sábado, 31 de janeiro de 2009

Pântano



Hoje o Sol ou o Público, ou mesmo o Correio da Manhã, arrasam com novas sobre o caso Freeport, ou caso Fripór (como Eduardo Cintra Torres (ECT) identifica o caso com o "inglês técnico" do PM).

Tudo isto cheira mal e o Primeiro-Ministro também exala um comprometor cheiro a podre que nem as suas encenações disfarçam, nem a patética prestação da PGR dissipa. Pelo contrário. Cabala? Claro que sim: aquilo que nos andaram a esconder este tempo todo.

Sim, só vamos sabendo coisas porque os ingleses estão interessados em apanhar os seus corruptores e, naturalmente, têm que identificar os corrompidos. Pelo nosso sistema ficamos, como de costume, pela inconsequência dos "apitos dourados".


ECT disse tudo hoje. Passo a citar:


"...O sistema - a investigação, o PGR, a cândida Cândida, a justiça, o parlamento, os partidos, até a constituição - funciona para alimentar o sistema. A normalidade do sistema que nos andam a vender em comunicados, comunicações e entrevistas é a mais absurda anormalidade para nós, os outros todos. O sistema político-administrativo-judicial-financeiro parece só servir para aguentar o poder e a mentira."


Nem mais.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Mil Milhões em rede

Foto: The web that is us por ecstaticist in Fickr


O artigo de Ruy Tukayana Mil Milhões de Internautas no Mundo Digital, citando um estudo da comScore, aponta que o número de pessoas ligadas à Internet é já de 1.ooo milhões (cerca de 15% da população mundial), com a seguinte distribuição por país (top 13):

China

179.710.000

17.8%

EUA

163.300.000

16.2%

Japão

59.993.000

6.0%

Alemanha

36.992.000

3.7%

GB

36.664.000

3.6%

França

34.010.000

3.4%

Índia

32.099.000

3.2%

Rússia

28.998.000

2.9%

Brasil

27.688.000

2.7%

Coreia do Sul

27.254.000

2.7%

Espanha

17.893.000

1.8%

México

12.486.000

1.2%

Holanda

11.812.000

1.2%


Portugal não entra naturalmente neste ranking de treze países mas ultrapassou já o milhão e meio de ligações e o Plano Tecnológico, nomedamente o da educação (uma boa medida deste Governo, diga-se), vão promover o crescimento destes números.

Quanto a países como a China estou para ver qual o impacto que esta liberdade na web (apesar de vigiada) terá sobre as necessidades de Democracia do povo chinês.

Creio que quanto maior for a informação, maior será o desejo de liberdade.



Agent Provocateur

O Público noticia hoje que o anúncio que a seguir vemos (protagonizado por Kylie Minogue) foi considerado o melhor anúncio de sempre a passar nas salas de cinema britânicas.


Pudera ...

Parceria público privada

Esta sim é uma boa parceria.
Os The Last Shadow Puppets são uma aliança entre Alex Turner dos Artic Monkeys e Miles Kane dos The Rascals.
Este tema My mistakes are made for you é bem imaginado, bem cantado, e, no mínimo, muito feliz.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O chico esperto

O caso Freeport está a fazer o Primeiro-Ministro passar tempos difíceis (e esperemos que se esclareça este caso de uma vez por todas!), mas o dia de ontem na Assembleia da República também não foi nada fácil.
O líder paralementar do PSD, Paulo Rangel, veio, uma vez mais, mostrar que "o rei vai nú", ao denunciar que o PM mentiu ao dizer que o estudo da educação em Portugal foi feito pela OCDE, quando não o foi.
Sócrates espera sempre que a coisa passe. Como parece ter passado relativamente aos projectos da Câmara da Guarda ou em relação à sua estranha licenciatura.
E se a coisa azeda, vitimiza-se.

