sábado, 16 de junho de 2012

Mulheres

 

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Uma das mais curiosas e acertadas caricaturas da diferença entre homens e mulheres vi-a há uns tempos sob a forma de uma fotografia que me enviaram por e-mail. A imagem reduzia o homem e a mulher a duas caixas eletrónicas. A das mulheres apresentava um painel complexo, cheio de botões, luzes, led’s, legendas e lâmpadas; a do homem apresentava apenas um interruptor com a frugal legenda on e off. E eu achei brilhante porque as coisas são mesmo assim … desde o início dos tempos. Não fora o apurado sentido de Eva em ouvir a serpente, reparar na maçã e querer a maçã, ainda estaria por lá o Adão a contemplar com ar plácido e bovino o Jardim do Éden.

O homem é um ser muito pouco complexo, fácil de perceber e que atinge ao longo da vida momentos de rara felicidade com coisas tão simples como cerveja, amendoins e um comando de televisão, quando combinadas então as três pode mesmo atingir estados de transcendência espiritual que só os monges tibetanos conseguem após muito treino e prolongados retiros. A mulher é outra coisa completamente distinta. A perfeição é para elas uma permanência, tão exasperante quanto inatingível. Podem estar deslumbrantes, a vida profissional pode correr-lhes de feição, mas há sempre uma luz que se acende e as indispõe em coisas que nós, simples homens, nem sequer reparamos. E depois há sempre aquele: então o que se passa? E ela diz nada e nós ignoramos e a coisa fica pior do que o que já estava. Mas podemos ficar tranquilos pois a equação delas é, desde o início, irresolúvel, caso voltássemos à carga com diz lá o que se passa, a coisa não tinha melhor futuro pois não temos capacidade, e deveríamos ter segundo elas, para perceber sem perguntar. Enfim.

 

 

O homem não tem paleta de cinzentos e isso torna-nos particularmente frágeis no mundo feminino. No mundo masculino ou há amizade ou há zanga, não há amuos. No mundo feminino tudo o que parece raramente é. São dois mundos à parte que convém cruzar com parcimónia, como as galáxias. Cada coisa no seu lugar elas belas e complexas e nós previsíveis e úteis. Aliás a utilidade é o nosso grande trunfo. E para quem, como eu, não consegue ser minimamente útil na bricolage, veio ao meu encontro essa ventura do destino: a tecnologia.

Suponho que a dificuldade das mulheres para lidar com dispositivos eletrónicos vem do facto de terem as vias cerebrais demasiado congestionadas com várias coisas, enquanto nós mantemos saudavelmente sem tráfego alguns neurónios. As mulheres tiram o mesmo partido das tecnologias daquilo que nós fazemos relativamente à variedade da roupa se formos sozinhos às compras, ou seja, o mínimo possível. E se qualquer coisa falha é vê-las a olhar para os comandos, que raramente associam de forma correta ao aparelho respetivo, como se se tratassem de objetos deixados por algum ser alienígena na sala da casa. Não estando nós nas imediações elas telefonam furiosas, como se nós tivéssemos a culpa da sua inabilidade, e frequentemente se vê um pobre homem, interrompendo uma importante confraternização, explicando pacientemente os princípios básicos de funcionamento dos aparelhos.

 

 

Para os homens há o hoje, para as mulheres há o amanhã, daí que 9 em cada 10 pessoas que fazem caminhadas são do seu género. E as particularidades mais benevolentes da espécie tornam-nas difíceis de entender mas ao mesmo tempo encantadoras. A sua inconstância faz com que uma mulher pareça muitas; e a nossa previsível perversidade satisfaz-se com a oferta. Por isso somos capazes de as amar com inexplicável devoção. Amar uma mulher tem a adrenalina de todos os despostos radicais (por isso não os pratico, é escusado) e, ao mesmo tempo, tem a fragilidade de um cristal. E esse desafio é absolutamente irresistível.

 

 

O primeiro-ministro é um homem de carácter e de propósitos firmes, mas tem às vezes irritantes determinações femininas. A dos feriados é a mais exasperante. Creio que a maioria de nós já percebeu que tem de trabalhar mais e melhor mesmo ganhando menos; é inevitável para manter este barco a flutuar. Agora esta obsessão de mexer no que está quieto, de mostrar serviço em todos os domínios, chega a ser um pouco cansativo. Valha-nos este ano a sabedoria inercial da Igreja para nos manter o botão no off mais dois dias.

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