sexta-feira, 31 de julho de 2009

Paredes de Coura 2009


O Festival de Paredes de Coura é ímpar. Está num local esplendoroso, com uma visão e uma acústica boas e é dos raros festivais em que boa parte do público sabe, efectivamente, o que está lá a fazer.

Os Franz Ferdinand são uma das bandas que queria ver este ano. E vi-os. Profissionais e divertidos, deram um concerto excelente. "Muita estrada" para esta banda escocesa na época dos downloads em que é preciso haver estrada para ganhar dinheiro. E quando se é bom, só se pode melhorar com a prática.
Fotos_TVI

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Kindle surpresa

O i noticia hoje que a Amazon apagou os livros electrónicos dos leitores digitais Kindle fornecidos/vendidos pela própria empresa.


Não tenho (ainda) nenhum leitor digital de livros, mas não demorará muito tempo. Apesar de adorar os livros em papel, parece-me que estes leitores digitais darão muito jeito para quando se viaja para fora ou mesmo quando se está de férias numa praia ventosa.
Agora o que certamente os clientes não estavam à espera - apesar do inevitável pedido de desculpas - é da capacidade de Big Brother (como noticia o i) da Amazon. Uma das obras "desaparecidas", refere o jornal, foi precisamente o 1984 de George Orwell.

Schhh - I

Foto_badword_Wandson_Flickr

Adoro quando me explicam, cientificamente, as razões das minhas falhas e pecados.

Quando alguém me explica que a culpa do meu excesso de peso é o meu metabolismo deficiente e não eu próprio, agradeço o terno engano. E mais agradeço quando os estudos que conhecemos têm a marca de uma universidade, quando têm gráficos, amostras e análises cuidadas.

Um recente estudo da Faculdade de Psicologia de Keele, no Reino Unido, vem mostrar à evidência científica que o uso do palavrão alivia a dor. Nada que não soubéssemos já, mas que alivia a má consciência de proferir impropérios em situações limite.

Como fizeram então os excelsos cientistas do estudo? Colocaram 64 voluntários com as mãos enfiadas em baldes cheios de gelo. Numa primeira experiência, quando a dor apertava, os voluntários praguejavam, na segunda tinham que dizer uma palavra “autorizada”. Os resultados foram concludentes: os praguejadores aguentavam, em média, mais 40 segundos com as mãos no gelo. Uma vitória, em toda a linha, do palavrão, sem se terem utilizado métodos mais radicais como o do martelo no dedo, ou o de passar um jogo de futebol da sua equipa em silêncio forçado. Provavelmente não arranjariam tantos voluntários…

Concluíram ainda os cientistas que o palavrão activava mais o lado direito do cérebro. Ora sabendo que, de forma simplista, a linguagem está associada ao hemisfério esquerdo e as emoções ao hemisfério direito, concluo que o palavrão não quer misturas. É independente e incontrolável. Não se mistura com o racionalismo mas procura ir mais além: é livre e é rebelde.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Na água


Mundiais de Roma:

Alessia Filippi
Federica Pelegrinni


Fotos_Gazzetta_dello_sport

Schhh - II

Foto_de_Helder_Olino_in_Flickr

Cumpri, como de costume, a minha volta com a família pelas barraquinhas e outras diversões gualterianas. Fui este ano ainda mais curioso face à decisão de se suprimir a loucura sonora que normalmente acompanha este género de manifestações populares. Loucura sonora pois toda a gente produz ruído que se procura sobrepor ao do vizinho, até que se gera um mar de apitos, músicas e buzinas indistinguíveis e insuportáveis.

Este ano, pelo menos há uma semana, não. Entrei nas Hortas maravilhado pela novidade. Ouvia-se tudo afinal. O som dos carros de choque, a música da barraquinha dos CD’s, a verve do homem da tômbola, era só afinar os ouvidos. Passei mais tempo que o costume, pois não me incomodei com o som que suspirava, controlado, das geringonças eléctricas.

No entanto fui confrontado com opiniões distintas. Com a saudade do barulho. “Festa sem barulho não é festa” afirmam alguns com a mesma candura das dóceis vítimas da violência doméstica ao dizerem “ele bate-me bastante, mas eu gosto muito dele”. O Sr. Presidente da Câmara, na actual fase em que se encontra – a de promover a quadratura do círculo em todas as questões - já prometeu arranjar um dj que supra a lacuna. E mal: o ruído não deveria, também ele, ser municipalizado!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Penha

Foto:Toni Machado

Fiquei verdadeiramente impressionado com a leveza da intervenção na Penha, por parte da Irmandade, que consubstancia o prolongamento do Largo do Santuário em frente à magnífica obra de Marques da Silva (não se vê na fotografia a nova praça, fica nas costas do fotógrafo) .

