segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Responsabilidade


Um excelente artigo de Maureen Dowd, do New York Times, traduzido e publicado no jornal i, fala da história da modelo Liskula Cohen que foi caluniada por uma bloguista anónima. A modelo não se deixou ficar e obrigou a Google (proprietária do blogger) a revelar a identidade do utilizador, recorrendo aos tribunais e obtendo destes uma decisão favorável à sua causa. Hoje a "anónima" tem nome (Rosemary Port, na foto, New York Post) e ameaça processar a Google por ter revelado o seu endereço electrónico.
Habituámo-nos a considerar que a internet é um espaço onde vale tudo. Há gente a viver na impunidade da ignomínia que o anonimato concede. É importante que chegue a lei (e esta decisão é um óptimo exemplo) ao espaço nobre e indispensável que é hoje a rede.

sábado, 29 de agosto de 2009

Bartoon



Um bom cartoon a propósito da lata do Ministro das Finanças. Publicado hoje no Público.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Civilidade


Fotos: Reuters

A recente libertação do líbio Al Megrahi - responsável pelo criminoso atentado de Lockerbie que vitimou 270 pessoas em 21 de Dezembro de 1988 - tem causado abundante polémica e muita revolta. O líbio foi entregue ao seu país por decisão de um tribunal escocês que, face ao seu estado terminal de saúde, o decidiu libertar após cumprir uma pena de 9 anos dos 27 a que havia sido condenado.
Compreende-se o desespero dos familiares das vítimas a que, diga-se, pouco ajudou a forma festiva como Al Megrahi foi recebido em Tripoli. Mas o gesto do tribunal escocês, a compaixão pelo assassíno às portas da morte, é, do meu ponto de vista, um gesto magnânimo que só uma sociedade civilizada e profundamente humana consegue dar. Um grande exemplo, sem dúvida.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Repetir

Porque a melhor voz e a melhor música deste verão não podem sair da página principal deste blogue...
Repito God Help the Girl e esta contagiante felicidade pop.



JUNTOS CONSEGUIMOS por José de Pina
















O artigo de José de Pina hoje no i é tão perfeito que não consigo suprimir absolutamente nada. Aí fica o texto completo:

<Lembram-se da frase de Carlos Carvalhas "o PS pisca o olho à direita"? Pois bem, actualmente o descaramento dos socialistas é tal que o PS já não pisca o olho, despe-se à direita! E agora perguntam: mas afinal como é possível Sócrates prometer medidas de esquerda e ao mesmo tempo cativar o Luís Delgado? E eu respondo: Carolina Patrocínio! O PS continua a querer ganhar espaço à direita. A apresentadora da SIC foi escolhida para mandatária para a juventude por ser uma betinha de Cascais, uma queque. Num vídeo que circula na net, C. Patrocínio diz que, para se casar, o namorado tem de pedir formalmente, num jantar, a mão ao pai.

Como o PS vai defender o casamento entre homossexuais, é de prever que C. Patrocínio aconselhe os gays a, antes de se casarem, pedirem a mão do namorado ao pai.

A mandatária da juventude do PS também disse que só come fruta se for descascada e descaroçada pela empregada; pele de cerejas e grainhas de uvas, nem pensar! Se agora a adolescência é cada vez mais cedo, em compensação parece ser cada vez mais tarde que os jovens conseguem comer fruta com casca e se desenvencilham das grainhas de maneira a não se engasgarem. Mas o PS não se fica pela C. Patrocínio para ganhar votos à direita. Basta olhar com atenção para o novo porta-voz, João Tiago Silveira, para ver um beto tipo CDS, até tem voz sopinha com massa, tão característica do copismo de leite. É com esta transversalidade que se ganham eleições. Só falta a JS fazer um cartaz a dizer: "Juntos conseguimos." Descascámos a fruta à Carolina Patrocínio">

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Vetos matrimoniais


O PS e o Governo continuam, sem nos dar cavaco, a tentar redesenhar o nosso quadro comum ao nível dos valores, nomeadamente de família, com a delicadeza de um elefante numa loja de porcelanas. Aquilo que o i designa hoje por engenharia ideológica.
O Presidente da República vetou (e muito bem!) a nova lei das uniões de facto que, a qualquer preço, quer equipará-las ao casamento.
Eu como cidadão começo a ficar farto desta obsessão do PS por equiparar o casamento a quase tudo que mexe. Parece uma vingançazinha torpe e uma forma de nos entrar pela casa dentro a qualquer preço. Eu e a minha mulher quiséssemos casar um com o outro. Poderíamos não o ter feito e vivido juntos, o que seria perfeitamente compreenssível se assim o desejássemos ter feito.
O que a Esquerda não suporta é, como se está bom de ver, a LIBERDADE. E esse é, para mim, um inalienável valor civilizacional que deve ser defendido acima de qualquer outro.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Persepolis 2.0




http://www.flickr.com/photos/30950471@N03/sets/72157620466531333/show/

No Flickr a banda desenhada Persepolis 2.0 inspirada no filme de animação de Marjani Strapi. A realizadora iraniana havia já, em tempo oportuno, tomado uma posição contra a fraude eleitoral iraniana:

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Watergate luso










As polémicas levantadas a propósito da vigilância de S. Bento a Belém têm-me deixado estupefacto. A gravidade do que se diz (e do que não se diz) é preocupante e põe em causa a confiança nas instituições.

