terça-feira, 28 de agosto de 2012

Verão quente

O Verão é feito para eu pôr a leitura em dia. Serve para outras coisas, mesmo assim.

 

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Eudora Welty, escritora sulista do séc.XX americano. Comprei A Filha do Optimista (1972) que lhe valeu o Pulitzer. Ofereceram-me na Bertrand O Coração dos Ponders (1954) como uma pequena oferta para uma grande compra. Adorei a oferta mais que a compra. Muito mais. O Coração dos Ponders (a capa que reproduzo é linda, a da Relógio d´Agua é de fugir) foi para a Brodway numa peça em 1956. Quão divertida deveria ter sido.

 

Às vezes resisto, como um casmurro. Valter Hugo Mãe não era bem uma resistência, era mais um espera aí.

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O filho de mil homens é genial. Vou ter que ler para trás. Que maçada. Fi-lo com Roth, para trás (Columbus) e para a frente (Nemesis). Pareceu-me menos triste nos dois e isso deixou-me triste e desiludido.

O elogio de Juan Marsé (Caligrafia dos Sonhos, 2011) feito por António Lobo Antunes, será merecido talvez. Eu não cheguei lá, como n’Água Viva (1973) de Lispector que adorei. Como me comoveram algumas das histórias do Tabucchi no livro de título feliz: O tempo envelhece depressa, 2009.

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Franzen merece, ponto por ponto, a fama que tem. Lê-se a zona de desconforto (2012) e torna-mo-nos seus amigos.

Estou farto, dizes bem

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Não fiques muito triste. Fica farto apenas e manda-os àquela parte como o fizeste agora.

Tu és Armstrong, força e potência, e ficarás para sempre na nossa memória como alguém que quando decidia partir … partia mesmo. Ninguém te seguia pois eras a força e a inteligência combinadas. Sabias quando atacar, não estavas ali para “te mostrar” como é habitual dizer-se.

LA 2000

Ficaste farto ao veres os teus colegas tentarem enxovalhar o campeão que és. Na estrada e na vida. Quantas vezes, Armstrong, falei o teu nome e descrevi o teu exemplo a pessoas que amei e que se iam na doença traiçoeira e persistente. Quantas.

Não és um campeão. Tu és o campeão.

sábado, 18 de agosto de 2012

Detestável #2

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Foto_Cesar de Cesare

 

Há países que deveriam ter direito a medalhas de forma a liberta-los de disparates mediáticos. O Equador é um deles. Não ganham medalhas e depois põem-se a dar asilo político a Assange: uma vil criatura que quer passar por salvador da humanidade.

Ah! a extradição é para um país não democrático, violador dos direitos humanos: a Suécia!

Detestável #1

 

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Putin é uma criatura incontornável. Entre o convencido e o asqueroso Putin encarna para mim o espírito soviético que com devoção odiei e cujo espírito castrador ainda hoje assoma nos regimes totalitários.

No entanto o caso Pussy Riot tornou-o menos detestável a meus olhos. Elas parecem-me incomensuravelmente piores. Como é possível que uma data de meninas com a mesma queda musical que um saco de batatas se achem bem no papel de resistentes por gritarem uma data de obscenidades anti-religiosas numa basílica de Moscovo para You Tube ver? Será liberdade o insulto gratuito e encenado a uma religião no templo que a representa? A intolerância religiosa não tem apenas um sentido!

Este caso – que tem mais de pussy que de riot – atrai os jornais como moscas e as múmias da pop. Bom proveito.

 

Foto_Aleshkovsky Mitya/ITAR-TASS

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Continua

A fantástica participação de João Silva no triatlo não lhe tirou o humor. Pelo contrário.

No final da prova este estudante de Medicina afirmou "Não sei se este nono lugar me dá equivalência a alguma disciplina de fisiologia do desporto ou alguma coisa. Caso não dê, vou ter mesmo de voltar a estudar."

Por mim dava-lhe a cadeira.

Foto_Público

Os corações da cidade

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Nascer em Guimarães é de há muito tempo algo que supera um simples milagre biológico, para quem nasce e para quem faz nascer. A história deste particular espaço físico, o amor tantas vezes misterioso que os antepassados deixam aos descendentes, obriga os vimaranenses desde muito novos a sentirem a sua naturalidade como uma ventura e não como um acaso. O mesmo também se passa aliás com quem escolhe Guimarães para viver e enobrece e alarga o conceito de vimaranense.