O que me pareceu, à primeira vista, é que aquele anfiteatro sempre lá esteve e eu é que nele não havia reparado. Excelente o trabalho da Irmandade, imparável na reabilitação da Penha.

Passadas algumas décadas, faz-se jus à visão e brilhantismo de homens como José de Pina e Marques da Silva.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Os meus filmes #7


Foi há cerca de 25 anos (meu Deus!) que eu vi o fabuloso One From the Heart/Do fundo do Coração no Tivoli em Coimbra. Ainda hoje, para mim, continua a ser um dos mais belos filmes da história do cinema. Além disso o filme tem uma banda sonora perfeita (Tom Waits/Cristal Gayle).

Não era expectável que um homem que havia realizado os soberbos Padrinhos (I e II) e o louco, mas fascinante, Apocalipse Now, conseguisse fazer algo de novo, algo que tocasse o céu como este filme toca. Mas Francis Ford Coppola era um realizador notável e mudou tudo para fazer este filme de estúdio que é uma peça única e irrepetível. A partir daí fez coisas sempre decentes, mas não geniais (à excepção talvez de Rumble Fish). Mas quem fez os filmes que Copolla fez, bem se pode dedicar às vinhas californianas, que a sua missão na Terra está mais que cumprida.
Vi o filme duas vezes no Tivoli. Não havia downloads, nem YouTube's e eu tinha que me certificar que o que havia visto existia realmente.

O mais espantoso é que um filme que assenta numa história banal - e eu sou daqueles que acha que um bom filme só existe se houver um bom argumento, esta é a excepção -, tem actores simpáticos (não mais que isso) e, mesmo assim, consegue ser absolutamente magistral.
Este é um filme único e irrepetível. Um filme que, ainda hoje, me comove.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Sol e sombra


"Falando sobre o futuro das Festas e a mutação dos tempos, o Presidente da Câmara admitiu que a Corrida de Touros possa vir a ser eliminada. Tal como acontece noutras localidades, defensores dos direitos dos animais também se têm manifestado em Guimarães contra a realização de uma iniciativa que “começa a ser um problema”. Daí que, “dado que a pressão é cada vez maior”, é o próprio Presidente da Câmara quem considera que a corrida de touros pode ter os dias contados no programa das Gualterianas. Será este também um sinal de modernidade e humanismo."
in Comércio de Guimarães 22 de Julho de 2009


Eu não gosto particularmente de touradas. Não fui educado dessa forma, nem lhe ganhei o gosto através do convívio com muita gente que as adora. Uma coisa é certa: respeito-as enquanto sinal da nossa cultura.
E irrita-me de forma muito clara o "politicamente correcto" que envolve as críticas que lhes fazem. Irrita-me a hipocrisia beata de quem acha que quem frequenta as touradas mais não é que um bando de trogloditas.
Viva, por isso mesmo, a Festa!
Viva Esp... Hemingway e os homens de barba rija!


Fotos: enciclopédia.com

Concertos (short list)

Há 3 bandas que me apetecia ver. Já.
Os escoceses Franz Ferdinand que certamente verei em Paredes de Coura, um festival do qual sou "cliente" praticamente desde início e que este ano foi antecipado no calendário de Verão. Jorge, vamos?...
O inacreditável Richard Swift que, das duas uma, ou tem o site ou o agente desactualizado, pois não tem concertos marcados...
E os preenchidíssimos Grizzly Bears que têm vindo a Europa com alguma frequência e cujos sítios mais perto para os vermos serão o blogue do Samuel ou, em Agosto, alguns festivais em França e na Bélgica. Difícil, pelo menos para mim...

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Zombie


A pressistência política do Dr. Manuel Monteiro (MM) é algo que me intriga profundamente. Quer através do PND, quer agora através da Missão Minho, o Dr. Manuel Monteiro pretende manter-se à tona da actividade política apostando na descredibilização de todo o sistema (ver cartaz), do qual aliás fez parte.
Agora virou para o Minho. São as raízes diz MM.
A única raíz concreta que conheço foi o seu papel absolutamente miserável no caso de Vizela. Essa sim, uma raíz forte e clara de como o sistema político funciona em tempo de eleições.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Perspectivas

