sábado, 31 de outubro de 2009

A propósito da irrelevância

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Por muito que eu “perdoe” a Saramago a polémica bíblica. A semana que passou foram publicados alguns artigos interessantes, como o de Richard Zimler no Público P2 (27.10.09).

Alguns excertos:

“O Antigo Testamento é formado em grande parte por uma compilação de histórias, muito à semelhança de um romance. E o seu tema principal é a difícil e por vezes tumultuosa relação entre Deus e Israel, entre o criador transcendente de um universo e o seu povo escolhido. É uma história de sobrevivência, de como os israelitas usaram de todos os meios à sua disposição – incluindo a guerra – para defender aquilo que consideravam a sua particular aliança com o Senhor.
Como qualquer romance ou outra forma de narrativa que intente descrever todos os cambiantes da conduta humana, dela fazem parte tanto a opressão intolerável, os  crimes de guerra e os assassinatos, como também o amor, a dedicação
e o heroísmo. Trata de seres humanos tal como eles são, e não como eles deveriam ser. Pegar no Antigo Testamento para criticar a brutalidade dos hebreus ou de outros povos da antiguidade é o mesmo que criticar Dostoievsky por escrever sobre um assassinato premeditado em Crime e Castigo ou criticar Anne Frank por descrever como a crueldade nazi afectou a sua família.(…)

O Antigo Testamento pode ter como referência um acontecimento histórico – a libertação do povo hebraico –, mas a linguagem utilizada é poética e simbólica.(…)

Tomar à letra estas histórias é simplesmente não entender o
Antigo Testamento e ignorar por completo dois mil anos da tradição poética ocidental.(…)”

As críticas de Saramago são unicamente banalidades superficiais, que revelam uma profunda ignorância
da filosofi a e da religião ocidentais e uma total incompreensão da linguagem poética e narrativa de
desde há mais de três mil anos. Só quem ignora tal herança,
jornalistas e responsáveis religiosos incluídos, poderia tornar o patético desabafo do romancista numa tal polémica.”

Foto:EPA

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Face oculta

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Pergunto-me a mim próprio, quanto tempo durará a inutilidade desta face oculta?

Quanto faltará para que o caso se classifique com “cabala”?

Quantos anos se irá arrastar o processo?

Quais as provas ilegais que a PJ descurou?

Quais as condições ideais para que tudo, afinal, prescreva?

Os prazos, as defesas e ataques? As páginas de jornais e as defesas da honra?

Quanto tempo demorará para que esta nova montanha se disponha a parir o habitual um rato, mais à frente…

 

Foto: Adriano Miranda

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

José de Pina II

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Este homem tem um humor que mexe comigo. Leiam lá por favor o artigo de ontem no i:

“Como seria de esperar, a nomeação da escritora Isabel Alçada para ministra da Educação foi a "mina" da semana. Não houve ninguém que não tivesse tentado fazer umas piadas à volta dos livros "Uma Aventura". Um fartote. Mas agora que já rimos todos e que o governo já tomou posse, vamos a coisas sérias.

Pergunto: e a Ana Maria Magalhães? Sim, o outro elemento, quiçá o mais importante, da dupla de sucesso da criançada?! Como se sentirá A. Maria Magalhães depois de, uma vez mais, ter ficado de fora?

Já anteriormente tinha sido preterida em favor da sua colega Isabel Alçada para o cargo de comissária do Plano Nacional de Leitura, e agora outra vez de fora! É injusto, e também um erro de José Sócrates, pois não é bom quebrar uma dupla de sucesso. Basta lembrarmo-nos de Croquete e Batatinha; separaram-se, e acabou logo a magia. O Croquete desapareceu e o Batatinha arrasta-se na irrelevância. É fácil imaginar Isabel Alçada a visitar escolas, e as crianças todas a perguntarem pela A. Maria Magalhães. Isto não é bom para o governo! Vai fazer mossa. O melhor teria sido Sócrates convidá-las às duas para serem ministras, criando um ministério com co-ministras. Isto, aliás, nem seria inédito. Basta ver o que se passou no Ministério das Obras Públicas do anterior governo com a dupla Mário Lino/Jorge Coelho. Alguém imagina o Dolce sem o Gabbana? O K. Richards sem o Jaeger? O Santana Lopes sem o P. Granger? Tal como a própria Yoko Ono, que destruiu a dupla Lennon/MacCartney, Sócrates vai ser a Yoko Ono da dupla Uma Aventura! E se o PSD fosse buscar a A. Maria Magalhães?”

