segunda-feira, 30 de maio de 2011

Regressos

gil

Regressam à primeira dois bons clubes: O Gil Vicente e o Feirense.

O primeiro, clube vizinho, mais habituado às andanças da “primeira” apresenta-nos hoje um estádio convidativo a que nos desloquemos a Barcelos.

O segundo, um histórico da segunda, é, há muitos anos, um exemplo de responsabilidade na gestão. Tenho na Feira muitos e bons amigos.

Eu que nos últimos anos me cansei de ir ver jogos fora de Guimarães, devido fundamentalmente ao clima de violência, tenho, nestes dois campos, um óptimo pretexto sair do D.Afonso Henriques.

Foto: fonte SICN

Evidências

Marcelo-TVI

Foto_TVI

Marcelo falou ontem, na sua crónica televisiva, sobre aquilo que se deveria falar e ninguém fala: o acordo de Portugal com a famosa “troika”.

Em boa verdade a campanha eleitoral deveria ter passado por aqui. Os próximos anos serão marcados por este acordo e pela capacidade que teremos em o cumprir (veja-se a Grécia).

Não sei se o defeito é dos políticos ou de um povo que não gosta de ouvir falar de más notícias (veja-se o que aconteceu a Ferreira Leite nas últimas legislativas). Provavelmente será dos dois.

A grande e dura verdade é que vamos ter que nos entender e trabalhar mais e melhor, passando por mais dificuldades. E a verdade – esta verdade – incomoda.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Na praça das amoreiras

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Um dos museus mais interessantes e singelos que conheci há um par de anos foi o Museu de Vieira da Silva e Arpad Szenes, na Praça das Amoreiras, por cima do largo do Rato, em Lisboa.



A obra é boa, mas o museu, uma antiga Fábrica de Tecidos de Seda, cujos bichos eram alimentados pelas amoreiras que deram o nome ao largo, é de uma simplicidade cativante.







O Museu é agora novamente notícia (foto: Miguel Lopes/Lusa) pela retirada de dez das dezasseis obras da pintora portuguesa e que sendo de pertença particular, foram agora reclamados. É uma pena que o Estado assista, impassível, a esta situação.







Fica assim bem mais pobre um dos mais interessantes museus portugueses de pintura que sai agora, por tristes razões, de alguma incompreensível clandestinidade ... enquanto museu.


quarta-feira, 25 de maio de 2011

O´Bama

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Teresa de Sousa hoje no Público fala sobre a visita de Obama à Irlanda e à Inglaterra.

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No artigo fala-se sobre o fascínio dos europeus por Obama, fundamentalmente numa época de líderes europeus de nível zero. Uma citação interessante que resume o actual estado da Europa face à América:

 

“Foi, talvez, o colunista do Guardian Gary Young quem conseguiu exprimir de forma mais exacta a razão pela qual muitos europeus mantêm intacto o seu apreço pelo Presidente. "Os europeus vêem em Barack Obama a possibilidade de um líder inteligente e inspirador, a anos luz dos seus próprios líderes." Mais de 70 por cento dos europeus ainda crêem que ele está a fazer um bom trabalho, segundo um estudo recente do German Marshall Fund.”

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Incomparável tristeza

0_DESPORTO_Vitoria_10-11_flavio_pequeno_grande_detalhe Foto_Guimarães Digital

 

Não só não foi desta que o Vitória conquistou um troféu relevante, como, se já não bastasse a desilusão de não conseguir ganhar o jogo, saiu vergado do Jamor com uma derrota humilhante.

 

E como é possível defraudar tantos vitorianos (que em número e entusiasmo, pelo menos até ao falhanço do penalti, rivalizaram com os adeptos de um clube que este ano ganhou tudo de forma clara e consistente), e achar-se que o que aconteceu foi normal?

Só por masoquismo ou por burrice, ou até por uma combinação das duas.

Ouvir o Manuel Machado (MM) dizer que tivemos uma grande época não é realismo é propaganda.