Foto_PortugalDiário
Ontem à noite, na SIC, vi mais uma peça jornalística sobre o BPN, desta vez a suspeição sobre Arlindo Carvalho, ex-ministro da saúde de Cavaco Silva.
O que me chamou a particular atenção foi que a esmagadora maioria do tempo da notícia foi passada com imagens de fundo de Arlindo de Carvalho com Cavaco Silva e de Arlindo de Carvalho com Santana Lopes. Não me parece que o crime de que é suspeito o envolvesse com o Ministério da Saúde ou com a candidatura de Pedro Santana Lopes à direcção do PSD. Mas, enfim, nada de particularmente estranho neste país.
O facto de quererem arrastar a "roubalheira do BPN", na feliz expressão de Vital Moreira, em direcção ao PSD é um sinal claro por parte do poder. Gostava de ver, por contraposição humorística, que uma próxima notícia sobre as ligações de Dias Loureiro ao BPN tivesse por fundo a sua notável prestação, há cerca de um ano, na apresentação do livro Sócrates - o menino de ouro do PS.

O filho pródigo

David Beckham no regresso aos EUA, mais propriamente à sua equipa (LA Galaxy), perdeu a cabeça e foi discutir com alguns dos fãs que o apupavam. Mais tarde, pode ver-se na peça telivisiva, disse que queria apenas acalmar um dos adeptos.


Este está a ser, ao que parece, um difícil regresso.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Bill Evans digital


Bill Evans não é só o meu pianista de eleição, é um dos músicos que sou capaz de ouvir devotadamente sem nunca me cansar. Surpreendendo-me, sempre, a cada nova audição.
A feliz era digital em que vivemos permitiu-me descobrir muitas obras que desconhecia. É o caso de Everybody digs Bill Evans (1958) que comprei recentemente (o seu segundo álbum).
Com um trio diferente daquele que o tornou divino (Scott LaFaro e Paul Motion), Bill Evans está mais uma vez muito bem acompanhado com o baixista Sam Jones e o baterista Philly Joe Jones.
Uma obra para comprar. A época digital tem também suportes físicos. E os discos são, pelos menos para mim, peças importantes para ter, tocar e ler.

Um ano mais tarde gravaria, na banda de Milles Davis, o perfeito Kind of Blue.


Impressões


A primeira marca. Há 40 anos.

Mandela 91



Foi celebradíssimo o 91º aniversário do antigo líder da África do Sul Nelson Mandela. E muito bem. Mandela foi um dos grandes exemplos de coragem e tolerância que o mundo conheceu e deixou um importante legado político.
Festejou-se em Joanesburgo...

Foto_BBC
... e no Radio City Hall de Nova Iorque...

Foto_Reuters
...com as receitas a reverterem para as ONG's sul-africanas de combate à SIDA:

sábado, 18 de julho de 2009

A luta continua


Teerão continua a ser palco da revolução verde. Apesar das mortes e das prisões os iranianos continuam a sair à rua e a protestar contra a fantochada que foram as eleições presidenciais.
O antigo presidente Rafsanjani "junta-se" às vozes incómodas e reclama a libertação dos iranianos presos durante as manifestações.

Fotos_NYTimes

Os meus filmes # 6



Elia Kazan é um dos meus realizadores favoritos. É raro haver alguém que consiga ter três fabulosos filmes no curriculum como ele tem: Um eléctrico chamado desejo (51), Há lodo no cais (54) e o filme A leste do paraíso (1955).


Talvez o filme Há lodo no cais/On the waterfront seja o mais belo; talvez o Eléctrico... seja o mais perfeito, mas o East of Eden é o mais forte dos filmes do realizador e aquele que maior impacto me causou. Baseado na obra de Steinbeck este filme contou com o estreante James Dean que desempenha um papel inesquecível. Não poderia ser outro actor. Os filmes brilhantes conseguem encaixar neles peças únicas que fazem um todo deslumbrante.


James Dean, que em pouco mais de um ano faria mais dois filmes (Fúria de Viver/Rebel without a cause de Nicholas Ray (55) e o Gigante (56) de George Stevens), morreu cedo. Foi nomeado a título póstumo para os óscares pelos filmes A leste do paraíso (em 1956) e o Gigante (em 1957). E perdeu.



Lanternins #1



Rua de Gil Vicente

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Coltrane






John Coltrane


The pen story

"Para comemorar os 50 anos de sua câmera fotográfica PEN, a Olympus criou o vídeo abaixo em stop motion. Foram tiradas mais de 60 mil fotos, delas, 9.600 no vídeo foram usadas que não teve nenhum tipo de pós produção."