Os arrependidos

Desde muito cedo que me apercebi que o comunismo era algo que detestava em ideia e um regime contra o qual lutaria, com todas as minhas forças, se um dia fosse instituído no meu país.
Além de que a postura de massas de seguir tudo, silencioso e acrítico, no "trilho de comboio" me faz uma tremenda confusão.
No entanto, aprecio e admiro alguns militantes comunistas, que fazem da combatividade e seriedade importantes bandeiras que, a meus olhos, se sobrepõem à ideologia que professam. Mas há realmente algo que me mexe com os nervos: os ex-comunistas que, como este sr. (Presidente da CM de Sines), aceitaram durante anos as regras do PC aplicadas a outros camaradas, e quando lhes toca vêm apodar o partido dos melhores nomes que os "inimigos do partido" usariam para criticar o PC. Manuel Coelho veio, lembre-se, apodar o seu partido de "estalinista" e de ter uma "disciplina de caserna". Para um militante com mais de 30 anos de filiação é, no meu entender, uma "revelação" um tanto ou quanto tardia?
Já para não falar em ideologias sustentadas numa Cortina de Ferro...
Onde estavam este e outros ex-comunistas, aquando da da invasão da Hungria em 56 ou em 1968 na Primavera de Praga?
Abomino fariseus.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Stereophonics

O tema Maybe Tomorrow dos Stereophonics pelo vocalista Kelly Jones no programa de Jools Holland, que infelizmente perdemos e não temos no cabo. Uma interpretação limpinha e um desejo de "BBC2 já"!


terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Álvaro, Siza, Barcelona

Foto: Graeme Robertson/Guardian

O Arquitecto Álvaro Siza Vieira irá, no final do próximo mês, receber um importante prémio de arquitectura: a medalha de ouro do Royal Institute of British Architects.
A este propósito o The Guardian realizou uma interessante entrevista em que, entre outras coisas, Siza revela que o sua "revelação" pela arquitectura deu-se quando aos 14 anos viu a Sagrada Família do Gaudí, em Barcelona.
Também quando a vi pela primeira vez foi um autêntico soco. Ainda bem que já não tinha idade para que aquela assombrosa visão resultasse em mim como uma "revelação". Já que a distância entre os meus olhos e as minhas mãos é maior que o normal.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Liberdade

Houve quem temesse que o "desaparecimento" de Bush iria tirar brilho ao Daily Show do Jon Stewart.
Pelo menos por este exemplo não. Com o excepcional John Oliver e a fervorosa assistência da tomada de posse de Obama.



fly Bird fly


O álbum Noble Beast de Andrew Bird editado no início do ano nos EUA e que chega às nossa lojas no início da próxima semana é genial.
Não partilho nenhum vídeo pois nenhum deles tem a qualidade mínima para espelhar, nem que desfocadamente, a qualidade deste disco.

O melhor cartão de visita é o excelente (e parcial) artigo de Rui Tavares na Y:

"É uma regra não escrita de quem escreve na imprensa. Uma vez por geração temos a prerrogativa de identificar um artista em cada género e defendê-lo com a mesma veemência com que defenderíamos o nosso próprio caso de vida ou morte em tribunal. Com exagero. Se o fizermos uma vez por semana e não por geração estaremos a abusar um bocadinho da prerrogativa - não que isso seja errado. Se nunca o fizermos, é pior: estaremos a perder a oportunidade de olhar para fora da nossa casca. Seja como for, mais vale falhar do que desperdiçar a ocasião. E é assim que eu, investido da irresponsabilidade de nunca ter escrito sobre música nem ter entrevistado um músico, estou preparado para proclamar que Andrew Bird é o meu génio vivo preferido. Proclamar talvez não seja a palavra adequada. Sugerir. Adoptar, enfim. Adopto esta proclamação. Vale o que vale."

