terça-feira, 29 de julho de 2008

Sagres

Não é cerveja, não é Algarve, menos ainda allgarve, apesar do meu ar de turista (pois tinha acabado de sair da praia em pleno Inverno angolano) mas é dos mais bonitos navios que sulcam os mares, mesmo quando atracado e de velas recolhidas. E se estamos a trabalhar no estrangeiro e temos a felicidade deste navio visitar o nosso local de acolhimento, esse é um dos cada vez mais raros momentos que ainda tenho um grande orgulho em ser português...



segunda-feira, 28 de julho de 2008

Crónicas de Verão (2)




Tive a oportunidade de ver em Esposende no final da feira, aquilo que se vê em Guimarães e noutras terras do país no final das ditas feiras: lixo, milhares de saquetas plásticas arrastadas pelo vento, centenas de caixas vazias largadas à sua sorte, latas e outras embalagens espalhadas pelo chão…
Recentemente estive na Alemanha e verifiquei que o final de uma feira como as nossas, lá, era bem diferente. Tudo ficava limpo pelos próprios feirantes e os serviços camarários limitavam-se a recolher o lixo depositado nos locais disponibilizados para o efeito.
E dei por mim a pensar se a imagem má que damos de nós mesmos é estupidez própria e inviolável ou se, numa versão mais branda, é apenas preguiça e desrespeito pelos outros

Crónicas de Verão (1)





A entrevista dada por Manuela Ferreira Leite ao semanário Expresso é de uma franqueza que desarma quem está habituado aos malabarismos retóricos da política.
Manuela Ferreira Leite respondeu a todas as perguntas com uma sinceridade que se percebe pela frontalidade de como as responde. Não sei, sinceramente, se esta maneira própria de encarar a política dará resultados, ou não, ao PSD nas próximas eleições legislativas. Agora o que eu sei é que há, finalmente, liderança. Não porque se anula A ou B, ou porque toda a gente bate palmas, não. Há liderança pelo simples facto da líder dizer o que pensa sem meias-palavras que encerram meias verdades, sem mesuras, sem cuidados que não sejam os de transmitir a quem pergunta aquilo em que se acredita deveras. Mesmo em relação à polémica dos casamentos homossexuais – que do meu ponto de vista é uma polémica estúpida e que encerra ainda preconceitos que não deveriam já existir – ela volta a reafirmar com clareza aquilo que pensa, sem criar tabus sobre o que efectivamente queria dizer e disse.
Nos tempos plásticos que correm, com o Primeiro-Ministro plástico que temos, e que está sempre a falar em verdade, ter alguém que efectivamente a assuma é bom e necessário.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

People Time



Stan Getz acompanhado pelo pianista Kenny Barron num concerto a tocar "People Time", de Benny Carter, um tema de uma extraordinária beleza .
Tenho o tema gravado no álbum do mesmo nome, num concerto ao vivo, em Copenhaga, 3 meses antes da sua morte do saxofonista(6 de Junho de 1991).
Este concerto, apesar da falta de referências, não deve andar longe dessa data.
Sedução pura.

Nuclear sim



Continuo abismado com a relutância e com o nojo de como se discute a opção do nuclear. Todos fogem dela. Ninguém enfrenta e confronta argumentos.
Qualquer produção energética tem os seus custos. O petróleo e os outros combustíveis fósseis têm-nos feito pagar preços ambientais exorbitantes e provocado mortes das quais nunca se fala e nunca são contabilizadas.
Ficámos muito contentes a olhar para o gigantismo das torres eólicas que, saiba-se, produzem energia de forma absolutamente residual para as nossas necessidades. Destruímos a agricultura e florestas na mira do biodiesel e provoca-se a fome nos países mais pobres do nosso planeta. Fala-se do falso Eldorado dos carros a energia eléctrica (e será que ela, como em Portugal, não provirá massivamente da queima de combustíveis fósseis? ou há minas de energia eléctrica?). E gasta-se tempo a fazer nada. À espera de mais uma mina de petróleo, de mais uns paineis de energia solar.
Em Portugal então a dependência dos combustíveis fósseis é aflitiva: sofrem os consumidores, as empresas, o ambiente.
Mas falar de nuclear: não obrigado!
Mas porquê?
Só a título de exemplo vejam a França, um dos países mais mal governados da Europa, continua a aguentar as crises pelo facto de quase 99% da sua energia eléctrica ter origem no nuclear.
E se parassemos um pouco para pensar...

quarta-feira, 16 de julho de 2008

O grande duelo


Fontografia: Veja.com


Definidos os candidatos para as eleições americanas, a realizar a 4 de Novembro deste ano, os discursos de McCain e Obama começam a apontar aos "alvos" que cada um pensa serem os indicados.
Como já disse neste espaço eles foram, em minha opinião e dentro da respectiva área política, os melhores candidatos que se apresentaram nas primárias.

Ouça-se e veja-se o vídeo de McCain:



e o de Obama:



As diferenças, pelo menos em termos de estilo, são claríssimas.
Para já e pelos vídeos McCain está a ganhar.
Espera-se uma grande campanha.