Tal orgulho manifesta-se de forma mais intensa quando estamos fora de Guimarães. Tudo se exagera e o orgulho na cidade é ostensivamente exibido à mais prosaica oportunidade. Estes exageros de sentimento espantam a maior parte daqueles que nos cercam e que têm uma relação mais vulgar e mais utilitária com as suas origens. A uns espanta, a outros irrita. Mas a nossa origem fica marcada em todos nós, mesmo quando a cidade nos maça. E essa invulgaridade marca-nos e define-nos.

Não deixa mesmo assim de ser espantoso a adesão entusiasta dos vimaranenses aos seus símbolos. O mais recente episódio é o da interpretação criativa do logótipo da Capital Europeia da Cultura (CEC) que nas lojas, nas escolas e noutras instituições foi feita por centenas, senão mesmo milhares, de vimaranenses. O coração amuralhado da CEC foi interpretado, com maior ou menor brilhantismo, com menor ou maior visibilidade, mas com indomável entusiasmo pelos vimaranenses. E isso só poderia acontecer aqui, numa CEC que se distingue precisamente pelo envolvimento da população, numa terra que mesmo longe da pujança económica que há décadas atrás nos caracterizava mantém o porte altivo.

A Muralha, associação de Guimarães para defesa do património apresenta este ano, no Pátio da Santa Casa da Misericórdia, Os Corações da Cidade, procurando materializar nessa exposição e na seleção que lá é feita, o entusiasmo que levou à construção criativa de um mosaico imenso e diverso de corações. A exposição fotográfica seleciona corações sem o objetivo de os valorar, não seria próprio nem justo. A exposição aumenta-os numa lona gigante para os libertar do arrebatamento que os moldou.

A entrada nesta exposição integrada nas Gualterianas é livre, pode ser vista desde a manhã até ao fim da tarde, e permite descobrir ou redescobrir o magnífico pátio da Misericórdia, ao lado da Igreja com o mesmo nome, no antigo largo de João Franco.

Na generosa programação musical destes meses de Verão, por entre o virtuosismo de Dee Dee Bridgewater e a competência de Pat Metheny, ambos na Plataforma das Artes, outros dois espetáculos encheram-me as medidas. Um deles, fruto do casamento entre a sensibilidade do Cineclube de Guimarães e o virtuosismo da Banda de Pevidém, juntou a música com o cinema: uma parceria vencedora feita com a prata da casa que tem mantido a cultura de Guimarães viva muito aquém da CEC e que irá muito para lá desta. Chegou a ser comovente ver as imagens de grandes filmes e a música que certamente muito trabalho deu aos músicos ser libertada na Praça da Oliveira. Um pequeno grande gesto prendeu-me a atenção: o maestro Vasco Faria pediu para retirar o palanque de onde dirigia a banda para que a sua sombra não interferisse com a projeção das imagens. Não seria necessário, mas o respeito pela imagem enobreceu a música e os seus executantes. Um outro maravilhoso concerto encheu o Vila Flor com a Orquestra Chinesa de Macau que fundiu a cultura chinesa com a portuguesa. Ouvir a guitarra de Carlos Paredes nas cordas de um liuqin é algo que perdurará na minha memória, pelo menos tanto tempo como a da magnífica voz de Carlos do Carmo flutuando na música da competente orquestra chinesa. E se as medalhas nos Jogos Olímpicos não parecem querer brindar, este ano, esta pátria milenar, que ela perdure magnífica nas culturas que abraçou ao longo da sua existência.

É bom que o nosso coração futebolístico esteja preparado para sofrer, compreendendo e apoiando esta equipa do Vitória. É possível que este ano as coisas não corram tão bem como o coração vitoriano deseja. Mas o banho de realidade que agora parece ser iniciado necessita da nossa paciência e apoio. Quanto mais não seja para nos libertar do mau-olhado e da sanha raivosa daqueles que sempre nos invejaram a dedicação.

Foto_Ricardo Leite

Publicado_O Comércio de Guimarães

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Fotos #2

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Em época de olimpíadas a fotografia de Dorando Pietri, exausto, cortando a meta na maratona das olimpíadas de Londres, mas em 1908!

Pietri seria desqualificado pela ajuda. O dramatismo da cena eleva o desporto ao estatuto de uma lenda.

Fotos #1

O Expresso – que raramente traz alguma coisa de jeito – na sua revista de fim de semana lembrou o fotógrafo Philippe Halsman e a sua série de saltos.

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De entre todas … é Grace Kelly que se destaca num ar deliciosamente maroto e divinamente fotogénico como sempre.

 

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