Confessei, no início da época, aos meus amigos mais próximos, que se tivesse responsabilidades directivas assinava com o MM por dez anos. Pareceu-me sempre um homem correcto, trabalhador e razoavelmente competente. Mas esta época deu tudo para o torto. Dificilmente percebeu a equipa. Não percebeu o Rui Miguel, demorou mais de dois meses a perceber que o Bruno Teles estava mal, descobriu o N’Dyaie quando todos os outros centrais estava castigados ou lesionados, encostou o Custódio pelo Cléber, diz defender o Edgar mas sacrificou-o no último jogo em casa a uma assobiadela monumental (tanto de forte como de estúpida) que lhe ecoou ontem na cabeça, não tenho dúvidas … e que é um jovem com potencial que precisa mais de trabalho mental do que técnico. Enfim, uma desgraça.

Para terminar em beleza recorreu ao truque do vitorianismo bacoco criticando, na véspera, os guerreiros do braga que, como vimos, tiveram uma atitude valente em Dublin. Uma desgraça de comunicação digna daquilo que o braga, sempre invejoso, nos fez ao longo de anos … e ainda hoje nos faz. Contam-me amigos meus portistas que foram a Dublin, que a meia-dúzia de adeptos do braga que lá se deslocou cantavam, fundamentalmente, cânticos anti-vitória.

Ir ontem à conferência de imprensa e dizer bem desta época é uma vergonha.

Graças a Deus que, já no regresso, ouvi um André Vilas Boas sempre respeitoso – ao contrário dos seus dirigentes – e que dá gosto ouvir falar, pois fala do que sabe e não se põe a inventar, a provocar, a encher o peito de vaidade. É um notável exemplo de competência, sobriedade e elegância. Nas declarações tentou sempre não deixar que qualquer palavra, apesar da estrondosa vitória do Porto, pudesse parecer desrespeitosa. Enfim: um senhor, um jovem senhor.

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Ontem saí do Jamor após o apito. Não saí antes pois ainda estava atordoado e não entendi porque é que se gerou uma troca de palavras entre os que ficaram e aqueles que, legitimamente, não aguentaram ver mais … aquilo. E demorei imenso pois aquele estádio não serve para jogos desta dimensão.

 

 

Hoje ao entrar na minha escola e ao estar com os meus alunos o silêncio foi palavra de ordem. Cada um cumpriu as suas funções e não se falou do acontecido. Foi demasiadamente mau para ser recordado. Mas não pude deixar de me comover com aquela paz triste e aqueles jovens que podiam torcer pelo Porto, pelo Benfica ou pelo Sporting, como tantos outros jovens de outras cidades, mas preferem honrar a sua cidade e o seu concelho com o respeito pelo seu clube … apesar da continuada mediocridade de quem o dirige e representa.

E eu que nem sou de me queixar nem me dá para o jacobinismo (futebolístico ou de outra natureza) começo, definitivamente, a ficar farto.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Cada tiro cada melro

334525 Foto_Tobias Schwarz

 

Diga-se o que se disser dos alemães eles, nas eleições, castigam o oportunismo.

Assim foi em Baden-Wurtenberg em que a CDU da senhora Merkel perdeu as eleições regionais que já não perdia há 58 anos, apesar da chanceler jurar que fechava 7 reactores nucleares após o desastre de Fukushima.

 

 

Ontem voltou à carga, em jeito de campanha eleitoral, com a frase

 

“Em países como a Grécia, Espanha e Portugal, as pessoas não devem poder ir para a reforma mais cedo do que na Alemanha. Todos temos de fazer um esforço, isso é importante, não podemos ter a mesmo moeda, e uns terem muitas férias e outros poucas”

 

 

No entanto pela tabela (Público de ontem)

 

regimes sociais

vê-se que as coisas não são como se pintam. E o número de horas de trabalho em Portugal é bem superior ao de um trabalhador alemão.

O nosso problema é outro: a produtividade.

 

A senhora Merkel é assim … para mal dos nossos (muitos) pecados.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O crocodilo

Este homem e a máquina do PS não conhecem a palavra vergonha.

Vale tudo.

Deveríamos chorar todos (sem dúvida) mas de raiva por este circo montado há mais de 6 anos.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Tudo curto

 

 

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“A FIBA vai obrigar as jogadoras da Euroliga feminina a utilizar novos equipamentos, mais atractivos, para chamar mais adeptos e patrocínios”

i (18.05.11) notícia toda

 

Que dizer desta “sinceridade” desportiva?