José de Pina (i, 28OUT09)

Nariz Vermelho

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A história da Operação Nariz Vermelho é a história das pessoas  que em Portugal visitam nos hospitais as crianças hospitalizadas e lhes levam alegria.

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Baseada numa ideia americana -

Um palhaço entre num hospital numa festa de Natal para alegrar as crianças e o médico diz-lhe “O lugar dos palhaços não é no hospital”, ao que aquele responde que o lugar das crianças não era, seguramente, e também, o hospital

- este gesto de solidariedade a que tantos portugueses se associam é uma ideia luminosa que enche o Universo.

 

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terça-feira, 27 de outubro de 2009

E agora?

russia A LUSA noticiou ontem que as autoridades russas ponderam retirar Alexandra à sua mãe.

Alexandra é a menina russa que viveu durante anos com uma família de acolhimento portuguesa e à qual um tribunal português, mais propriamente o Supremo em Guimarães, decidiu retirar a criança.

Várias notícias referem problemas graves de alcoolismo de Natália, mãe da menina, o que já levou a própria Câmara a intervir. Ao ler a notícia no DN fica a sensação que a Justiça não deverá ser  “apenas” uma justaposição de regras mas, sobretudo, bom senso. 

O governo já se pronunciou pelo MNE.

Isto tem que acabar

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O jornal La Repubblica fez uma recente reportagem sobre o turismo sexual no Cambodja, mais propriamente na sua capital Phnom Penh.

Nela se relatavam a comercialização sexual de crianças. Enfim, algo de profundamente chocante, degradante e vil.

Mete-me nojo que tanta conferência se faça no mundo sobre tudo e mais alguma coisa, menos sobre a forma de travar e eliminar este género de situações que maltrata, invariavelmente, os mais desprotegidos.

Tem de haver leis internacionais sobre a matéria. Tem de haver castigo. Tem de haver entendimento entre os diversos países.

sábado, 24 de outubro de 2009

Salvador

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Eduardo Cintra Torres elogia hoje no Público o programa televisivo Salvador, que vai para o ar à segunda-feira na RTP.

Tive a oportunidade de o ver, pela primeira vez, precisamente na última segunda. Passei num zapping e dele não saí. É um programa sobre temas difíceis (como a incapacitação física) apresentado de forma optimista e esperançosa. Salvador Mendes de Almeida, na fotografia, é o mentor e apresentador que conseguiu o milagre de equilibrar a dura realidade com a ausência de lamechice e trazer à tona a extraordinária capacidade humana, “servindo-a” televisivamente como exemplo.

A sede do mal

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Touch of Evil, Orson Welles, 1958.

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Demasiado ambicioso para caber na própria história.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Sempre a subir

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O vimaranense D. Manuel Monteiro de Castro foi nomeado Secretário do Colégio dos Cardeais, um prestigiado e importante cargo na hierarquia do Vaticano (ver notícia no i).

D. Manuel Monteiro de Castro é um homem notável e este é mais um passo no exigente reconhecimento da estrutura da Igreja Católica. É um homem de trato sereno, possuidor de uma capacidade de diálogo fora de comum.

Fiquei feliz pelo reconhecimento merecido deste ilustre vimaranense.

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O desejo e a realidade

 

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É de mulher enfrentar assim Ahmadinejad.

Com o dedo, ou sem ele.

A montagem fotográfica (foto da esquerda) não é mais que uma interpretação de vontades e sentimentos.

Bem me parecia ….

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O i dava conta ontem das fortes opiniões, politicamente incorrectas, do reconhecido obstetra Michel Odent.

O conhecido obstetra francês defende que os pais não deveriam assistir aos partos das respectivas companheiras por várias questões fisiológicas e psicológicas que prejudicam todo o “trabalho de parto” (ver notícia).

Eu e outros pais já havíamos percebido isso há muito. Foi um feeling.

Há qualquer coisa de profundamente patético na cena do marido na sala de partos. A mim, sempre me fez lembrar aqueles que se vestem a rigor para uma festa informal, ou o contrário.