Mais uma pequena rendição



O jornal Público traz hoje uma notícia cujo título é "Ministério da Justiça manda retirar 32 caixas multibanco para aumentar a segurança e evitar assaltos nos tribunais".
Ou seja, em vez de reagir aos sucessivos assaltos às caixas do multibanco dos tribunais, o Estado decide render-se. Claramente e sem hesitações.
Como disse o presidente do sindicato dos Funcionários Judiciais "... fazer isto é o mesmo que acabar com os fogos florestais arrancando as árvores da floresta". Lamentável.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Benjamin Button


O Estranho Caso de Benjamin Button é um filme curioso e interessante, realizado por David Fincher do viciante Panic Room e de filmes como Se7en ou Fight Club.
Esta história (baseada numa história original de DH Lawrence, que suponho magistralmente adaptada por Eric Roth) prende. É sobre o tempo e o seu significado. Sobre o seu peso. Sobre nós.
Uma boa história e actores competentes são sempre os ingredientes de um bom filme, como este.




sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

TVotR 2

TV on the RADIO uma vez mais neste espaço...



Dancing Choose do interessante Dear Science editado em 2008.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Azar



Há bons exemplos de pensamento liberal e dos seus pensadores. Há décadas que se discute o papel do Estado ou o seu desejável “não-papel”. Em Portugal na ala liberal destacam-se, actualmente, Pires de Lima e, mais recentemente, Pedro Passos Coelhos. Homens de valor que assumiram ter um “pensamento” para sustentar as suas posições políticas e ideológicas. Santana Lopes "foi" liberal mais por uma questão de forma, e de mesmo de estética, que de conteúdo. Ora, a situação económica e financeira que nos caiu em cima vem claramente “tirar o tapete” ao liberalismo económico. A sensação com que se fica (e ouvi há pouco Pires de Lima numa entrevista à Antena 1, se bem que a Maria Flor Pedroso não explorou muito este tema) é a de ver um negro a entrar por engano numa reunião de skinheads. Que o diga David Cameron em Inglaterra… que ainda deve estar para perceber o que é que lhe aconteceu nos últimos 3 meses.

Para que se saiba


O coro ensurdecedor de críticas que se fizeram a George W. Bush, renovadas agora na altura da sua saída, fez-me lembrar, no tipo e na forma dos ataques algo do passado: a presidência de Ronald Reagan.

Só queria aqui lembrar que estava vivo e atento durante a década de 80. E quando leio hoje nos jornais, mesmo mais à esquerda, subtis elogios à política económica de Reagan, quando vejo (aí nos editorialistas mais conservadores) elogios à política externa e militar da administração Reagan que fez “estourar” com a União Soviética, lembro-me de, por todo o mundo, Reagan ser considerado um presidente inapto e estúpido, a que a condição de actor de segunda em westerns dava um colorido especial.

É óbvio que, do ponto de vista económico, George W foi um fracasso, não há por onde iludir. Do ponto de vista militar e de política externa, não me parece que tenha sido inteligente na forma como conduziu a “questão do Iraque”, mas é para mim também óbvio que uma postura de diálogo compreensivo com os extremistas e/ou governos que os apoiam depois do 11 de Setembro não seria um caminho viável e, esse sim, verdadeiramente desastroso.

É importante apenas recordar que, tirando agora Bush, Reagan foi, que me recorde, o presidente norte-americano mais criticado na história recente dos EUA.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O desejado


Barak Obama toma amanhã posse como 44º Presidente dos EUA. Dificilmente o panorama político e económico poderia ser pior, mas esse facto leve a que a esperança nele depositada seja enorme.
Ao longo destes últimos dias, nas cerimónias que antecedem a tomada de posse propriamente dita, Obama tem revelado um discurso forte e motivador. E é de motivação que a América e nós precisamos.

Boa Sorte.

Il regista



Se há realizador de que tenho saudade é de Nanni Moretti. Saudade dos seus primeiros filmes, da simplicidade das suas histórias de personagens complexas. Até ao magistral Querido Diário foi sempre "a subir", depois ... ficou muito a desejar ao nível da criatividade e da surpresa que os seus filmes causavam.