A selecção australiana (na foto) já o faz há uns anos…

A bela e monstro

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Carla Bruni é novamente assunto.

E é bom que o seja pois a sua beleza e elegância melhoram as imagens reproduzidas nas tv’s e nos jornais.

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Apesar de ser casada com um homem inenarrável (a quem a prisão de DSK catapulta para a reeleição em 2011) … Carla mantém-se a flutuar acima da vulgaridade de Sarkozy. Uma vulgaridade aliás premiada ao nível governativo- à imagem da França, também Itália ou Portugal escolheram chicos espertos para os governarem ... e perderem.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Perplexidade

sk Foto_Reuters

 

A detenção do presidente do FMI Dominique Strauss-Kahn é uma verdadeira bomba.

As autoridades americanas prenderam um homem poderoso na finança internacional (Portugal que o diga) e o principal adversário nas presidenciais de Sarkozy (com grandes possibilidades de o derrotar).

A acusação tem a ver com uma tentativa de violação a uma empregada de um hotel na Times Square, no quarto em que Strauss-Kahn se encontrava.

Se isto é uma conspiração ela é, certamente, diabólica. Se não o é, estamos perante um caso em que a justiça agiu rapidamente no sentido de (segundo se vai sabendo) encontrar vestígios da violação no corpo do homem. Não havendo qualquer constrangimento em mandar prender um dos homens mais influentes do mundo dentro do avião que o traria à Europa.

Tudo isto lembra as polémicas do Casa Pia. Mas ao contrário.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

A sombra gémea

George Lewis Jr. é Twin Shadow cujo álbum de estreia – Forget – cheira a um revigorado 1985.

O álbum tem a produção de um Grizzly Bear (Chris Taylor) e é agradabilíssimo.

 

Vai estar daqui a quinze dias em Vila do Conde. Dia 26 de Maio.

A ver.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O exemplo que vem do frio

 

 

Gylfi Zoega é um economista islandês que esteve activo na análise que no seu país se fez sobre a crise que assolou aquela pequena nação. Colaborou ainda no premiado documentário Inside Job.

Jornal de negócios

Diário Económico

Na entrevista ao Público Zoega responde desta forma desarmante (e simples) à pergunta sobre os conselhos que daria aos portugueses….

“ Não encobrir os problemas.
Determinar exactamente o que se passou aqui, promover uma investigação independente, descobrir o que está errado no Governo e no sistema político, explicar pormenorizadamente quem deixou isto acontecer, para que ninguém se esqueça e não volte  a acontecer. Os países protegem os seus — é como uma família que esconde os casos de alcoolismo. Os países tem de enfrentar os seus
problemas, saber o que correu mal — é assim que aprendem.
Isso foi o que aconteceu no meu país. A investigação produziu um relatório de 3000 páginas que mostra quanto é que cada um dos gestores tinha tirado dos bancos (…)”

Seria óptimo fazer o mesmo em Portugal. Saber por exemplo quem no banco X ou Y ou Z emprestou dinheiro ao fulano A, B, ou C, e porquê. Ser analisado o “favor” e punir quem há a punir.

Há milhares de milhões de euros que voaram assim…

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A sala da “situação”

 

Fotografia de Pete Souza (Casa Branca) …

… “situation room” durante o ataque a Bin Laden.

A Síndrome de Estocolmo

Foto_http://www.regiaodeleiria.pt/2010/04/suspeito-de-atentado-detido-pela-pj/dilema-do-prisioneiro-2/

 

Nunca fui um pessimista. Não sei se por uma particular ventura ou se por força de uma qualquer racionalidade defensiva, não sei. E nunca me custou tanto, como hoje, face à situação do país não ser efectivamente pessimista.

A situação a que chegamos tem efectivamente muitos culpados e a situação internacional pôs a nu as nossas debilidades enquanto país.

Podemos não saber muito de política ou de economia mas, penso, deveremos saber analisar a situação recente.

