quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Nós, os humanos

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Todas as fotos: Hubblesite

 

“Hawking tenta (…) entender o pensamento de Deus. E isso torna a conclusão do seu esforço ainda mais inesperada, pelo menos até agora: um Universo sem limites no espaço, sem princípio nem fim no tempo, e sem nada para um Criador fazer.”

Carl Sagan. Breve História do Tempo de Stephan W.Hawking. 1988.

 

 

Ao olharmos à nossa volta poderemos eventualmente perceber quão únicos e extraordinários somos.

O primeiro facto extraordinário é estarmos aqui na Terra. É estarmos no mais bonito planeta do sistema solar que ao longo de milhões de anos evoluiu de forma a permitir a alucinante diversidade de vida de que hoje disfrutamos. Isto apesar dos esforços que todos os dias fazemos para destruir essa gigantesca força de vida que nos envolve. Sem sucesso assinalável até hoje, felizmente.

E o nosso planeta azul é pequeníssimo na imensidão do nosso sistema solar. Se por incompreensível enfado quiséssemos sair do nosso sistema solar à velocidade máxima das nossas mais sofisticadas naves espaciais demoraríamos mais de 25 anos para o fazer. E se por uma qualquer delirante ambição quiséssemos visitar a estrela mais próxima fora do nosso sistema, à estonteante velocidade de 28000Km/h, demoraríamos 36000 anos a lá chegar. E é mais do que provável que nessa longa viagem as centenas de gerações que eram necessárias para empreender essa tarefa não encontrassem infinitésima parte da vida que hoje vemos ao espreitar distraídos pela janela de nossa casa.

E essa longa viagem entre duas estrelas não é nada, não representa nada no Universo, se considerarmos que tal imaginária viagem era apenas o caminho mais curto entre duas das 200000 estrelas da nossa Via Láctea. E além da nossa galáxia há outras e o número é tão absurdamente grande que até os números das dívidas soberanas parecem irrisórios.

Olhar para o infinito tranquiliza por estes dias, de forma paradoxal, a nossa extraordinária individualidade.

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A vontade de compreender as coisas que nos rodeiam tem sido algo que nos torna únicos, que nos diferencia de forma majestosa dos outros seres que nos acompanham. A Ciência tem-nos dado respostas e obrigado a levantar novas questões de forma contínua e persistente. Nos tempos de dificuldade em que vivemos começa a perceber-se que a Ciência é uma apetecível vítima dos cortes orçamentais, com Portugal, infelizmente, incluído nessa linha. Mas pior que isso tem sido o surgimento dos fanatismos políticos e religiosos que se sentem confortáveis para atacar a Ciência. Os Estados Unidos são, também a este nível, um caso paradigmático. Um país que se distinguiu e se tornou liderante pela sua capacidade tecnológica e pela forma como abriu as suas fronteiras a cérebros de todo o mundo que eram perseguidos nos seus países de origem – Einstein foi um deles – perde hoje tempo a discutir leis que querem pôr em plano de igualdade, em alguns estados americanos, o ensino da Evolução das Espécies com o “ensino” do Criacionismo. Um absurdo.

Fundamental é continuar a olhar em frente e querer saber mais, é isso que nos torna diferentes e melhores. Devemos a nós mesmos essa liberdade.

Fundamental é não encher a cabeça dos nossos jovens com atitudes cínicas que os tornem igualmente cínicos e pouco abertos à vida e às pessoas. Há tempo para o cinismo; ele vem com a idade, com o reumatismo, e não faz particular falta a nenhum de nós. Mas vem e quanto mais tarde vier mais tempo temos para o amor incondicional.

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Deprime-me ler, como tenho lido nos jornais, a necessidade de venda das nossas mais importantes empresas nacionais. Esta é também uma medida do profundo estado de necessidade a que chegamos. Não me importaria nada que vendessem as empresas de transportes de Lisboa e Porto para as quais todos pagamos mesmo sem as utilizar. Agora as nossas empresas na área da energia e do ambiente metem-me dó que sejam transformadas nos anéis que nos garantem, para já, a conservação dos dedos. Notícias destas juntamente com as afirmações da troika levam a pensar que nos querem transformar na barata e simpática sopeira desta Europa.

A maior parte de nós já percebeu que este Governo está a fazer o possível e o impossível para manter o barco a flutuar. E estou particularmente confiante que o conseguirão fazer até ao fim (esperado) da tormenta.

O que eu espero (ainda mais) é que apesar de tesos e desmoralizados consigamos manter a nossa dignidade enquanto país e enquanto povo. Esse é o mais importante desafio dos próximos anos.

