sábado, 31 de março de 2012

Piroso

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O varandim colocado no Toural é uma inutilidade feia … é um incompreensível delírio pessoal.

Confesso que sou daqueles cidadãos que ainda se arrepia com a “aridez” do novo Toural. No entanto compreendi a ideia e convivo com ela sem particular incómodo.

Agora a ideia da execução do varandim parece-me uma tonteria gigantesca. É como passar por um cão raivoso sem que ele nos ferre e voltar atrás, em jeito de provocação, para lhe puxar uma orelha. Pode ser que ele ferre mesmo!

 

Foto_Guimarães Digital

quinta-feira, 29 de março de 2012

Extremismos

 

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O atentado de Toulouse, a brutalidade do ato, deixou-nos como não poderia deixar de ser um conjunto notável de imagens fotográficas.

Em cima: Jean-Philippe Arles/Reuters

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Golden State

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Cada um de nós vai tendo, em maior ou menor grau, um conjunto de pancadas que conserva ciosamente.

O desporto é fértil em pancadas e tenho, desde há muitos anos na NBA, uma “pancada” pela equipa dos Golden State Warriors, uma equipa californiana que raramente se apura para os playoff’s (fase final do campeonato americano).

No entanto sigo sempre com interesse (e consternação) os seus resultados…

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Sempre que se noticiam os resultados, lá vou eu ver a desgraça: este ano continuam mal como até aqui (13º na conferência Oeste - a mais difícil diga-se - quando apenas se apuram 8 para a fase final).

Os Golden State Warriors nos últimos anos foram apenas às fases finais em 2007 depois de terem participado em 1994, longe dos anos magníficos de Cris Mullin (foto em baixo) na segunda metade dos anos 80 (com Tim Hardaway)

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Para o ano é que vai ser. Go Warriors.

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quarta-feira, 28 de março de 2012

Os direitos

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Uma notícia que o Público trouxe hoje levou-me a pensar que o susto de falência do país já passou e a tonteria dos direitos inalienáveis voltou.

Como é possível ficar revoltado pelo facto do Estado português exigir o pagamento de 120€/ano a cada aluno de português?

Como é possível continuar a achar que tudo são direitos e nada são deveres?

 

Naturalmente que os 10€ por mês pouco irão adiantar em termos dos gastos do Estado no ensino da língua portuguesa. Não conheço o alcance da medida portanto. Conheço apenas esta loucura irracional dos direitos sem deveres, semeada de forma irresponsável nos últimos anos do país.

 

Foto: Carlos Luna (flickr)

sexta-feira, 23 de março de 2012

Game change

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Uma série da HBO recentemente estreado nos EUA (10 Março) conta a história da nomeação republicana de Sarah Palin no ticket de 2008.

Com um naipe extraordinário de atores (e a formidável Julianne Moore no papel principal) não faltará interesse em vê-la por cá. Um dia…

quarta-feira, 21 de março de 2012

Piegas

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Nós somos um povo difícil de entender … até na Língua.

Uma Língua tão antiga e rica como a nossa é merece radicais atitudes daqueles que defendem o óbito prematuro do acordo ortográfico, mas não se incomoda em utilizar com enervante frequência palavras e expressões da língua inglesa. Já há anos que nos confrontamos com o uso indiscriminado dessas palavras ou expressões na comunicação social ou por parte de gente responsável em áreas específicas do governo da nação. Bullying é uma delas quando se quer falar em violência física e/ou psicológica em contexto escolar. Poder-se-ia utilizar a palavra assédio ou designar por rufias aqueles que usam a maldade para enxovalhar os colegas, mas não: bullying é o que está a dar.

