domingo, 27 de fevereiro de 2011

Alucinante

 

Nada mais me ocorre para definir este filme belíssimo sobre a vida ... e não (somente) sobre bailado em que se baseou o simplismo da crítica.

 

 

Já que nada há a dizer sobre a interpretação de Natalie Portman. Mesmo nada, pois nunca se fará justiça com palavras.

 

O som do filme –a respiração e os passos – é fundamental ao brilhantismo da realização de Aronofsky. Enfim, um filme.

O engravatamento hipócrita

Jose Manuel Coelho2_portugal-porreiro

José Manuel Coelho diz agora que afinal os seus colegas do PND deveriam tornar-se “democratas” e admite estar “desencantado” com os seus parceiros de sempre. Justamente aqueles que lhe deram palco partidário para as suas demências, premiadas com 200.000 votos nas últimas presidenciais.

Coelho é uma anedota que nos envergonha a todos, ou pelo menos aos que se deram ao trabalho de ir votar em branco ou nos restantes candidatos, agora começa a querer colo de outros partidos para continuar. E, ou me engano muito, vai tê-lo.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Deliciosamente light


Mais um bom e novo som em 2011. Dan Benjar, canadiano de Vancouver, com o projecto Destroyer. Delicioso, sem inventar a pólvora. Entre os Prefab Sprout e os Pet Shop. Gosto mais quando o álbum Kaputt se aproxima dos primeiros.





E os ingleses? Continua desaparecida a terra dos "originais"?

Terá sido o Blair?



sábado, 19 de fevereiro de 2011

A rainha mãe






Às vezes é bom ler as críticas e levá-las a sério. Esperava por via disso, do filme O Discurso do Rei, uma obra limpinha e arrumadinha, sem nada de particularmente excitante. Enganei-me.







O filme é bem melhor: uma história notável e três magníficas interpretações. A Helena Bonham Carter surpreendeu-me imenso, saindo fora - muito fora - das personagens extremas e abonecadas do Tim Burton.





E depois há sempre aquela coragem britânica ... que me comove.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A situação

Foto_Antonio Parinello_Reuters


As vagas de imigrantes do Norte de África começam a suceder-se face à queda ou instabilidade dos regimes daquela região. O êxodo começou e a verdade é que parece não haver respostas políticas da parte da União Europeia que não as que decorrem do policiamento.



O que se passou na Tunísia e no Egipto. O que se passa actualmente no Bahrein, na Líbia e no Irão merecia uma tomada de posição clara por parte da Europa. E que não poderia deixar de passar pelo apoio à Democracia enquanto valor fundamental e por um apoio exemplar aos refugiados. Estamos a viver um período ímpar na nossa história. Muita gente irá morrer através da repressão furiosa dos regimes postos em causa. Os EUA, um pouco mais longe, têm adoptado uma posição equilibrada, mau grado o seu passado. Na Europa estamos uma vez mais enredados nas pequenas coisas que só se tornam grandes pela pequenez de quem com elas lida.

Temos que perceber que temos que viver um pouco pior, temos que ser mais claros para que os povos mais pobres - que vêem a Europa como um Eldorado - recuperem a dignidade de vida que os seus jovens (a maioria) tanto anseiam.

Caso contrário a História passa-nos ou lado, ou pior: por cima de nós.

A família

 

O Segredo de um cuzcuz do tunisino Abdellatif Kechiche – vencedor do César em 2008 e que tem como título original La graine et le mulet – é um filme fantástico.

 

LaGraineEtLeMulet_photo_01

Tem tudo lá dentro.

laGraineEtLeMulet

A complexidade dos sentimentos.

524-1204041035-Image1---465fx349f

A amizade.

La_Graine_et_le_mulet_6-268b4

O amor.

images

A intriga e a sorte.

 

E a asfixiante impotência do Ladrão de Bicicletas de De Sica.

 

Uma obra-prima, com uma maioria de actores não profissionais.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Viva a imperfeição

 

ng1104498

Já não suporto ver o Barcelona jogar. Irrita-me. É perfeito de mais, chik-chik-chik. Olha p´ra mim que jogo tão bem à bola.

Irrito-me com a perfeição da coisa e com o facto de, ainda por cima, serem todos muito boas pessoas … ao contrário da bandidagem lusa.

Por isso ontem delirei com a vitória do Arsenal.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Antes que esqueça

Os meus álbuns de 2010  (ou quase)…

Ya-Ka-May

Galactic. Ya-ka-may.

New Orleans. Louisiana. EUA.

 

Uma festança. O tema Heart os Steel é precioso.

 

Broken Bells (180 g Vinyl/Includes Download Insert)

Broken Bells. Broken Bells.

New Orleans. Louisiana. EUA.

 

O mais feliz dos duos: James Mercer (Shins) e Brian Burton.

 

Good Things

 

Aloe Blacc. Good Things.

EUA.

 

A nova soul.

 

Lee Fields & The Expressions. My world.

Brooklyn. NY. EUA.

 

A velha soul.

 

Gil Scott-Heron. I’m new here.

Chicago/Jackson. EUA.

 

A soul mesmo: a alma!

 

Black Mountain. Wilderness Heart.

Vancouver. Canadá.

 

Toda a boa energia do mundo aterrou nesta gente.

 

 

The Black Keys. Brothers.

Akron. Ohio. EUA.

 

Outro duo: o rock and roll deveria ser isto!

 

Avi Buffalo. Avi Buffalo.

Long Beach. Califórnia. EUA.

Imaculada pop … em álbum de estreia, por isso mesmo imaculada.

 

Halcyon Digest

Deer Hunter. Halycon Digest.

Atalanta. Geórgia. EUA.