Insónia


Há muita gente que se sente desarmada, e de certa forma complexada, face à tecnologia e aos instrumentos que a utilizam.
A forma desenvolta como os jovens manejam as novas tecnologias cava, ainda mais, essa sensação de desconforto. Há muita gente que, faltando-lhe a intuição e/ou a prática, é atirada para a sonolenta leitura de instruções e mais instruções, das quais, a maior parte das vezes, desistem. A barreira tecnológica existe e é real. Não é propriamente um “muro da vergonha” mas, muitas vezes, noto amigas e amigos meus um pouco cabisbaixos pela velocidade da inovação tecnológica que faz com que, quando finalmente aprendem a “dominar” o telemóvel, o computador ou o DVD, logo chega uma nova tecnologia, uma nova funcionalidade, um novo modelo, que relega para a idade da pedra o esforço feito, religiosamente, até aquele ponto. E o modelo perdura, não pela sua utilidade, mas pelo facto de, finalmente, ter sido domesticado.
Não me incluo neste lote de cidadãos, mas deles não desdenho, compreendo-os e compartilho das suas dificuldades noutras áreas. Espero deles, naturalmente, que tolerem a minha total inabilidade para a bricolage masculina, para o alicate, para a mobília do IKEA, e me ajudem. A vida deve ser assim: exigir completude e trabalho de equipa, por oposição ao sectarismo.
Agora uma coisa é a falta de jeito ou falta de paciência para as tecnologias, outra coisa é a burrice pura e dura que, aplicada a domínios tecnológicos básicos, pode tomar tornar a estupidez própria numa espantosa epopeia pessoal pelo ridículo.
Já é costume receber chamadas a horas inapropriadas, pois o meu número tem semelhanças numéricas com o de uma rádio local. Que me telefonem a pedir uma música do Emanuel, ou a saudarem a tia que faz anos é algo que, com galhardia, aceito esporadicamente. A dislexia numérica acontece a qualquer um …
Agora o que nunca me havia acontecido, como me aconteceu, é terem-me telefonado de um telemóvel para o meu telefone fixo às quatro horas e um quarto da manhã e chamarem-me Sr. Martins. Pior que isso foi o de repetir o gesto passados cinco minutos, situação que encarei com um enfado verbalizado de forma que, como compreenderão, não relatarei e, ainda pior do que isso, repetir no erro passado uma boa meia hora daquilo que suponho ter sido uma intensa, apesar de vazia, reflexão filosófica. Da terceira vez não lhe dei hipóteses de desligar. Por um forte imperativo de ordem social tentei explicar à criatura que a tecnologia digital permite ver o número que marcámos previamente (normalmente, bastará carregar numa das teclas do canto superior esquerdo) e que se a criatura continuasse a marcar o mesmo número poderia, na melhor das hipóteses, ser atendido pela minha mulher ou pelas minhas filhas. E foi dessa forma que assisti em directo às conferências de imprensa de Nicholas Sarkozy e do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, aquando do bravo e comovente resgate de Ingrid Bettencourt.
A estupidez é algo que se deve combater: deve ser uma prioridade nacional.
Mas mais importante (ainda) será combater quem nos quer tomar por estúpidos.
Não valerá a pena que Sócrates verbalize na Finlândia o modelo de país a seguir no plano tecnológico quando se fazem os exames de matemática do calibre daqueles que se fizeram. Nem vale a pena a pena que o ministro Pinho vá às compras, impante qual Gil Eanes a dobrar o cabo Bojador, para mostrar o suposto impacto da descida do IVA para 20%, quando as famílias continuam a sobreviver com extrema dificuldade. Nem é sequer inteligente persistir em perseguir quem trabalha, pois não tem o selo tal e tal, nem a salsicha fresca à temperatura exacta de 3,4 ºC. Tudo isso é estúpido e pretende que passemos por estúpidos.
Este país precisa apenas de bom-senso, de equilíbrio nos investimentos que se fazem no país e não nos putativos investimentos faraónicos que, algures, se farão. O país precisa de um rumo plausível, o que hoje não tem. Precisamos todos, a começar pelo Governo, e pelo amigo do Sr.Martins, de saber e querer dominar a tecnologia da nossa vida em comum, que deve começar e acabar no respeito pelo nosso concidadão. E isso era já um óptimo princípio…

segunda-feira, 14 de julho de 2008

O elogio da criatividade

Sir Ken Robinson é um consultor international de vários governos, ONG's e outras instituições. É hoje uma figura central na defesa da criatividade como meio para o desenvolvimento e a paz.
Nascido em Liverpool é em Los Angeles que tem o seu "quartel-general" e onde se destaca como figura ímpar no meio intelectual à escala mundial.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Piano 1

Lennie Tristano com o tema Tangerine num concerto em Copenhaga, em 1965.
Este pianista, originário de Chicago, influenciou de forma notória e decisiva pianistas como o inspiradíssimo Bill Evans.