Para quem, como eu, entrou para o ensino público nos anos 70 a violência escolar ou o assédio dos rufias foi algo com que tive que lidar sem me queixar particularmente a ninguém, pois o assunto resolvia-se sempre enfrentando-o ou levantando a cabeça após sofrer qualquer crueldade gratuita, pois a coisa era mesmo assim que funcionava, era assim que os heróis dos filmes do John Ford funcionavam. A máxima “o que não mata engorda” enchia as imensas horas de liberdade que tínhamos em miúdos. Esse tempo fazia-nos expor aos riscos mais absurdos mas tornava-nos mais fortes e cúmplices nas amizades. Havia sítios que era necessário evitar pois percebia-se que iríamos dar de caras com o bando do Fulano ou do Sicrano. A estratégia era estar atento e evitá-los ou, caso não fosse possível, marcar um adulto a quem pedir proteção caso a probabilidade virasse assunto.

Várias gerações do tempo em que não se dizia bullying têm episódios absolutamente inacreditáveis aos olhos de hoje.

As portas dos estabelecimentos de ensino constituíam-se muitas vezes não como uma normal entrada mas como uma espécie de alfândega onde os mais novos tinham que passar diariamente após cuidada inspeção dos mais velhos, cujo conceito de escola era o de estarem ali a chatear quem tinha a peregrina ideia de ir às aulas. A confiscação do lanche era a pena mais leve “com marmelada? Vê lá se dizes à tua mãe para te fazer uma sandes de fiambre que eu já estou a ficar farto disto” (na altura a sandes de fiambre era particularmente apreciada) até às mais sofisticadas “então e o meu cigarro? Sem o meu cigarro não entras”. E lá tinha a pobre criança que dar meia volta, ir a casa correndo o risco de ter de inventar uma desculpa plausível para a mãe, já que não passaria pela cabeça de ninguém queixar-se à progenitora (e as mães dessa altura não tinham então o escatológico hábito de falar para a TVI), roubar um cigarro da gaveta do pai, pagar o tributo ao rufia e, finalmente, entrar na sala de aula. É perfeitamente compreensível, visto de agora, que alguém se sentisse profundamente desanimado ao assistir a uma aula chata depois de tanta adrenalina. E como a crueldade não tem limites de imaginação havia gente que em jeito de castigo pela omissão ou reação de um petiz mais rebelde obrigava os companheiros a abrirem-lhe a boca para escarrar alarvemente para o interior boquiaberto do petiz. Eu sei que é nojento, mas acontecia. Isto já para não falar dos assuntos das raparigas que eram apanhadas no meio de uma turba de rufias que em segundos pretendiam conhecer em pormenor todos os centímetros quadrados da infeliz criatura.

Não sendo porventura óbvio é melhor dizer que não acho a geração X melhor que a Y ou esta pior que a Z. Nunca tive a pretensão de escalonar listas de gerações. Cada qual tem a sua história, cada qual tem o seu tempo, ambos irrepetíveis. Apesar disso permito-me olhar para os mais novos e não lhes invejar a falta de tempo e de liberdade. Os da mó-de-cima atolados de atividades culturais e pedagógicas, os da mó-de-baixo enterrados em intermináveis e infrutíferos planos de recuperação. A minha geração teve o tempo e a liberdade que agora escasseia. Esbanjou-os em coisas dispensáveis ou em coisas úteis; é estultícia fazer agora (ou em qualquer momento) essa contabilidade. Permito-me apenas relembrar o tempo em que as horas de estar em casa só existiam para as refeições, lembrar o tempo em que ninguém telefonava e a queixa era um luxo.

Enfim … épocas em que os miúdos tinham a agilidade para se desviarem, ao contrário de hoje, das balizas que tombavam. Provavelmente bullying fosse um termo demasiado piegas para ser utilizado na altura. Provavelmente utilizá-lo em público daria direito a um violento croque na cabeça … para não me armar em esperto.

 

 

Publicao in Comércio de Guimarães

sábado, 17 de março de 2012

Gales

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O Torneio das 6 Nações em râguebi é uma competição fantástica de um desporto interessantíssimo.

 

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Fiquei fã desde miúdo (no então torneio das 5 nações) do desporto e do país de Gales (que fruto da TV a preto e  branco julguei equipar de azul).

