domingo, 27 de janeiro de 2013

Rodrigo Leão

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Foto_Gustavo Machado

 

Já ouvi Nyman e cansei, uso Mertens em doses cuidadas … ao contrário de Rodrigo Leão que posso ouvir sempre. Ontem no Vila Flor, infelizmente despido de Beth Gibbons, Neil Hannon ou Scott Mathew, o seu som permanece universalmente esplêndido.

Devo a este homem os Sétima Legião - o som de Manchester em Lisboa – e agora isto. É demais…

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O minuto 120

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O minuto que ontem me deu mais gozo foi o minuto 120. Sim, o falhanço de Custódio – uma espécie de tiro ao meco – teve em mim um significado especial. Se por um lado esse minuto o poupou de fazer mais uma cena lamentável empalideceu em mim uma das cenas mais tristes que vi um jogador de Guimarães exibir.

Independentemente da injustiça que a sua segunda passagem pelo Vitória se pode ter revestido, Custódio mostrou um caráter de mercenário pimba que nunca mais quem viu poderá esquecer.

O futebol não é tudo, é apenas um jogo. Mas a dignidade de quem o pratica é um valor importante que se vê também dentro de um campo. Ontem continuaram a ser dignos os nossos jogadores e a assistência foi-o também sem que o recurso estúpido ao insulto prevalecesse sobre a emoção. A vingança é um prato que se serve frio e espero que a sua digestão seja longa e dolorosa.

Smile

Smile though your heart is aching

Smile even though it's breaking.

When there are clouds in the sky

you'll get by.

(do filme Tempos Modernos, Chaplin 1936)

 

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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Mulheres #1

4 mulheres 4 .

Lianne la Havas, St. Vincent, Cat Power e Nite Jewel

 

 

 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Coisas boas

LIANNE Album new

 

Esta inglesa de 23 aninhos (pai grego+mãe jamaicana; bendita miscigenação) tem uma estreia de arromba (Is your love bigh enough?).

 

O dueto com o americano Willy Mason é um dueto dos grandes …

No room for doubt

 

… só à altura de um Tom Waits+Crystal Gayle.

Coisas que não deveriam parecer mal em 2013


“(…) amanhã trarei gafanhotos para o teu território. Eles encobrirão de tal modo a superfície do solo que não se poderá ver o chão. Comerão o resto que sobrou, poupado pelo granizo, devorando todas as árvores que crescem no campo. Encherão tuas casas (...) como nunca o viram teus pais, nem teus avós, desde que começaram a existir sobre a terra até hoje”
Livro do Êxodo.




2012 foi um ano difícil para Portugal. Foi mais um ano de troica com as consequências que conhecemos e com alguns matizes particularmente irritantes. O principal foi o de que passamos agora uma espécie de castigo pelo mau comportamento passado. Ora, se há coisa que não mobiliza é a culpa. Pode tornar-nos mais lúcidos mas não nos faz correr para o futuro. Por isso neste ano temos que trocar as voltas ao que parece correto fazer-se ou dizer-se, optando pelo contrário. Assim, parece-me importante:



Rir alto. A gargalhada é catártica e revigorante. Pode haver quem se sinta incomodado pela alegria de quem ri. Quem o ache desajustado. Não faz mal, pois se há quem lhe seja imune mais haverá quem se deixe contagiar por uma praga tão benigna como a alegria.

So rare to see them laughing!
Beijar em público. O beijo é um dos mais encantadores gestos humanos. Os primeiros beijos então marcam como tinta a nossa memória. Raramente um primeiro beijo não revela, logo ali, a mulher que se beija. Sabe-se logo se vale ou não a pena. O beijo precisa de ser reinventado e mostrado com parcimonioso contentamento. De O’Neill: É uma ave estranha: colorida, /Vai batendo como a própria vida, /Um coração vermelho pelo ar/E é a força sem fim de duas bocas, /De duas bocas que se juntam, loucas! /De inveja as gaivotas a gritar...

kiss
Não dizer mal do Governo. Não é preciso dizer bem; basta respeitar o esforço e a tarefa.

Fazer de conta que a CEC não acabou. Ir ver o espetáculo, o teatro, a exposição, o cinema, como se não soubéssemos fazer mais nada. O saudável vício da cultura que nos torna melhores.

Comprar jornais. Abandonar a leitura de notícias online e contribuir para que a imprensa escrita tenha a dignidade que merece e possa ser livre, crítica e atenta.


Inventar um novo fim do mundo. Vamos continuar a alimentar as palermices apocalíticas e descobrir um novo fim do mundo pela leitura enviesada dos sinais de culturas antigas. Escolhamos agora os assírios, os celtas ou os persas, e experimentemos novamente o alívio humorado da previsão feita de medo. E aliviemos assim os dias que passam e continuam a passar.

Dizer bem dos alemães. Vamos continuar europeus mas pró-germânicos, não por qualquer síndrome de Estocolmo mas porque toda a gente deles diz mal. Os bravos ingleses estão num estado comatoso de hipocrisia europeia e os franceses são os totós do costume. Dos italianos não precisamos de dizer bem mas de os imitar, agora que parece definitivamente estripada a pústula berloscuniana. Escolhamos então um amigo improvável que, mesmo mal disposto, nos tire da monotonia do politicamente correto.

Fumar. Não é possível aguentar a ideia de que o fumo é a origem de todos os males. Desde os cigarros aos salpicões tudo é amaldiçoado pelo fumo. Retiremos do baú a sensitividade do cigarro, o seu tonto ritual e como Álvaro de Campos sigamos o fumo (…) como uma rota própria,/ E [gozar], num momento sensitivo e competente, /A libertação de todas as especulações /E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

smoke

Respeitar o acordo ortográfico. Sempre e cada vez melhor como homenagem a uma língua viva, falada por mais de 200 milhões de pessoas, que tem mais futuro do que a rezinga dos “puristas”.

Vamos fazer com que valha a pena 2013, trocando as voltas às coisas, ao que parece mas não é. Talvez assim se quebre este feitiço pesado que se abateu sobre o país e talvez o ano que se anuncia terrível iluda o seu próprio peso no humor de um desalinhar consciente.


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Publicado in Comércio de Guimarães