É nestas alturas que, independentemente das simpatias partidárias, olho para um e para outro. Olho para o Presidente da República e olho para o Primeiro-Ministro. O primeiro um homem a sério. O segundo um chico-esperto, um homem de expedientes, um homem de truques e de atitudes manhosas. A minha confiança no PR não balança, por isso, um milímetro.

Foto: TVI

Praga, 1968






"Faltava pouco para a meia-noite quando a 20 de Agosto de 1968, cerca de 200 mil tropas do Pacto de Varsóvia e 5 mil tanques invadiram a Checoslováquia para esmagar a “Primavera de Praga”, do regime reformista de Alexander Dubcek. Os checoslovacos protestaram a presença das tropas com manifestações não violentas. Alguns tentaram falar com os soldados, explicando-lhes que não havia necessidade de estarem ali. Mas eles “acreditavam que tinham impedido o início da terceira guerra mundial ou qualquer coisa do género”, contou recentemente Ondrej Neff, um jovem jornalista em 1968. Outra jovem na altura lembrou que quando viram que não valia a pena falar com os soldados, alguns manifestantes recorreram a outras estratégias: “Virámos os sinais das ruas para tentar confundi-los”, relatou Dora Slaba. Mas nada disso resultou e a Primavera de Praga foi esmagada, alguns dos seus líderes levados para Moscovo, e um novo líder, Gustav Husak, começava a “normalização”. “Na altura perguntei: onde estão todos os amigos da liberdade? Onde está a Inglaterra? Onde está França? Onde está a América? Porque é que ninguém nos está a ajudar?”, lembrou o realizador Milos Forman. “Telefonámos a Stanley Kubrick e pedimos para fazer uma declaração à imprensa. Ele desculpou-se: nunca se tinha interessado por política”. A Checoslováquia manteve-se comunista até 1989."

in P2, Público 20.08.09

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Road trip Lobito-Luanda


África é fantástica para os fotógrafos...

500 cc
























































































Laguna Seca (EUA)

Fotos (de cima para baixo): Pedrosa e Rossi (Ansa), Pedrosa (AP), Rosi (AP), Gibernau (AP) e Rossi (Ansa)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Protestos nada saudáveis




É notável o esforço de Obama para tentar levar a bom porto a implementação de um sistema nacional de saúde nos EUA. Muitos outros, como Clinton, falharam este propósito face ao tremendo poder das companhias de seguros e à loucura daqueles que aceitam passivamente que mais de 50 milhões de americanos não tenham direito a cuidados mínimos de saúde como, por exemplo, acontece em Portugal. Podem discutir-se os constrangimentos, as insuficiências, mas ele existe cá. E ainda bem que o SNS existe. É o mínimo que uma sociedade civilzada pode fazer.

A eterna prisioneira
































































9:58





41 passadas, média de 2,48m por passada.
Fixado o limite humano nos 100m.Para já...


Fotos: EPA e Afp

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Verão

E aqui vai a melhor música pop deste verão.


Uma música dos Belle & Sebastian, num novo projecto de Stuart Murdoch designado por God Help the Girl.
A fresca voz é de uma tal Britanny Stallings, num cd com Catherine Ireton, Neil Hannon e outras belas vozes.
Fantástico.

Kind of Blue




Foi há 50 anos que surgiu Kind of Blue, um disco absolutamente excepcional de Milles Davis com uma banda de sonho Bill Evans no piano em todas as músicas excepto em Freddie Freeloader (com Wynton Kelly no piano), Julian "Cannonball" Adderly (sax alto), John Coltrane (sax tenor), Paul Chambers (baixo) e o baterista Jimmy Cobb (no lugar do excelente, mas pouco fiável, Philly Joe Jones). O i , sempre atento, traz uma entrevista com Jimmy Cobb o único elemento vivo dessa mítica reunião. O Guimarães Jazz fará, este ano, a devida homenagem.

Uma grande entrada

Certamente um casamento feliz. Com uma entrada assim...


domingo, 16 de agosto de 2009

No MoMA






































Banquete dos famintos 1915

Intriga 1911

James Ensor no MoMA.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Uma boa história


















Nunca havia lido nada do último Nobel da Literatura Jean-Marie Gustave Le Clézio. Li o belíssimo A Música da Fome editado recentemente pela D. Quixote.















