como já perceberam estou completamente inclinado para o Obama. Respeito demais a Democracia dos EUA para a ver transformada numa democracia sul-americana em que o poder passa de homem para mulher e desta para a empregada doméstica, para o gato, etc. Faça-se por isso uma sondagem aos meus amigos bloguers ...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Uma Linha de Rumo no Passado Futurível

Da Linha de Rumo até ao Passado Futurível foi um click do Rui Vitor que muito me honrou. Isto é assim, num ritmo cibernético alucinante e caótico, sem sentido definido.

A vida tem rumos que não esperamos a cada momento da vida. Em 2006, sem que nada o fizesse prever, rumei a África, ao continente-mãe, à terra prometida que ajudámos o mundo a descobrir no inicio da globalização, pleno século XV.

Aterrei em Angola à procura do sucesso que em Portugal insistia em fugir. Parece sina que os portugueses continuem a ter de cruzar o Atlântico, rumo ao Sul, para abrir e ver novos horizontes às suas vidas.

E novos horizontes, vastos e de beleza extrema que só quem por cá passou pode compreender encontrei eu por cá. E encontrei também o sucesso, onde já fui mais reconhecido profissionalmente em ano e meio de expatriamento do que nos 9 anos anteriores na Pátria-mãe. E encontrei pessoas de uma simplicidade imensa, marcadas por anos, décadas de conflitos e ávidas de novas vidas. E encontrei uma luz que só presenciada é possível entender a sua beleza. E encontrei praias fantásticas. E um mar quente, de onde não apetece sair enquanto nadamos no meio de peixes.


Mas, acima de tudo, encontrei o embondeiro, a árvore da raiz no ar, esculturas da natureza. Gosto de tilias, esbeltas, largas, trabalhadas até às pontas dos ramos, verdes na primavera e verão, nuas e esqueléticas no outono e inverno. Mas o embondeiro é diferente. É um land-mark na paisagem, é um pedaço de história viva, é uma escultura que desafia o tempo, é mistica para as populações locais, é a árvore da vida para mim.

É como Angola, é como África. De uma beleza despojada de adornos, raiz da terra até ao céu.

Imprimir da Web

GREENPRINT é uma ferramenta interessante para limpar as documentos que imprimimos directamente da web e eliminar aquela última folhinha que tanto nos irrita.

Download livre para a versão + simples em:

http://www.printgreener.com/

Como foi previsto há 60 anos

"Exactamente, como foi previsto há cerca de 60 anos. É uma questão de História lembrar que, quando o Supremo Comandante das Forças aliadas, General Dwight D. Eisenhower encontrou as vítimas dos campos de concentração, ordenou que fosse feito o maior número possível de fotos, e fez com que os alemães das cidades vizinhas fossem guiados até aqueles campos e até mesmo enterrassem os mortos.
E o motivo, ele assim explanou: " Que se tenha o máximo de documentação - façam filmes - gravem testemunhos - porque, em algum ponto ao longo da história, algum bastardo se erguerá e dirá que isto nunca aconteceu".
"Tudo o que é necessário para o triunfo do mal, é que os homens de bem nada façam". (Edmund Burke)
Relembrando:
Esta semana, o Reino Unido removeu o Holocausto dos seus currículos escolares porque "ofendia" a população muçulmana, que afirma que o Holocausto nunca aconteceu...
Este é um presságio assustador sobre o medo que está atingindo o mundo, e o quão facilmente cada país está se deixando levar.
Estamos há mais de 60 anos do término da Segunda Guerra Mundial
Este mail está sendo enviado como uma corrente, em memória dos 6 milhões de judeus, 20 milhões de russos, 10 milhões de cristãos, e 1900 padres católicos que foram assassinados, massacrados, violentados, queimados, mortos de fome e humilhados, enquanto Alemanha e Rússia olhavam em outras direcções.Agora, mais do que nunca, com o Irão, entre outros, sustentando que o "Holocausto é um mito", torna-se imperativo fazer com que o mundo jamais esqueça."
(Recebido por mail em 12 Fev)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Uma questão de tempo...

Uma questão de tempo…

Todos se queixam do tempo… o tempo que corre… o tempo que não chega para tudo… não há tempo para nada…

E aqueles para quem tempo é coisa que não falta?!... Chegados ao fim da estrada, tantos quilómetros percorridos, uma vida inteira a correr contra o tempo, dias preenchidos, filhos a criar, casa a pagar, mil dificuldades a ultrapassar, e agora, sós entre quatro paredes, a ver o tempo que teima em não passar!...