 

Foto: Your Pregnancy birthingExperience  in Flickr

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O Lado A

 

Hunky Dory de David Bowie, gravado para a RCA em 1971 é único. Bowie é um excelente músico, com álbuns inesquecíveis (Ziggy Stardust, Aladdin Shane, o revolucionário Low, Heroes, Scary Monsters), mas este é para mim um álbum especial.

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Descobri-o em 78 ou 79 em casa de um amigo, comprei-o mais tarde em vinil e, depois, nas primeiras edições de CD’s.

Revisito-o hoje e percebo que o extraordinário Lado A

  1. "Changes" – 3:37
  2. "Eight Line Poem" – 2:55
  3. "Life on Mars?" – 3:53
  4. "Kooks" – 2:53
  5. "Quicksand" – 5:08

está completamente gravado na minha memória.

Trauteio, sem me enganar, estas peças da obra-prima HUNKY DORY e não corro o risco de ir a nenhuma tournée do músico londrino.

Ele sabe ter juízo!

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Life on Mars?

… e por Neil Hannon.

Cartoon

 

Thuran Selcuk (Turquia):

 

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Cartooning for peace.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A luta popular

 

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Já muito se disse sobre as autárquicas: sobre vencedores e vencidos e pouco se falou sobre o desaparecimento do deputado do PCTP/MRPP da Assembleia Municipal de Guimarães. Que foi, diga-se, uma pena…

Ao longo dos últimos mandatos habituei-me a escutar, com atenção, os únicos deputados que o PCTP/MRPP elegia no país: pessoas como António Teixeira de Sousa ou Domingos Torres deram um bom contributo na Assembleia Municipal. Não tanto pelas propostas, mas sobretudo pela sua coerência e desalinhamento da sopa política em que temos vivido.

Fiquei com pena que uns míseros 174 votos tenham faltado ao PCTP para eleger o seu (nosso) deputado, roubando-o assim ao CDS.

Esperemos que a luta popular esteja mais firme lá para 2013.

O elefante

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Saramago tem destas coisas. Fala para irritar, para provocar, sabendo antecipadamente o burburinho que irá causar É uma mania irritante e não domesticável que o homem tem. É como uma criança que não consegue tirar as mãos de um sítio de quem toda a gente diz “não mexas”, e ele mexe.

A recente polémica a propósito de Caim, o seu último livro, é disso exemplo. Não aguentou sem lançar a farpa: “a Bíblia é um manual de crueldades” e dizer que o Livro dos cristãos e judeus, bem como o Corão, não podiam ter sido ditados por Deus, que por sinal não existe. Enfim, a fé necessita ir para o sofá do psicanalista…

A Saramago perdoo tudo. Com os bons livros que vai escrevendo e aquele trio fantástico de obras primas – Memorial, O ano da morte de Ricardo Reis e a Jangada – viro, por ele, a cara ao lado e louvo-lhe a escrita.

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domingo, 18 de outubro de 2009

Uma história simples

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O filme The Staright Story é um filme excelente. De longe, e para mim, o melhor de David Lynch Paradoxalmente é aquele que menos se parece com o seu universo.

Tirando a cena do menino à procura da bola, visto por Sissy Spacek, o filme não tem nada de lynchiano, nada!. Não tem a brilhante loucura de Wild at Heart ou do perfeito Veludo Azul, e muito menos a dispensável loucura labiríntica de Mulholland Drive ou Inland Empire.

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Para mim The Straight Story é quase um Clint Eastwood de boa cepa … até Badalamenti está, neste filme, menos depressivo na música que compõem. Este é um filme sobre homens de carácter, sobre vidas com sentido, sobre “o que vale realmente a pena”.

Um filmaço.

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sábado, 17 de outubro de 2009

Imprescindível

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Helena Matos é, para mim uma voz imprescindível na comunicação social portuguesa. Esta semana, mais uma vez no Público, um notável artigo:

“(…) o capitalismo, esse eterno reciclador, reservou lugares de destaque e de poder a estes contestatários. Mas o tempo está a pregar uma enorme partida a essa geração, que, enquanto teve e tem um discurso muito severo sobre quem a precedeu, se habituou a ser extraordinariamente indulgente consigo mesma. O que agora os atormenta não é terem chamado libertadores a ditadores, confundido filósofos com chefes de seitas ou, em alguns casos, terem atravessado a ténue linha que então separava a contestação do terrorismo.
O que o tempo agora lhes atira à cara através de interpostas crianças é a memória desses anos em que eles gritavam liberdade, façam amor e não a guerra, eram jovens e belos, em que acreditavam que iam ficar para a História, quiçá ser o seu fim e não concebiam sequer que outras gerações os julgariam. Com as suas enormes diferenças, o drama de Daniel Cohn-Bendit, Frédéric Mitterrand e Roman Polanski é que tudo aquilo que agora lhes é atirado à cara foi senão aprovado pelo menos razoavelmente tolerado em determinados períodos. Basta pesquisar nos arquivos dos jornais, sobretudo dos franceses, para encontrarmos referências aos abaixo-assinados subscritos pelos intelectuais nos anos 70 pedindo a libertação de pedófilos que então não eram vistos enquanto tal, mas sim como contestatários da repressão burguesa da sexualidade infantil.
Contudo, o que impressiona em 2009 não é tanto o que se diz, fez ou escreveu há 30 anos, mas o constatar-se a disponibilidade para novamente, em nome da libertação dos adultos, tomarmos sem grande reflexão decisões que não sabemos como podem interferir com as crianças por elas afectadas. O caso presente da adopção por casais homossexuais é um exemplo disso mesmo. Que dois homens ou duas mulheres queiram ver reconhecida a sua união como
casamento é uma questão entre adultos. Bem diferente é uma sociedade assumir que no futuro existirão crianças que serão identificadas como tendo dois pais ou duas mães. Como irão reagir a isso? (…)”

É óptimo ter alguém tão “politicamente incorrecto”,  tão inteligente e lúcida, como esta extraordinária jornalista.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O adiantado mental

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Marcelo Rebelo de Sousa é sem dúvida uma figura incontornável na vida pública portuguesa e particularmente importante na vida interna do PSD.

Foi líder entre 1996 e 1999 tendo saído da liderança pouco antes das eleições europeias e em ano de legislativas. Saiu por força da quebra da Aliança Democrática em pleno caso da Universidade Moderna/Portas.

Hoje quem o ouve (como eu) admite que não será necessário Cristo descer “novamente” à terra para se abrir uma possibilidade da sua candidatura à liderança do PSD e, consequentemente, à liderança de um novo Governo na República Portuguesa.

Para minha particular alegria, diga-se.

Gosto que o meu partido e o meu país seja governado por gente culta, inteligente e cuja dedicação à causa pública é genuína. Marcelo tem, indubitavelmente, essas características que eu acho importantes, mas que porventura não o serão para a generalidade dos portugueses.

Resta então perceber se o País está preparado para Marcelo?

Por mim: venha ele. E depressa.

domingo, 11 de outubro de 2009

Irving Penn

(1917-2009)

Sem cenários.

A expressão do corpo.

Picasso (1957):

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Milles Davis:

Miles Davis, by Irving Penn

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Hippie Family (1967):

Irving Penn, Hippie Family, San Francisco, 1967

Large Sleeve (1951):

large sleeve 1951

Marrocos (1971):

marrocos 1971

Ballet Society, NY (1948):

ballet society 1948

notícia

sábado, 10 de outubro de 2009

Prendam, pf, estas senhoras!

 

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Pinto da Costa sempre foi para mim uma espécie de vilão da BD. Não tenho rivalidade futebolística com o senhor. A repulsa é genuína como a que se tem pelo Joker do Batman ou o Dr.No do 007. Reconheço-lhe qualidades, mas odeio (de forma mais forte) o seu cinismo, a sua crueldade, a sua fanfarronice ordinária.

No entanto, e infelizmente, ele não é vilão único nos casos judiciais que têm vindo a conhecimento público.

Ao ler hoje que mais uma vez a gémea da Carolina Salgado, desdisse aquilo que há pouco havia dito e que contrariava anteriores declarações que agora confirma. E acompanhando na diagonal que a tal da Carolina escreveu uma coisa que não era bem aquilo que aconteceu, mas disso aproximava de forma fiel, e que os juízes, mais uma vez vão ter que reformular a coisa, fico farto. Os juízes decidiram ouvir a tal da Ana Maria mais uma vez para tirar dúvidas, depois de mais uma sessão em que foram “toureados” pelas inefáveis senhoras. Estou farto e revoltado com esta palhaçada que já deve ter consumido ao erário público largas dezenas de milhares de euros. E certamente a pachorra a muitos…

Seja-se cego aqui. Venda-se (de vendar!) a Justiça e toca a andar para a frente:

Prendam rapidamente as senhoras e deitem fora a chave!