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Um grande passo




Foi há 40 anos que o foguetão Saturno V partiu do Cabo Canaveral, na Florida, levando consigo os astraunautas (Neil Armstrong, Michael Collins e "Buzz" Aldrin) da missão Apolo 11.
Foi um desafio enorme e uma grande vitória da Humanidade.
Entre 16 e 24 de Julho três homens concretizaram o sonho de muitos. O homem pisa a Lua a 20 de Julho de 1969.

Fotos_NASA

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O gato

Foto_Carlos_Lopes_Publico
Pedro Santana Lopes é um verdadeiro fenómeno político. Consegue fazer as coisas mais disparatadas e regressar em força assustando todos aqueles que fizeram, por inúmeras vezes, o seu funeral político.
Tem mérito PSL pela coragem e disponibilidade com que sempre se apresenta. Mas também , como é também o caso da candidatura a Lisboa, é muito ajudado pelos seus adversários políticos. A desorientação de António Costa e o sectarismo político que em seu torno cresce (como o episódio dos intelectuais) são "tiros no pé". São atitudes conhecidas de uma artificialidade e arrogância irritantes que em nada ajudam António Costa.
Santana Lopes cai muitas vezes, mas, ao que parece, cai sempre de pé.

Os aviões em terra


A direita europeia tem sofrido uma radical transformação ao longo das últimas décadas. Para pior, sem dúvida.
Da sobriedade e compostura de líderes como Helmhut Kohl ou Margaret Tatcher, passou-se para a alegria apalhaçada de Sarkozy ou daquela coisa que em Itália faz de Primeiro Ministro.
Sarkozy disfarça quanto pode, devido a sua "genuína" vontade de fazer; mas, a qualquer momento, foge-lhe o pé para a chinela e lembra-se de coisas do arco-da-velha como ter um avião presidencial com o nome de Carla One. Absolutamente pimba.


Penso que, de uma maneira geral, todos nos sentiremos confortados por pousar frequentemente os olhos na beleza inquestionável de Carla Bruni. Não é que Carla Bruni não seja, deixem-me ser vulgar, um verdadeiro avião, mas pôr o nome da mulher ao avião parece-me não ser digno de um país europeu. Ainda por cima copiando fórmulas americanas...
Ah! o avião está aqui.


O vídeo promocional da CEC2012

Muito bonito.

O primeiro grande passo da CEC2012

Foto_RR

Foram ontem aprovados, na reunião da Câmara, por unanimidade, os Presidentes dos órgãos sociais da Fundação Cidade de Guimarães.
Ao final da tarde o Primeiro-Ministro no CCVF veio garantir o empenhamento do Estado no projecto Guimarães Capital Europeia da Cultura em 2012 e o modo e o tom de todas as intervenções foi a de que é necessário ENVOLVER.

Envolver não só os vimaranenses, mas a região, o país, e a Europa.
Os erros de capitais europeias passadas (Lisboa e Porto) não serão toleráveis em Guimarães - nós não podemos desperdiçar a oportunidade que temos - e o desafio da envolvência será determinante. Quer ao nível do conhecimento que os outros tenham de nós, como referiu Sir Bob Scott, quer pela capacidade que Guimarães tenha de fazer mais do que o óbvio e de o fazer para além dos recursos humanos e financeiros do Estado. E na reabiltação urbana, como sempre tenho defendido, depara-se-nos uma oportunidade de ouro que não podemos perder. Reabilitar não deverá ser só ao nível das obras da Câmara mas, sobretudo, pelo apoio e pelo envolvimento de proprietários e moradores. Reabilitar o "Guimarães particular" na CEC2012 é, do meu ponto de vista, uma oportunidade imperdível, que não está (para já!) contemplada.


As ideias do deserto

O projecto da Desertec propõe-se produzir, até 2050, 15% da energia eléctrica consumida na UE. Para isso um conjunto de grandes empresas europeias pretende, no âmbito da UE, investir 400.000 milhões de € numa rede de produção e transporte de energia que utilize, entre outras, a capacidade de exposição solar existente no Norte de África e no Médio Oriente.
O arranque formal do projecto teve lugar em Munique há dois dias.
A ideia não é apenas uma boa ideia por se tentar obter do sol, e de outras fontes primárias, uma parte importante da energia que consumimos; a ideia é sobretudo uma boa ideia por se envolver neste projectos partes diferentes (e muitas vezes conflituantes) do nosso planeta e, contribuir, para a cooperação e entendimento (haverá, por exemplo, a dessalinização de águas no Norte de África associado ao projecto). Há no entanto quem apelide esta boa ideia de neo-eco-colonialismo...