Revi este fim-de-semana Bianca (83) e A Missa Acabou (85) e algumas personagens fizeram-me lembrar o realizador de hoje. Obececadas por ideologias. Sectárias. Surdas. Inutéis como o filme Caimão. Não é que Berlusconi não mereça, eventualmente, desprezo, mas não merece o ódio e a energia criativa que Moretti lhe vem "dedicando".

Ritorna Nanni Moretti!



sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Sinatra e Watertown


Tenho um profundo gosto pela música de Sinatra.
Esse gosto resistiu à minha (musicalmente) sectária pós adolescência, incólume. A sua clareza e o seu swing sempre foram, para mim, irresistíveis. Vi-o claro nas Antas em 1992, com 76 anos, uma sombra do que havia sido, mas vi-o (de longe) e ouvi-o. Sempre Sinatra.
Descobri há uns meses, finalmente, o álbum Watertown, de 1970, um álbum conceptual bastante esquecido mas igualmente brilhante.

Produzido por Bob Gaudio (que compôs as canções do disco) é um álbum diferente e marcadamente "datado", isto é, claramente influenciado pela política de então, em que a música ou o cinema tinham que transmitir uma "mensagem" e falar do homem comum. Watertown é "datado" sem dúvida mas é Sinatra com interpretações de sonho (For a while, Michael & Peter
ou What's now is now, são excelentes exemplos).
Artistas geniais como Sinatra, com uma carreira prolífica como a dele, continuam a ser redescobertos nesta abençoada (e já madura) época do digital, que nos permitem descobrir coisas novas e belas.
Esta é uma delas. Assim como o é o Empire State Building iluminado de azul para celebrar ou lembrar Sinatra.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

TVotR

Os TV on the Radio, banda de Brooklyn-NY, são do melhor...
Fica um vídeo não oficial, cheio de defeitos, mas honesto, do tema Crying.


Mezinhas para 2009 (I)


Não me recordo de um ano que tenha nascido, como este ano de 2009, com tão baixas expectativas para todos nós. A perspectiva não é a de o viver, mas simplesmente a de lhe sobreviver.

Naturalmente que o nosso optimismo está no vermelho como o combustível dos nossos carros. E quando toca a pessimismo nós, os portugueses, somos óptimos. Poucos como nós são capazes de carregar tanto desamor, provavelmente porque o espaço do amor replica-se simetricamente no espaço do não amor.

Ora, se entrarmos em 2009 de cabeça baixa ir-nos-emos afundar ainda mais, até submergirmos no solo que nos deveria sustentar. Por isso, alguns modestos conselhos para um 2009 mais leve:

Aprenda a cozinhar. Com a “literatura culinária” que hoje existe é relativamente fácil, mesmo para os mais empedernidos dos não cozinheiros, esmagadoramente do sexo masculino, fazer um brilharete na cozinha nas noites de sexta ou sábado, poupando dinheiro e trazendo algum requinte às refeições. Acreditem aqueles que nunca cozinharam que as horas gastas a confeccionar uma refeição são do mais libertador que existe. Durante o par de horas em que se cozinha não se pensa em nada a não ser no paladar e nas quantidades que devemos gerir, e isso limpa a alma como um jacuzzi ou uma hora de ioga sem termos de pagar por isso. Dois conselhos finais: aceitem o fracasso das primeiras refeições sem distribuírem tabefes pela pequenada e (para os homens) não façam doces, engordam muito. Acreditem que não fica bem dizer à namorada, ou à mulher, que vão confeccionar um delicioso tiramisu ... incomoda. Quanto ao resto, força aí.