E nós, que podemos fazer?... É assim a vida!...

É verdade, a vida é assim, mas nós podemos fazer e muito para minorar a dor e a solidão dos que já foram novos e cheios de vida e agora estão “encostados”, à espera…

Cerca de uma hora por semana, a Maria visita aquele casal de idosos que vive numa rua perto da sua casa. É só uma hora, pouco mais ou menos, mas aqueles idosos vivem com ansiedade todos os minutos que antecedem a sua chegada!

Num dia de tempestade, quando a Maria tocou à campainha do prédio, asseguram eles que o sol espreitou por entre as nuvens, obrigando a chuva a fazer tréguas por breves instantes.

Maria não sabe se assim foi, não viu o sol, mas quando de lá saiu o seu coração ia cheio de sol, os olhos daqueles idosos brilharam o tempo todo!...

Todos nós podemos dar alguns minutos do nosso tempo para ajudar a matar o tempo de quem, chegado ao fim do seu tempo, merece ter ainda algum tempo de amizade, carinho, felicidade.

Delfina Amado

A minha (mais recente) viagem

Há alturas na vida de um pai que, sacrificar-se pelos seus filhos, não só lhe fica bem, como ainda é obrigatório. E foi o que eu fiz nesta recente interrupção do Carnaval. Viajar até à Disneyland Paris tornou-se pois uma obrigação de pai. E passar uns dias com a família, uma obrigação de marido. Bom, lá nos metemos de avião (cada vez gosto mais de andar de avião, pelo menos com pilotos competentes como os da TAP) e rumámos a Paris.

Nesse mesmo dia, pela tarde, estávamos à porta de um parque temático para crianças (julgava eu) com dezenas de milhares de pessoas de todo o mundo à nossa volta. E, para descrever os três dias que lá passámos, só encontro uma frase: Eu senti-me outra vez uma criança, a minha filha sentiu-se mais adulta que eu e a minha esposa passou umas férias que há tanto fazia por merecer.

Obrigado Mickey, obrigado Pato Donald, obrigado Pateta e Banca de Neve.
Obrigado Walt Disney.

INEM Mafamude

Não perder

http://www.youtube.com/watch?v=n3UP08vnhyE

Amigos & Inimigos

“Os portugueses andaram no mundo inteiro. Um país pequeno, na ponta da Europa, habitado por meia dúzia de gatos-pingados, realizou a proeza de ser dono do mundo. É de se tirar o chapéu.
Navegar era predestinação geográfica. Para onde olhasse o português via o mar. Acabou conquistando-o.”
Menezes, Ângela (2007). O Português que nos pariu. 5ª Edição, Civilização Editora. Lisboa.


Gostava de lhes dar conta de um livro despretensioso recentemente publicado no nosso país (e do qual faço a citação inicial), da autoria de uma jornalista brasileira, que elogia de forma deliciosa a nossa História.
A autora, Ângela Dutra de Menezes, é naturalmente descendente de portugueses pois, como ela refere, “bisavô português é igual a carro a álcool: toda a gente tem um”.
No embalo das comemorações dos 200 anos da chegada de D. João VI ao Brasil, entendida agora por muitos como uma manobra política genial de um Império que soçobrava às mãos de Napoleão, a autora revisita a nossa História de uma forma elogiosa e ao mesmo tempo complacente com os nossos conhecidos defeitos.
É bom sentir que do outro lado do Atlântico há alguém que reconhece e divulga a universalidade e o génio português enquanto a ASAE se afana em fechar o país. Mas o português tem “a manha de nunca morrer”. Que outro acontecimento explicaria estes quase 900 anos de resistência a tudo e a todos?

Os bascos não têm filhos

Consegui, finalmente, cumprir uma das minhas viagens em agenda há anos: a visita ao País Basco.
Feitas as contas à vida e ao tempo consegui compactar a família no carro e ir finalmente na direcção de Bilbau.
O País Basco é uma das comunidades autónomas de Espanha mais pujantes do ponto de vista económico. Saído de uma forte crise ligada à falência da indústria metalúrgica, o País Basco soube reconverter a sua indústria e hoje é, sem dúvida, uma das mais saudáveis economias regionais da Europa. Não só a capacidade dos seus cidadãos e das suas indústrias foi determinante na invejável situação económica basca, também a visão e o arrojo dos seus políticos foi importante para a região, nomeadamente a construção do Museu Guggenheim, de Frank Gehry, fizeram de Bilbau uma cidade referenciada ao nível mundial.
O País Basco tem três principais cidades - Vitória (Álava), Bilbau (Vizcaya) e San Sebastian (Guipúzcoa) – que têm populações perfeitamente ao nível das principais cidades de Portugal, a saber: respectivamente 220.000, 353.000 e 183.000 habitantes. O que torna ainda mais importante a capacidade das cidades bascas em se imporem ao nível da sua indústria, do seu comércio, da sua cultura. A acrescentar a esses factos tenho sonhado para o nosso Vitória, desde miúdo, êxitos como os que a Real Sociedad ou o Athletic de Bilbao tiveram e têm em Espanha, com a conquista de campeonatos apesar das suas massas associativas serem muito menores do que as dos tradicionais clubes ganhadores da Liga.