 

Publicado in O Comércio de Guimarães

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Rita

YCAPA

Sangue do meu sangue é, efectivamente, um grande filme. Por vezes a crítica é demasiado generosa com o cinema nacional, mas neste caso é mais do que merecida a aclamação.

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E … Rita Blanco é absolutamente enorme, sem qualquer ponta de overacting, enorme enorme. Por vezes chega a parecer que estamos no filme, que a conhecemos.

(Aliás o elenco na fotografia é todo ele muito bom)

Este 2011 vai ficar para sempre na minha memória cinéfila: duas obras primas nacionais, este filme o o Filme do Desassossego de João Botelho. O que se pode querer mais?

O Álvaro

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Escolhido pela imprensa e por alguns sectores da esquerda light como o alvo a abater neste governo, Álvaro Santos Pereira até tem dado conta do recado. E que recado: economia, desenvolvimento regional, emprego, empreendedorismo, competitividade, inovação, transportes, comunicações, energia, turismo e OBRAS públicas.

Safa-o, em minha opinião, e claramente, a abnegação com que se dedicou a imensa causa e a simplicidade que não é costume ver-se por estas bandas … e que me permitiu intitular o post.

domingo, 20 de novembro de 2011

A aquecer

 

 

 

Com o mundo mergulhando a atenção nas dívidas soberanas o ambiente começa claramente a ser relegado para segundo plano.

 

Os apetites pelo Ártico aguçam-se com a sua desgraça: o aquecimento global. O contínuo degelo permite novas rotas comerciais e cresce o olhar sobre o petróleo e gás nele encerrados.

 

O i faz uma interessante notícia sobre o assunto.

Este blogue também.

Publicidade

Filmes publicitários por bons realizadores:

O famoso (e querido) Macintosh da Apple por Ridley Scott de Blade Runner e Thema & Louise.

 

Mercedes por Michael Mann, realizador de ALI ou O INFORMADOR.

 

 

Gap por Spike Jonze de INADAPTADO.

 

Baz Lhurman de MOULIN ROUGE para a Dior.

 

Lembrança oportuníssima do Cine 1 da Antena 1.

domingo, 13 de novembro de 2011

Engolidos por Steve

 

Steve Swallow

Depois de mais um concerto preciso e agradável, o do pianista Cedar Walton, deu para perceber que, no meu campeonato, só muito dificilmente Steve Swalow perderá o Guimarães Jazz deste ano.

Steve Swallow Quintet

Com uma banda absolutamente brilhante (a Carla Bley surpreendeu-me pela humildade com que serviu a banda, o guitarrista Steve Cardenas foi brilhante e o saxofonsta Chris Cheek foi virtuoso) este homem continua a surpreender-me.

 

No entanto na próxima quinta há outro “jogo”: o grande McCoy Tyner com voz (José James).

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Lendas


Uma das boas funções do Guimarães Jazz é trazer-nos algumas das lendas vivas do jazz. E traz.
Ontem foi a vez do baterista Roy Haynes (86 anos de saber e boa disposição!) que tenho espalhado ao longo de alguns dos meus discos e que participa na banda de Gary Burton que fez o Times Square de 1978; banda que vi em Coimbra cerca de meia década depois da edição em vinil da ECM.
Curiosamente nessa banda estava Steve Swallow, cuja atuação é hoje.


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A língua

 

Cavaco Silva dirige os trabalhos no Conselho de Segurança da ONU

 

Teve pouco destaque noticioso a afirmação de Cavaco Silva na ONU sobre a importância da língua portuguesa.

O Presidente no entanto lembrou - e muito bem - que a nossa língua deveria fazer parte, não só pela sua história mas fundamentalmente pela sua importância, das línguas oficiais da ONU (actualmente a inglesa, a francesa, a castelhana, a mandarim, a russa e a árabe).

O homem

 

 

Vi ontem, por acaso, uma entrevista de Rui Rio à RTPN. Não mudei de canal pois Rui Rio é alguém que sai do pastoso discurso político e merece por isso especial atenção. Sobre a câmara do Porto, a privatização das águas ou o orçamento de Estado Rui Rio foi saudavelmente contra a corrente.

É pena não o vermos mais vezes nos canais de Lisboa. Talvez se aprendesse a pensar melhor.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Smokin’ joe

Sempre em grande

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O PCTP/MRPP faz parte, não o nego, da arqueologia política portuguesa. Mas de forma saudável e sobretudo de forma coerente.

Durante anos a imprensa andou ao colo com o Bloco (e ainda anda com o minibloco) e esqueceu o PCTP/MRPP. Garcia Pereira sempre o afirmou com razão.

lunidvitoria

Fiquei hoje surpreendido quando vi num jornal diário um comunicado do PCTP, de apoio à greve geral de 24 de Novembro, sobre a forma de publicidade paga. Provavelmente a única forma de se fazerem ouvir…

pctpmrpp

E nele estão coisas que já não ouvia há muito. Num estilo único e irrepetível.

