segunda-feira, 23 de maio de 2011

Incomparável tristeza

0_DESPORTO_Vitoria_10-11_flavio_pequeno_grande_detalhe Foto_Guimarães Digital

 

Não só não foi desta que o Vitória conquistou um troféu relevante, como, se já não bastasse a desilusão de não conseguir ganhar o jogo, saiu vergado do Jamor com uma derrota humilhante.

 

E como é possível defraudar tantos vitorianos (que em número e entusiasmo, pelo menos até ao falhanço do penalti, rivalizaram com os adeptos de um clube que este ano ganhou tudo de forma clara e consistente), e achar-se que o que aconteceu foi normal?

Só por masoquismo ou por burrice, ou até por uma combinação das duas.

Ouvir o Manuel Machado (MM) dizer que tivemos uma grande época não é realismo é propaganda.

Confessei, no início da época, aos meus amigos mais próximos, que se tivesse responsabilidades directivas assinava com o MM por dez anos. Pareceu-me sempre um homem correcto, trabalhador e razoavelmente competente. Mas esta época deu tudo para o torto. Dificilmente percebeu a equipa. Não percebeu o Rui Miguel, demorou mais de dois meses a perceber que o Bruno Teles estava mal, descobriu o N’Dyaie quando todos os outros centrais estava castigados ou lesionados, encostou o Custódio pelo Cléber, diz defender o Edgar mas sacrificou-o no último jogo em casa a uma assobiadela monumental (tanto de forte como de estúpida) que lhe ecoou ontem na cabeça, não tenho dúvidas … e que é um jovem com potencial que precisa mais de trabalho mental do que técnico. Enfim, uma desgraça.

Para terminar em beleza recorreu ao truque do vitorianismo bacoco criticando, na véspera, os guerreiros do braga que, como vimos, tiveram uma atitude valente em Dublin. Uma desgraça de comunicação digna daquilo que o braga, sempre invejoso, nos fez ao longo de anos … e ainda hoje nos faz. Contam-me amigos meus portistas que foram a Dublin, que a meia-dúzia de adeptos do braga que lá se deslocou cantavam, fundamentalmente, cânticos anti-vitória.

Ir ontem à conferência de imprensa e dizer bem desta época é uma vergonha.

Graças a Deus que, já no regresso, ouvi um André Vilas Boas sempre respeitoso – ao contrário dos seus dirigentes – e que dá gosto ouvir falar, pois fala do que sabe e não se põe a inventar, a provocar, a encher o peito de vaidade. É um notável exemplo de competência, sobriedade e elegância. Nas declarações tentou sempre não deixar que qualquer palavra, apesar da estrondosa vitória do Porto, pudesse parecer desrespeitosa. Enfim: um senhor, um jovem senhor.

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Ontem saí do Jamor após o apito. Não saí antes pois ainda estava atordoado e não entendi porque é que se gerou uma troca de palavras entre os que ficaram e aqueles que, legitimamente, não aguentaram ver mais … aquilo. E demorei imenso pois aquele estádio não serve para jogos desta dimensão.

 

 

Hoje ao entrar na minha escola e ao estar com os meus alunos o silêncio foi palavra de ordem. Cada um cumpriu as suas funções e não se falou do acontecido. Foi demasiadamente mau para ser recordado. Mas não pude deixar de me comover com aquela paz triste e aqueles jovens que podiam torcer pelo Porto, pelo Benfica ou pelo Sporting, como tantos outros jovens de outras cidades, mas preferem honrar a sua cidade e o seu concelho com o respeito pelo seu clube … apesar da continuada mediocridade de quem o dirige e representa.

E eu que nem sou de me queixar nem me dá para o jacobinismo (futebolístico ou de outra natureza) começo, definitivamente, a ficar farto.

2 comentários:

luis cirilo disse...

Não posso estar mais de acordo.
São demasiadas desilusões,demasiadas frustrações, demasiadas "mortes" na praia.
Creio que o Vitória se encontra num dos momentos mais dificeis da sua História.
Porque o divórcio entre equipa/dirigentes e adeptos é imenso.
Dizes ,com razão,que MM demorou a perceber algumas realidades.
Infelizmente creio que esta direcção NUNCA perceberá o clube quanto mais os adeptos.
Receio que a manter-se este estado de coisas a próxima época seja muito complexa.
Logo a começar pelos alugares anuais vendidos.
E depois pelas prestações desportivas.
Espero estar enganado.
MAs acho que não estou.

Rui Vítor Costa disse...

Há algo de verdadeiramente insuportável em toda esta história, até porque dá pena ver tanta paixão e dedicação funcionando como "pérolas a porcos".