Visite a sua própria terra como se estivesse no estrangeiro. Quando saímos para “fora” enchemo-nos de mapas e guias e sorvemos a explicação dos monumentos como se fosse o nosso último dia. Porque não o fazemos na nossa própria terra? Nem que seja num sábado por mês vão aos postos de turismo e peçam os prospectos que se dão aos estrangeiros e sigam as recomendações (há-os em português), vão ver que há coisas que desconhecemos e que estão mesmo debaixo do nosso nariz. Ir a Briteiros visitar a Citânia ou a Casa de Sarmento, ir aos nossos museus e às nossas igrejas e “perder tempo” a reparar nas coisas é um exercício simples e barato que nos vai certamente tornar melhores e mais cultos. E se levarmos o exercício muito a sério vai parecer que viajámos para longe e vai ser bom regressar.


Fotos: Óbidos (mj_almeida) e Portinho da Arrábida (moranguita) in Fickr

Mezinhas para 2009 (II)


Aprenda a viver em comunidade. A relação com a vizinhança é algo que, de uma maneira geral, nos consome a todos. Ao não verbalizarmos um incómodo vai crescendo dentro de nós uma poderosa angústia derivado daquilo que pensamos dos outros ou daquilo que, pensamos, os outros julgam de nós. Não há nada como dar a cara: toque à campainha do vizinho e diga “Ó Sr.Coelho vinha aqui pedir desculpa por ontem à noite ter dado uma festa até às tantas”. O vizinho vai ficar tão atarantado que dirá num assomo de compreensão “Ó Jorge deixe lá, também já tive a sua idade”. Falar não custa nada. Não falar é, muitas vezes, o pior. E já agora se for solteiro e se a sua vizinha também o for, ofereça-lhe uma flor com o pedido de desculpas, vai ver que é infalível. Se não for solteiro e/ou a vizinha também não o for, as coisas podem, naturalmente, complicar-se um pouco.

Participe na mudança. Os portugueses, ao contrário doutros povos europeus, não votam “a favor de” mas quase sempre “contra”. O medo da mudança é algo de endémico que nos mantém tolhidos e atrasados. “Vou votar no Sr.Almeida, porque o outro, como é que ele se chama … só quer ir para o poleiro”. E depois? Ter coragem para mudar é higiénico, faz com que as coisas andem para a frente, é essa a essência da Democracia. Se qualquer coisa importante o incomoda use o seu direito para fazer mudar as coisas e depois “logo se vê”. Aliás o “logo se vê” deve ser uma filosofia a usar em 2009. Qual o problema? Quando as nossas caravelas foram à procura de novos mundos certamente que os comandantes perante as dúvidas que se lhes punham disseram “nós vamos partir e depois logo se vê”.


Nunca assobie à sua equipa. Assobiar faz mal à saúde e quando se assobia à própria equipa fazemos mal a nós mesmos. Será que assobiar ajuda? Quando saímos do estádio vamos mudar de clube? Se não, porque é que se assobia? Deixemo-nos, por isso, de atitudes inúteis.


Aproveite o sol. Ao fechar os olhos na praia ou na varanda para deixar que o sol aqueça o corpo lembre-se que em Londres chove e em Berlim chove. O clima que nos deram e que faz com que os estrangeiros se venham aqui “avermelhar” é uma bênção.

Leia. Um bom livro é às vezes melhor que um bom amigo, é um pai que nos ensina e que nos melhora as conversas e os pensamentos, quiçá os sonhos.

Bom ano.

Fotos: Guimarães (Francisco) e Almourol (Hamster volador) in Flickr

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

CR7


Pessoalmente já não aguento o Cristiano Ronaldo. É, no mínimo, maçador e o seu futebol, actualmente, é uma sombra daquilo que lhe vimos fazer.
A sua "existência" no entanto justifica-se pelo extraordinário "boneco" que o Nuno Lopes dele fez (e felizmente, continuará a fazer).