A viagem de carro foi imensa, mas: finalmente Bilbau!
Fomos recebidos por um curto mas significativo nevão que pôs as minhas três crianças mais as duas de um casal amigo num delírio genuíno e contagiante que nos fez lembrar que em Guimarães nunca neva (onde vais tu, Carnaval de 82…).
Nos outros dias foi sair à rua e sentir Bilbau em toda a sua pujança e força e deixar que San Sebastian entrasse pelos olhos adentro com toda a sua elegância de Inverno. Foi sair à rua e perceber que os bascos têm, regra geral, uma antipatia implacável e uma arrogância insuportável. O que é muito desagradável para quem, como nós, tem permanentemente o coração aberto para descobrir ou para mostrar. Mas, paciência, a influência francesa é notória, e as coisas ruins pegam-se com maior intensidade que as boas!
Não mendigo a simpatia alheia, e muito menos dela necessito quando estou confortavelmente em família e com amigos como estava, mas a falta de educação por arrogância (ou por estupidez, como foi frequentemente o caso) é algo que me chateia!
Não imagino viagem sem gastronomia. Sempre que saio levo as referências gastronómicas do sítio e dos locais a “peregrinar”. E foi o que fiz. Só que não contava que os bascos tivessem pavor a crianças nos seus restaurantes. Na rua, nos restaurantes e casas de tapas via-se imensa gente, elegante e conversadora, mas não se via uma única criança a acompanhá-los. Por isso sempre que entrávamos num restaurante ficávamos com a sensação – dada pelos proprietários, mas também pala clientela - de termos saído de um estranho acampamento nas redondezas e estar a entrar, indevidamente, no centro da civilização europeia. Lamentável. Não sei onde metem os bascos as crianças, em San Sebastian vi umas quantas pela mãos de criadas andinas, enquanto as senhoras passeavam os cães. Tirando essas, vi mais tarde alguns pré-adolescentes a cair de bêbados à entrada do Estádio San Mamés para irem ver um jogo de futebol perfeitamente descartável (Camarões -1 País Basco- 0). Deve ser esse o segredo: saem directamente das catacumbas para o estádio de futebol mais próximo, aos 13 anos de idade…
Enfim, culturas. Mas tal obrigou-nos, na fantástica e obrigatória passagem pela Casa Victor Montes (com marcação a preceito) a uma discussão dura que pôs na ordem um empregado de mesa que nos procurava arrumar para uma parte menos nobre da centenária e excelsa casa bilbaína. Nem de propósito, as cinco crianças, acossadas por toda aquela gente que prefere das crianças os seus retratos, portaram-se de uma forma irrepreensível. A léguas em educação e recato de umas quantas desbocadas e sexagenárias pró-loiras que nos acompanhavam na sala, e que de início nos haviam olhado com o espanto parvo da gente que julga que as nossas crianças só comem hambúrgueres ou esparguete à bolonhesa. Saíram “em ombros” as nossas crianças perante o olhar e a simpatia final do pessoal das mesas e da cozinha. Bem feito.

Eu não comprei a camisola da Real Sociedad, nem do Athletic como havia planeado comprar. Eu saberei por quem não hei-de torcer quando vir um grupo de ciclistas com um corredor da Euskatel Euskadi. Tenho a convicção que o BBVA ou o BBK (que faz créditos a 50 anos! Está explicado o amor dos bascos às crianças!) não terão nunca 5 euros meus.

E é melhor, meninos e meninas, comerem a sopa toda, senão os vossos pais mandam-vos para o País Basco.

Publicado in Comércio de Guimarães 03.01.06

Passado Futurível

Tens um glorioso passado futurível,
mas não fiques de colher suspensa,
que a sopa arrefece.

Alexandre O´Neill in Setenças Delirantes... (1979)