Publicidade digital

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A esperada surpresa aí está: em Inglaterra os gastos publicitários com a internet ultrapassaram, no primeiro semestre deste ano, os gastos de publicidade em televisão.

Ver notícia.

A importância da internet já tinha suplantado, segundo me parece, a TV. Agora, chegou a vez do mercado a reconhecer.

Foto in Flickr / mononglot

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Nobel da Paz

 

Superstar Obama, claro está!

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Este prémio vem reforçar o carácter messiânico do 44º presidente dos EUA. Acho, sinceramente, que é peso a mais para um homem só. Não que ele não o mereça precisamente, e segundo o Comité Nobel, "pelos esforços diplomáticos internacionais e cooperação entre povos".

Numa altura em que se noticia a existência de inenarráveis apostas na net sobre o assassinato do Presidente Obama, era bom que ele estivesse mais próximo da terra que pisa e prosseguisse na prática as boas intenções que o movem, sem reconhecimentos que têm a ver, basicamente, com as expectativas criadas.

Que tenha sorte, pois dela irá necessitar.

 

Ver notícia do Público.

Cartoon

Chapatte (Suíça):

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Altan (Itália):

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“O meu marido vai com call-girls”

“Demasiado caro para nós. O meu ainda vai às putas”

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Nó na garganta

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Aguentei-me.

Foi tremendo para mim dizer o que hoje disse na reunião da Câmara Municipal, despedir-me do órgão autárquico em que servi ao longo dos últimos 8 anos.

Penso, sem faltas modéstias, que contribuí para que, independentemente das questões fracturantes que se levantaram, manter a dignidade institucional do órgão Câmara Municipal. Foi também esse um propósito pessoal: contribuir para que por cima das lutas políticas, legítimas e necessárias, da Câmara transparecesse uma unidade e respeito institucionais que dignificassem o órgão e a sua função.

Espero que o que fiz na oposição tenha valido, nem que numa ínfima parte, para que Guimarães fosse melhor num governo que não foi o meu e para o qual, juntamente com os vereadores que me acompanharam, sempre apresentei uma visão alternativa.

O meu nó na garganta é de alegria e não de tristeza.

Foto: Guimarães Digital

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Bendita crise

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É a notícia ambiental mais “quente” do momento: as emissões de CO2 deverão cair, este ano, 3% relativamente ao ano transacto.

A culpada é a crise económica mundial e as conclusões provêem de um estudo actual feito pela Agência Internacional de Energia (relatório How the energy sector can deliver on a climate agreement in Copenhagen, Outubro de 2009) destinado a contribuir para a Conferência de Copenhaga que decorrerá naquela cidade no próximo mês de Dezembro e que pretende alcançar metas e compromissos entre os países para as próximas décadas.

Foto freefotouk in Flickr

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A grande muralha verde

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O projecto da Grande Muralha Verde é um projecto africano contra a desertificação.

Uma muralha com 7000Km de comprimento e 15Km de largura rasgando o continente africano.

Países africanos da CEN-SAD decidiram juntar-se para plantar uma enorme extensão de árvores. De Dakar ao Djibouti.

Uma boa ideia num mundo que gosta de construir outro tipo de muralhas.

Chegaremos lá?

PDF

Foto in Flickr/Harris S.

domingo, 4 de outubro de 2009

Um domingo sincero

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O geógrafo Álvaro Domingues, um dos principais responsáveis pelo PDM de Guimarães, deixou ontem ao jornal Público as seguintes declarações:

“ (…) Mas nos media os ataques de nervos foram sobre o centro histórico. Quanto ao resto, e a tudo o que é construído, ninguém vê.
Porque é que isso acontece?
É assim em todo o lado. Em Guimarães, património da
humanidade, onde trabalhei, eu
digo: “Já não posso com isto”. Guimarães sempre teve mais de dois terços da população e do emprego fora do perímetro urbano. E sempre acharam normal; agora cavou-se uma trincheira. Só se preocupam com o centro histórico, com a cidade extraordinária. Do outro lado da trincheira, está a cidade ordinária, a genérica, que não tem marca e ninguém vê... As pessoas agarram-se ao que acham que conhecem, e, à medida que vai aumentando o trauma da perda da cidade extraordinária, aumenta a amnésia do resto.(…)”

 

Foto: M.Alberto Sampaio

Liberalismo revisitado

 

No único jornal que ainda surpreende – o i – vão aparecendo novas pessoas com ideias frescas, esse é o caso de Jorge Marrão no seu artigo de ontem Liberais de esquerda e de direita – é conveniente?