 

A 4AD ainda existe! E isto faz-me lembrar qualquer coisa, só não sei bem o quê…

Mines

Menomena. Mines.

Portland. Oregon. EUA.

 

O que mais ouço. Agora.

 

 

Onde estão os ingleses? Que se passa?

A carta

3761902884_5be8ec1bcd_z

Foto_Ana_Wilder_in_http://www.flickr.com/photos/annawilder/3761902884/

“Tinha bebido a caligrafia dela. Tinha-lhe comido o nome. Tinha feito um enorme esforço para não comer a carta toda”

Philip Roth. Indignação. (2009)

 

Caro(a) amigo(a),

Espero que esta carta te vá encontrar bem que ▄▄▄… nós por cá vamos andando, aproveitando este magnífico sol de Fevereiro na brandura deste Inverno tímido e, por isso, ▄▄▄rad▄ amigo.

Já há muito tempo – nem sei sequer quanto - que não escrevia uma carta com a minha caligrafia. Já há muito tempo que não assentava uma caneta na minha mão, com os meus dedos mindinho e anelar da minha mão direita suportando o peso e o trabalho▄▄ dos outros três. E é bom reencontrar a minha caligrafia, apesar de incoerente face à tremenda falta de prática dos meus últimos anos, em vez da letra Times New Roman ou Calibri. É bom reencontrar o papel vazio e ir escrevendo sem que nenhum corrector ortográfico me sublinhe a vermelho, para meu contragosto, a palavra direcção ou a palavra actor ou a palavra baptismo ou o mês de Fevereiro com força de maiúscula. Assim é ▄ p▄▄ o novo acordo ortográfico. Como deves saber os países de língua portuguesa entenderam-se quanto à grafia de algumas palavras que durante anos penámos para não errar no ditado. Tantos anos passámos nós a ler mentalmente arquitectura para não errar na escrita e agora a reduzem-na à vulgar arquitetura. O olfacto também sai a perder o “c” e a Avenida da Liberdade fica toda minúscula e o espermatozóide perde o acento e o hei-de separa-se para sempre. Vamos perder muito acento circunflexo também … mas ficamos a ganhar ▄▄ três novas letras: o K, o Y e o W para utilizar nas mensagens de telemóvel.

Meu Deus! quanto desperdício de neurónios que tanto musculamos aos longos dos anos com as subtilezas da Língua Portuguesa. Ou deverei já dizer língua portuguesa, tudo em minúsculas e com a mesma falta de respeito que a língua de vaca sempre nos mereceu, pelo menos fora do contexto ▄▄ p▄▄ culinário. A solução mais adequada será fazermos como o Miguel Sousa Tavares que no fim de cada artigo refere ter escrito “de acordo com a anterior ortografia”. Ou seja, não perde o que aprendeu e não tem a maçada de se adaptar a uma nova gramática.

A minha carta é sobre a saudade. A saudade de falar contigo e a saudade, agora aplacada, de escrever uma carta. De sentir a folha e o desenho das palavras, da caligrafia mais esticada quando as ideias são mais rápidas que a mão. A saudade de algo ▄▄▄▄ como escrever com a absoluta necessidade de tempo e concentração. Algo para além do e-mail de frases curtas e pouco ligadas. Cheio de erros e imprecisões. Mas ninguém liga pois é escrita digital e ▄▄ ao digital tudo se perdoa. Mesmo até o “inclino” que alguém me escreveu em vez de “inquilino” me fez inclinar de perdão e sorrir logo pela manhã. Mas o e-mail’s é uma “primeirinha” face ao facebook ou ao twitter. Estas ferramentas inauguraram uma espécie de escrita precoce … que antes de ser já o foi. Uauuuu, hehehe, xD, é a tentativa de dizer alguma coisa quando nada se tem para dizer. Uma espécie de comunicação gutural e onomatopaica que às tantas diz mais que as linhas que te escrevo agora, apesar de eu pensar exactamente o contrário.

Mas, como sabes, a escrita de uma carta tem um ritual inimitável, feito de esperas e abstracções, mesmo que o que sobre seja apenas papel amarrotado. Não será esse agora o caso, pois vou terminá-la e enviá-la por correio, com selo e tudo. É necessário aproveitar enquanto os correios ainda permitem enviar correspondência, qualquer dia entre os livros e os sabonetes surgirá um aviso a dizer “não se expede mais aqui”.

Assim sendo,                                 teu

Aceita um forte e terno abraço deste √ amigo … ▄▄▄▄▄▄▄▄ e escreve-me. Uma carta, é claro.

 

Publicado in Comércio de Guimarães 09.02.11

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Cartoons

 

02_01_11cle1

 

clementblog

clementblog8

 

clementblog1

Por Gary Clement do National Post

Preciosos canadianos

 

Já há cerca de um mês que não largo esta gente: os Black Mountain (post anterior) com o excelente Wilderness Heart.

 

Já têm um vídeo do excelente Hair Song

 

O olhar ocidental

 

327434

O Norte de África continua, por estes dias, a ser o centro do mundo. Pela minha parte não perco notícia que fale do Egipto, as manifestações, a violência, a posição dos vários líderes internacionais.

A minha coerência exigiria que as imagens que vou vendo me causassem a mesma simpatia que me causaram as imagens de Teerão em 2009. Mas não o fazem, ou fazem-no de forma tímida.

A razão é uma: o medo de regimes políticos islamistas.

 

327452

Terei razão? É possível que não, é possível que a classe média informada e liberal egípcia queira (apenas) aquilo que qualquer um de nós quer: democracia e justiça social … e tenha força para se sobrepor a todos os outros interesses.

 

Fotos_ Yannis Behrakis/Reuters