Nunca em Portugal, como em 2009, houve uma situação tão clara de diferentes líderes e perspectivas nos principais partidos portugueses. De um lado Sócrates, do outro Ferreira Leite. De um lado um homem sem escrúpulos, capaz de subir os salários da função pública em ano eleitoral apesar da situação do país, imerso numa máquina de controlo e propaganda nunca vistas, até então, em Portugal. Do outro uma mulher espartana que baseou a sua campanha na necessidade absoluta de se falar verdade e de se agir de acordo com as nossas possibilidades enquanto era tempo. Não tenho qualquer dúvida que não estaríamos na actual situação se Manuela Ferreira Leite tivesse sido Primeira-Ministra. No entanto o povo português entendeu que se deveria continuar a privilegiar a ilusão. É a democracia.

Nos meses que se seguiram à tomada de posse o Governo empossado não governou. Andou a “correr atrás do prejuízo” sempre com a propaganda atrelada e os meios de comunicação controlados, correndo, por exemplo, com os jornalistas incómodos e cortando crédito bancário aos grupos empresariais que não alinhavam na ladainha governamental, usando por isso os boys colocados despudoradamente na máquina do Estado e fora dela. Perante a pressão da Europa foram sendo aprovados, com a abstenção do PSD, o PEC I, o PEC II e o PEC III. Passado um ano de apresentar o primeiro PEC, apresentou o quarto e o PSD chumbou-o. E, pasme-se, a culpa da crise é afinal do PSD que não apadrinhou mais uma revisão de contas de quem, como está bom de ver, nunca as soube fazer.

O que espanta em Sócrates não é a sua proverbial incompetência é, sobretudo, a sua falta de vergonha em não assumir a sua responsabilidade no caos financeiro em que o país se tornou e no, cada vez mais inevitável, caos social em que o país está prestes a cair.

Podemos gostar mais de uns ou de outros, mas a verdade é que o país contou em democracia com gente que soube parar quando já não conseguia dar conta do recado. Sócrates não. Pois o seu propósito não é o país, mas ele, a sua imagem, a sua tresloucada vaidade.

O pior que nos está a acontecer hoje é o de sermos dominados pelo medo. E tal como na famosa Síndrome de Estocolmo, em que a vítima começa a ter um distúrbio psicológico que a leva a desenvolver simpatia pelo sequestrador, há em Portugal, mesmo fora do séquito partidário, quem ainda veja em Sócrates qualidades para ele tirar cada um de nós do poço para o qual voluntariamente nos empurrou. Cabe a cada um de nós saber acordar e ajudar os outros a acordarem deste pesadelo colectivo que tem sido a governação de Sócrates.

A ignorância não acarreta culpa, mas baixar os braços e deixar que o actual estado de coisas se perpetue é culposo.

E deixemos-nos de ilusões: a Europa não nos vai salvar. Temos que er nós mesmos a fazê-lo.

O segredo somos nós. Cada um de nós enquanto parte importante de um povo. Participando na nossa comunidade e dando o nosso melhor no trabalho, no nosso bairro, na participação cívica e solidária que possamos ter. E não deixando, sobretudo, que a mentira fique impune e se continue a espalhar como um vírus.

Publicado_in_O Comércio de Guimarães

terça-feira, 3 de maio de 2011

A outra face da moeda

 

b1 Imagem (fonte): Público

E se o assalto à casa de Bin Laden tivesse corrido mal? Se não tivessem apanhado o homem? Se tivessem, ao invés, sido capturados os homens do SEAL?

A possibilidade era grande. O risco era claro.

Daí que a coragem de Obama mereça, no actual quadro geopolítico, reconhecimento.

Poder-lhe-ia ter acontecido aquilo que aconteceu com o presidente Carter no falhado resgate dos reféns em Teerão, em 1979. O que lhe valeu ser derrotado por Reagan em 1980. O que constitui aliás um dos raros casos de não reeleição de um presidente americano no séc. XX.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Está feito

Barack Obama anuncia morte de Bin Laden

 

Sei que parece mal festejar a morte de um homem, mas Bin Laden era uma gigantesca espinha entalada na garganta das democracias ocidentais, e que agora desapareceu. Há quem defenda que um mártir nasceu, mas esse é um perigo bem menor que a imagem de fragilidade que se dava pela impunidade de um terrorista deste calibre.

 

 

 

Não deixa de ser paradoxal (ou talvez não) que a actual Administração Americana mais aberta ao mundo e menos fanfarrona em termos bélicos, seja aquela que conseguiu, com êxito, arrumar com Osama.

Obama está, desde já, reeleito. E ainda bem.