Apesar do título manifestamente infeliz o livro é interessante, cativante, elegante. Resgata a fórmula simples dos romances: a narrativa segue a cronologia e evita charadas romanescas para as quais já perdi grande parte da paciência que tinha. Em contradição com o que acabo de afirmar mergulhei ainda, com prazer, no desconcertante Diário de um Mau Ano de Coetzee que me conseguiu também cativar (especialmente os pensamentos do primeiro capítulo).
Agradeço às férias o tempo de ler.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Opinião


Alexandre Relvas hoje no i.
Artigo muito interessante.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Ingrid Bergman



Trouxe para férias alguns dos primeiros de filmes de Roberto Rossellini com Ingrid Bergman: Stromboli, Viagem em Itália e O Medo.
Revi Stromboli (1950) - disponível na FNAC p.ex. - e a perfeita Ingrid Bergman . Não teve a força da primeira vez - claro - mas não pude deixar de me impressionar com Ingrid Bergman. Uma actriz como Ingrid, com o mundo - e em particular Hollywood - a seus pés, larga tudo por Rossellini e mistura-se, como acontece neste filme, com amadores numa língua que lhe era estranha.
Ela é: a actriz.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Uma mulher à parte


Manuela Ferreira Leite (MFL) é uma mulher especial. Quer pela sua experiência política e profissional, quer pela sua idade, pela sua experiência, MFL não tem paciência para aturar palhaçadas. Acredita numa coisa vai em frente, se não acredita deixa-a cair. Tem sido assim. O coro de vozes que se levantou contra as listas de deputados não é muito diferente dos meninos do coro que arrasaram a primeira campanha de MFL ou a nomeação de Paulo Rangel como cabeça de lista do PSD às europeias.

MFL não é brilhante, comete muitos erros – a escolha de António Preto é uma fragilidade escusada – mas tem uma virtude que falta (talvez) a mais 90% dos políticos nacionais (e de outros países com certeza): tem uma vida própria. Se ganhar assume as suas responsabilidades com sentido de Estado, se perder volta à sua vida. Isto é: tem uma vida para além da política. E isso é tranquilizador para quem a tem.

Quem não tem essa vida para além da política cava trincheiras e cerra fileiras desejando desastres eleitorais do seu partido que lhes permitam ter novamente visibilidade. Joga no escuro. Conspira, destrói. Forja falsos consensos que a estupidez mediática aplaude.

É essa a vida de muitas pessoas que nunca fizeram nada por ninguém além delas próprias e cujo objectivo é manterem-se à tona. MFL não tem paciência com essa gente. Eu também não o teria, nem nunca o tive. Essa gente mete nojo, dá à política um cheiro de podridão que ela não deveria ter.

domingo, 9 de agosto de 2009

Kees Van Dongen II

Femme fatale, 1905
Tabarin wrestelers, 1907-08
Jovem árabe, 1911
The corn poppy 1919
Nu
Retrato de uma mulher 1903
Retrato de uma mulher
Duas mulheres e um homem
Kees Van Dongen: exposição em Barcelona.

sábado, 8 de agosto de 2009

Um homem sério



Buster Keaton realizou, em 1926, o filme The General. Estreou nos EUA em 1927 e em Portugal, décadas depois com o nome de Paplinas Maquinista (em 1965, segundo o IMDb).
Um trabalho recente restaurou o filme e trouxe-lhe uma música impecavelmente precisa e particularmente feliz de Joe Hishaishi.
Um trabalho notável a todos os títulos, disponível em DVD no mercado nacional, do homem que nunca ri (stone face).

Kees Van Dongen



Kees Van Dongen, pintor holandês de costela fauvista, tem exposição até finais de Setembro no Museu Picasso de Barcelona.
Para quem tiver a sorte e o prazer de por lá passar...


sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O fim do romance

Foi num livro de capa vermelha, numa encadernação de mau gosto, que eu descobri Dostoievski. Os irmãos Karamazov. Todo o peso daquela estória abriu-me, cedo, o gosto pelo romance. Ainda hoje conservo o livro mas, à partida, não conservo a mesma paixão em descobrir personagens, estórias, pensamentos cruzados, factos, narrativas. Deve ser do tempo fácil que vivemos. Um tempo de aspas, sem grandes reflexões nem convicções, um tempo de twitter, de coisas sem interesse, fúteis e curtas. Ainda me apaixonei por Mishima, por Yourcenar; recentemente pela tristeza literária de Philip Roth, pela modernidade sensível de Ian McEwan. Mas sempre que encaro um romance para ler, que continuo a comprar como se não estivesse contagiado pelo fastio universal do tempo, faço-o mais por vício do que por convicção. E gosto quase sempre.

Nestas férias em que conheci Shirin Ebadi volto a José Luís Peixoto, desta vez ao Cemitério de Pianos que estava a marinar há mais de um ano, e reparo que o não romance de Peixoto cativa pela poesia dos pormenores. Pelas mãos vincadas de vermelho por uma saca plástica, pelos fios de luz que saem dos estores mal fechados. Pela poesia disfarçada de romance, só para me arreliar.