Golden Globe 2


A encantadora Kate Winslet (perfeita em filmes soberbos como Little Children de Todd Field) terá em Portugal a estreia dos filmes Revolutionary Road de Sam Mendes a 29 de Janeiro



e The Reader de Stephen Daldry (realizador de As Horas e Billy Elliot) a 12 de Fevereiro




A actriz ganhou dois globos de ouro por estes dois filmes (de actriz secundária no filme de Daldry e de actriz principal no filme de Sam Mendes).

Quem quer ser milionário?

O filme de Danny Boyle, o realizador inglês do fantástico Trainspotting (já lá vão quase 12 anos!), ganhou ontem o Globo de Ouro para melhor filme, categoria de drama, pela obra Slumdog Millionaire



Valerá, com certeza, esperar pela sua estreia no nosso país...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Mais uma do VPV

Depois da notícia do Expresso de há uma semana, VPV veio ontem, Domingo, pôr o dedo na ferida. Muito bem, como geralmente acontece.

Nunca a gente que ocupou o Ministério da Cultura conseguiu perceber que a sua principal responsabilidade era o património. Por uma razão óbvia: as clientelas que pedem (ou, mais precisamente, exigem) dinheiro ao ministro, ou à ministra, vêm do teatro, do cinema ou de outras formas de espectáculo, enquanto, por definição, ninguém ou quase ninguém fala pelo património - por uma biblioteca, um arquivo ou o centro histórico de uma cidade. A política de satisfazer quem faz barulho prevaleceu sempre sobre a política de preservar a herança e a memória do país. Mesmo as câmaras, de quem teoricamente se esperaria outro critério, preferiram sempre, em nome da "descentralização", impingir ao Estado (para o Estado pagar) o cine-teatro ou a casa-museu do sítio, a um esforço de valorização do património local.

(...)
E não se chega à presente catástrofe em menos de anos sobre anos de abandono e de incúria. Quando se pergunta como depois da democracia e da Europa acabámos nesta melancólica miséria, basta pensar na política de promoção e defesa do património cultural; no oportunismo, desorganização e pura estupidez de que ela precisou para durar.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Neve (parte 2)



Neve








Não me lembro de nada assim em Guimarães.

Insólito...


... se bem que propositadamente insólito, Larry Flint, um dos mais importantes homens da pornografia americana pediu ao congresso americano 5 biliões de dólares (para nós 5000 milhões$US) para ajudar a sua indústria, à imagem do que a Administração tem feito com outras actividades económicas.

Citando o Época Negócios, da cadeia Globo, Flynt disse que "com toda a desgraça financeira e as pessoas perdendo dinheiro, sexo é a última coisa em que vão pensar”.“As pessoas estão muito deprimidas para estarem sexualmente activas, o que não é natural e transforma os EUA em um país pouco saudável. Os americanos podem ficar sem carros e outras coisas, mas não podem ficar sem sexo”.

A história de Larry Flint foi-nos contada por Milos Forman num filme cujo trailler aqui deixo:



quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Quero o meu rim de volta


Há notícias realmente estranhas. Esta é uma delas (reportagem da CBS news). Um marido traído, em proceso de divórcio, exige que a sua mulher - a quem havia doado um rim para lhe salvar a vida - lhe devolva o seu rim ... ou o pague.


Simple e útil


Um excelente conversor de pdf para word, grátis e sem burocracias, podem descarregá-lo aqui.

Helena Matos hoje no Público


Queria fazer cortes neste texto de Helena Matos. Mas não o consegui.