 

“ O PCTP/MRPP conclama assim todos os operários,
todos os trabalhadores de todos os sectores
de actividade, públicos e privados, todos os
desempregados, todos os jovens, todos os idosos,
todos os estudantes e professores, todos os
intelectuais progressistas a apoiarem e, mais do
que isso, a participarem activa e entusiasticamente,
e num espírito de grande unidade, na Greve Geral
Nacional de 24 de Novembro(…)”

 

“Para que possa ser, e seja efectivamente, uma grande e
memorável jornada de luta, cheia de entusiasmo,
de generosidade, de capacidade de lutar por um
País e por um Mundo melhores, sem exploradores
nem opressores!
Para que faça gelar o riso dos palhaços que todos
os dias nos roubam os salários e as pensões e
expropriam o futuro dos nossos filhos e dos nossos
netos(…)”

 

“Pelo derrube do governo e do sistema que nos
explora e oprime!
Por um Governo de Esquerda, Democrático Patriótico!
O Povo vencerá!”

 

Assim sim.

O palhaço

 

Parece que finalmente a Itália e a Europa vai livrar-se de Berlusconi. Pelo menos é isso que o atual PM italiano assegurou ao La Stampa, vergado pela falta de credibilidade e pela perda do apoio na Câmara dos Deputados.

Um jornalista do Público (AGF) resume, com certa graça glosando JFK, o perfil de Berlousconi:

Não perguntem o que posso fazer pelo país mas o que o país pode fazer por mim.

 

Nunca entenderei o que Itália viu neste homem que há cerca de 20 anos vem arrumando com o prestígio e a credibilidade da grande nação italiana.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O cartaz e o cartaz

Além de ser um ótimo festival o Guimarães jazz brinda-nos com excelentes cartazes (como estes).

Este ano salva-se apenas o cartaz musical, já que os cartazes promocionais são de fugir.

No entanto Roy Haines, McCoy Tyner, Cedar Walton ou Steve Swallow são suficientemente enormes para se esquecer o design.

 

Gosto particularmente de Steve Swallow (infelizmente vem com a Carla Bley…) e vi-o pela primeira vez há uns séculos atrás, em Coimbra, a acompanhar o Gary Burton.

 

Um cheirinho com John Scofield:

domingo, 6 de novembro de 2011


"Meia Noite em Paris"

Confesso que não escrevia no blogue do meu querido amigo Rui Vítor há já algum tempo. E das últimas vezes que o fiz, foi para comentar um ou outro filme que tinha visto e me tinha marcado, de uma forma ou de outra. Não o tenho feito recentemente pois as funções de pai impediram-me de ir às salas de cinema, coisa que retomei agora, com alguma nostalgia. 
E voltei para ver a última película de Woody Allen, "Midnight in Paris", um realizador que me tem marcado ao longo de toda a vida. Uma fita a recordar o sentimentalismo romântico que Allen nos habituou, mas, desta vez, a história não se passa na sua amada Nova Iorque, mas sim no lado de cá do Atlântico, na cidade das luzes.
Um filme marcante que conta a história de um escritor de argumentos para cinema e que, numa viagem a Paris com a sua noiva, decide ficar a viver naquela cidade. Mas a história tem muito mais do que isto. Não a irei contar, é claro, pois assim perderia a piada toda para quem lê esta pequena crónica, mas deixo aqui o meu testemunho:

 Não sei se é da idade mas estava mesmo a precisar de ver um filme assim, romântico, nostálgico e sem o cunho Hollywoodesco do cinema americano, mesmo ao estilo de Woody Allen.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Boas histórias

 

Alexis Jenni venceu com a sua primeira obra

DR_in Público

A história de Alexis Jenni dava um bom livro.

Professor de biologia, de origem suíça, viu os seus livros constantemente recusados pelas editoras. Num último fôlego escreveu L’Art Français de la Guerre, recusada prontamente pela P.O.L. … mas aceite pela Gallimard.

Passado poucos meses ele é o novo Goncourt!

Cartoons

Kipper Williams from The Guardian

Kipper Williams

 

schrank

Schrank

 

 

political-cartoon

 

 

christo

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O fumador

 

Já há bastante tempo que os países da UE estão presos no elevador. O elevador não sobe e de vez em quando dá uns solavancos para baixo. Um dos mais gordos no elevador, o PM grego, decidiu fumar no elevador fechado!

E o pior é que esta chantagem sobre os gregos, que Papandreou decidiu arriscar depois do esforço dos outros para não o terem atirado fora do elevador que, afeta a todos e a nós em particular.