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Algumas ideias:

“(…)

A esquerda logrou que a palavra "direita" em Portugal significasse antigo regime, salazarismo, injustiça, desigualdade, opressão, e mais um conjunto de palavras negativas.
Os países europeus têm sido governados alternadamente à esquerda e à direita. Todavia, hoje dificilmente encontraremos nesses países uma  associação entre direita e os antigos regimes ditatoriais e absolutos, e esquerda e regimes comunistas, totalitários e estatizantes. O nosso caminho para a maturidade democrática parece longo!”

“(…)

Em Portugal, ser liberal de esquerda ou de direita não é útil nem conveniente e muito menos politicamente correcto. Somos estruturalmente conservadores (à esquerda e à direita) quanto ao papel do Estado, dos cidadãos e das empresas. É um dos nossos embaraços.
Nesta sociedade, das mais ricas em termos médios da OCDE, mas com memória da pobreza, escolhemos sempre a protecção e a segurança e menos a emancipação e a autonomia. Preferimos encharcar o Estado de funções e atribuições a responsabilizar-nos (cidadãos e empresas). Assim não é de admirar que o problema do Estado seja "o problema". Um pouco mais de ideais liberais à esquerda e à direita ajudava: mas isso significava conquistar responsabilidade para nós mesmos. E quem nos protegia?”

Foto: Reuters

sábado, 3 de outubro de 2009

Conrad Trombone

Conrad Herwig_1_Daniel MillerO trombonista nova-iorquino Conrad Herwig é (também) um excelente músico.

Magnífico num festival em Porto Rico.

Impecável (parte final) num concerto com uma banda reunida por Joe Henderson.

Uma ano antes Henderson tinha editado o magnífico Porgy and Bess. No disco o contrabaixista era outro (Dave Holland) e o baterista também (Jack Dejohnette).

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

J.J. Trombone

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James Louis J.J. Johnson foi um músico extraordinário. Teve o azar de pertencer a uma categoria “secundária” dos instrumentos jazz: o trombone; e nunca teve o lugar de destaque que outros tiveram.

Foi o homem do be-bop no trombone, como Parker o foi no saxofone e produziu obras absolutamente brilhantes como os meus CD’s de eleição: The eminent Jay Jay Johnson vol.1 com Clifford Brown e John Lewis ou The eminent Jay Jay Johnson vol.2 Com Wynton Kelly, Charlie Mingus, Horace Silver, entre outros. Duas obras absolutamente notáveis (1953 e 1955 são os anos dessas gravações).

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Suicidou-se aos 77 anos imerso em problemas de saúde.

It never entered my mind (Berna, 1993) no YouTube.

Fotos: Frank Diggs e Marcel Fleiss

A dura realidade

 

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Particularmente em Guimarães. Se compararmos os desempregados e a população activa é Guimarães e Gaia que mais se destacam pela negativa.

 

Fonte: Público (2.10.09)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A era da televisão

Foi a 26 de Setembro de 1960 que a televisão entrou definitivamente na política.

O desafio que o jovem senador democrata John F. Kennedy fez a Nixon, o vice-presidente favorito nas sondagens, mudou o curso da eleição (uma das mais apertadas nos EUA) e a forma como os políticos passaram a encarar a TV.

Nixon perde os debates, cai nas sondagens e perde as eleições. Nixon vai para ao primeiro debate ainda doente e mostra a quem o viu (80.000.000 de americanos) um rosto cansado. Curioso é que quem acompanhou o debate pela rádio deu vantagem a Nixon.

Em Portugal, nas últimas eleições, houve quem cuidasse a sua prestação televisiva (Portas, Sócrates, Louçã) e quem não o fizesse (Ferreira Leite, Jerónimo).

Ontem Santana Lopes teve a capacidade de nos Gato Fedorento virar o “bico ao prego”. Foi sem medo nem subserviência para passar mensagens sérias e politicamente fortes. Não se armou em engraçadinho.

A ditadura das TV’s continuará. Até quando?