Livro de estilo para referir Israel

08.01.2009, Helena Matos

Os discursos do médico norueguês, do padre católico e da activista da ONG permitem que o Hamas não preste declarações

No dia em que escrevo, quarta-feira, confirma-se que mais uma vez uma cadeia de televisão europeia, a France 2, transmitiu imagens falsas numa reportagem que dedicou ao ataque israelita a Gaza. Crianças mortas e uma casa destruída ilustravam os efeitos dramáticos entre os civis palestinianos dos bombardeamentos efectuados pelo exército de Israel.
Poucas horas após a emissão da reportagem concluía-se que destas imagens apenas os cadáveres e o prédio destruído não foram ficcionados. Aquelas pessoas morreram, mas não morreram a 5 de Janeiro de 2009, como afirma o jornalista da France 2, mas sim a 23 de Setembro de 2005. Também não morreram na sequência de um ataque israelita mas sim no resultado da explosão acidental de um camião que transportava rockets do Hamas dentro do campo de refugiados de Jabalya. Defende-se a France 2 dizendo que foi enganada pela propaganda palestiniana. Nestas coisas da comunicação, os palestinianos têm de facto as costas demasiado largas, pois aquilo a que temos assistido nos últimos anos é à participação voluntária e entusiástica de vários órgãos de comunicação ocidental na diabolização de Israel, através da divulgação de imagens e notícias sem qualquer tipo de confirmação das fontes ou até mesmo com a promoção de imagens e notícias falsas. Foi assim com o relato da morte de Muhammad al-Durrah, o menino que, em Setembro de 2000, segundo uma reportagem da mesma France 2, teria sido baleado por soldados israelitas junto ao seu pai, acabando os dois assassinados. A imagem da criança tentando proteger-se sob o cadáver do pai emocionou o mundo e legitimou a segunda intifada. Infelizmente, os mesmos jornalistas que tão rapidamente espalharam esta imagem não se deram ao trabalho de divulgar as investigações que provavam a sua manipulação. Maior silêncio ainda caiu sobre os responsáveis pela morte da família de Huda Ghaliya, a menina que o mundo inteiro viu chorando sobre os cadáveres de toda a sua família, numa praia de Gaza, em 2006. Os jornais ocidentais, com a mesma diligência com que a promoveram o novo ícone palestiniano, também o esqueceram quando se soube que a sua família não morrera vítima de um ataque israelita mas sim de armas palestinianas. Os exemplos desta fábrica mediática de mártires para ocidente consumir levam-nos invariavelmente à constatação de que existe no ocidente uma espécie de "insurgentes de sofá". Tal como os treinadores de bancada raramente praticam qualquer desporto, também estes "insurgentes de sofá" jamais pegariam numa arma ou fariam um atentado. E não o fariam porque moralmente não seriam capazes e também porque este mundo ocidental do qual dizem tanto mal lhes tem proporcionado invejáveis padrões de vida. Israel torna-se assim no "lugar ideológico" que lhes permite acharem-se ideologicamente coerentes enquanto usufruem o que de melhor a democracia a que dantes chamavam burguesa tem para oferecer. Claro que há algumas décadas outros povos acompanhavam os palestinianos como objecto da sua solidariedade. Eram então os vietnamitas, os cambodjanos, o então designado "povo mártir da Coreia do Sul", os angolanos, os moçambicanos, os rodesianos... enfim todos aqueles povos cujos problemas pudessem ser de alguma forma imputáveis a países que alinhassem no chamado bloco ocidental. No preciso dia em que a culpa deixou de poder ser assacada a portugueses, norte-americanos, ingleses... esses povos deixaram de gerar piedade e desapareceram os activistas. Os massacres no Ruanda, a fome no Zimbabwe, as epidemias no Congo e a corrupção em Angola não só deixaram o paradigma das notícias que causam indignação como passaram a ser apresentados sob as vestes da fatalidade histórica. De igual modo, quando os palestinianos se matam entre si, por exemplo quando o Hamas chacinou os membros da Fatah, o facto é ignorado. Se Israel - ou seja, o país do nosso mundo - não é passível de ser responsabilizado então mal existem notícias e muito menos indignação. Donde também nunca ouvirmos falar da situação dos palestinianos no Líbano e no Egipto ou das medidas tomadas pela Jordânia para controlar os movimentos que os representam.