 

schrank Schrank. The independent.

 

Haja paciência.

Baratas tontas

metamorphosis_after_kafka_2002 paula rego Paula Rego. Metamorfose.

“Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregório Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto. Estava deitado sobre o dorso, tão duro que parecia revestido de metal, e, ao levantar um pouco a cabeça, divisou o arredondado ventre castanho dividido em duros segmentos (…) Comparadas com o resto do corpo, as inúmeras pernas, que eram miseravelmente finas, agitavam-se desesperadamente diante de seus olhos.

Que me aconteceu? — pensou.”

Franz Kafka. Metamorfose. 1915.

 

 

 

Continuo hoje, mais do que nunca, absolutamente entediado com a avalanche de notícias sobre a crise, os cortes, as enésimas cimeiras de franceses e alemães, as vidências dos economistas do regime que há uns meses atrás não viam a realidade espalmada à frente do nariz, os debates televisivos sobre coisas que deveriam ter sido discutidas há décadas atrás. E essa tontura de tédio só é contrabalançada pelo gelo das evidências. Como chegamos aqui? Que me aconteceu? Perguntamos hoje espantados como o caixeiro-viajante do livro de Kafka que de um dia para outro se viu acordado e irreconhecível na forma de um inseto.

 

De repente, porém, tudo parece estranhamente claro. A generalidade dos países europeus e os Estados Unidos perceberam (apesar de ainda estarmos na fase do espanto boquiaberto e não ainda, infelizmente, na fase das soluções) que andamos a viver acima das possibilidades. Isto é, tornou-se hoje claro para todos que os estados gastam mais do que aquilo que conseguem arrecadar, pois o dinheiro que se gastou não teve a ver com a riqueza que cada país produzia, mas com espectativas ou, pior do que isso, com o comprometimento do trabalho das gerações futuras. As dívidas soberanas dos países mais não são do que, comparando com as famílias, dívidas que um casal assume sem que o seu salário dê alguma vez para as pagar e que a deixam como herança para os filhos ou netos pagarem, pois a dimensão é tal que morrerão muito antes da dívida ser liquidada.

Toda a máquina do estado dos países ocidentais tinha, até há trinta anos atrás, um peso na economia do país de 20 ou 30%. Hoje esse peso passa os 50%. Ou seja aquilo que cria riqueza, como a indústria ou a agricultura, tem cada vez menos gente e menos espaço e é cada vez mais sobre eles que o estado se apoia para ir sobrevivendo. A dívida pública e privada dos países ocidentais passa quase sempre aquilo que esses países são capazes de produzir num ano – os EUA por exemplo – havendo casos como o da Irlanda (10 anos), Reino Unido (4 anos) ou Portugal e França que teriam que trabalhar durante dois anos sem nada gastar para pagar o que devem. Nos países mais vulneráveis como a Grécia, Portugal ou a Irlanda o problema é visível, mas nas grandes potências ele também existe só que fica mais escondido pela dinâmica das suas economias.

Os horrores da última grande guerra na Europa forjaram no carácter dos seus habitantes a evidência de que os europeus juntos estão melhores do que separados. Assim se criou e alargou a então CEE. A par disso os estados ocidentais criaram um conjunto de mecanismos de apoio às populações compatível com as democracias modelo que implementaram. No entanto já há um bom par de décadas que a conquista democrática do poder nos vários estados se fez fundamentalmente à custa de acenar às populações um conjunto fantástico de direitos e de esquecer sistematicamente de lhes lembrar os respetivos deveres. É fácil hoje atirar para a política o odioso, mas foram as pessoas que assim o quiseram. Basta relembrar em Portugal as recentes legislativas de 2009 em que o otimismo megalómano venceu o pessimismo realista. A ilusão é sempre o caminho mais fácil apesar de ser o que mais feridas deixa.

 

 

Apesar dos líderes europeus que temos é bom sabermos que a Europa acolhe, ainda hoje, o melhor da democracia. Somos uma civilização (ou um conjunto delas) invejável. Respeitam-se os direitos humanos e é-se livre. E esses valores são preciosos sobre todas as coisas. Um pedaço de terra onde nasceu Einstein, Churchill ou Cervantes, onde nasceu o renascimento italiano ou a alma teimosa, sonhadora e solidária dos portugueses, consegue com certeza reerguer-se sem atropelar princípios básicos de cidadania. É bom estar atento e dar um pouco de tempo para que esta desorientação governativa no espaço europeu se desvaneça e comecemos a pensar e a trabalhar em conjunto. Esse é o único caminho possível apesar do perigo real dos nacionalismos.

Mas sempre atentos e sobretudo realistas.

 

Publicado in O Comércio de Guimarães