 

Hoje é o fim do torneio em 2012 e o País de Gales tem tudo para ganhar o torneio e o Grand Slam se vencer hoje a sempre imprevisível França.

 

 

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Dou uma vista de olhos ao Itália x Escócia e continuo a achar que este desporto tem regras e comportamentos fantásticos e os árbitros – tal a pinta -  poderiam bem ser Primeiros Ministros de nações decentes. São uns senhores com autoridade e sem autoritarismo.

 

Fotos:Official RBS 6 Nations

quinta-feira, 15 de março de 2012

Ao fundo

Henrique Gomes

Foto_ Público (Daniel Rocha)

A demissão do secretário de estado da Energia, Henrique Gomes, é, ao que tudo indica, uma perda enorme. Fundamentalmente por aquilo que ele representava em termos da necessidade de renegociar as rendas catastróficas com que os governos de Sócrates brindaram a EDP e prejudicaram os contribuintes.

É pena que assim seja.

A única nota cómica nesta tristeza toda é a de ouvir o PS a falar sobre este caso, ou sobre a Lusoponte, ou sobre qualquer outro dos negócios ruinosos em que nos meteram. Lamentável … como lamentável é ter o país hipotecado pela política do “paga depois”. As PPP são outra herança pesada de que vamos, nos próximos anos, ouvir falar…

sábado, 10 de março de 2012

Continuar a reimaginar Guimarães

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Até 9 de Abril estará patente na Sociedade Martins Sarmento a exposição sobre Martins Sarmento como fotógrafo.

Mais uma interessante face do extraordinário Martins Sarmento numa exposição, mais uma vez, brilhantemente comissariada pelo Eduardo Brito.

O livro é imperdível.

The Big C

 

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THE BIG C é, provavelmente, a série mais interessante a passar no cabo (TV Séries).

A história é séria: é sobre Cathy uma mulher que descobre um melanoma na sua fase mais avançada e decide “mudar de vida”.

 

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Esta série consegue a proeza de ser divertida e contar com a maravilhosa Laura Linney numa forma absolutamente explêndida.

Tiro a Cavaco

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Foto_ Daniel Rocha

Não há nada que Cavaco diga ou faça que não caia “o Carmo e a Trindade” no espaço mediático. Desde a infelicidade das reformas que é assim.

Não sou um fã de Cavaco, reconheço-lhe contudo um sentido de Estado e de responsabilidade que me tranquilizam enquanto cidadão. O que ele falou de Sócrates é bom que o fale. Mário Soares enfrentou deliberadamente, sem qualquer problema, Cavaco enquanto Primeiro Ministro. Agora, passados uns meses, Cavaco fala sobre Sócrates e diz o que tem a dizer.

E é bom lembrar, de forma constante, o cocktail diabólico de que o país se livrou e que em Sócrates juntou uma vaidade profunda com uma irresponsabilidade e ambição sem limites.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Violência sem fim

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Não há dia que não surjam notícias sobre mais massacres em território sírio, perpetrados pelo regime de Bashar al-Assad.

Apesar da condenação quase unânime do planeta a matança continua, a coberto da conivência russa (a Síria sempre foi o moço de recados de Moscovo) e chinesa que têm impedido uma resolução forte da ONU.

 

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O regime sírio tem a Liga Árabe contra ela, tem a Al Jazeera (TV) a dar conta daquilo que querem esconder.

 

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No entanto, além dos dois países referidos, a Síria conta ainda com o (pouco recomendável) amigo iraniano, ou mais propriamente com os persas que dominam o regime iraniano.

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Até quando?

 

 

Fotos: Washington Post

sábado, 3 de março de 2012

Grande seca

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Infografia Público.

A maior seca das últimas 3 décadas vai continuar.
Este é um problema que não tem reflexos apenas na agricultura. Tê-los-á sobretudo na fraca produção de energia elétrica ... o que nos obriga a comprar mais combustíveis fósseis.

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