quarta-feira, 9 de novembro de 2016

As mulheres e a política



“Em política, se você quer que algo seja dito, peça a um homem. Se quer que algo seja feito, peça a uma mulher.”

Margaret Tatcher. Discurso ao National Council of the Townwomen’s Guilds. 1965.




Mafalda.Quino.





Espero (mesmo muito!) que as dificuldades sentidas por Hillary, nestas eleições americanas, sejam ultrapassadas e ela se torne a primeira mulher presidente dos Estados Unidos da América. Espero (mesmo muito!) que ela já seja efetivamente presidente e o burgesso do Trump nos desapareça (até) da memória. Porque será que a candidata melhor preparada para ser presidente dos EUA, pelo menos desde J.F.Kennedy, tem tantas dificuldades em descolar daquele lagostim ignorante?
A grande e simplista explicação é de que Hillary é uma mulher. Tenho para mim que, de uma forma geral, as mulheres têm pouco jeito para a política. Chamem-me sexista, aguento. Os homens na política descobrem o seu lado feminino e assim se complementam. As mulheres na política masculinizam-se e perdem graça, tornam-se insuportavelmente sérias. A poderosa Tatcher nunca teve a grandeza de um Churchill nem a feminilidade de um Blair. A sensível Angela nunca terá a ponderabilidade de um Kohl. A Dilma apanhou com a fava do Lula que continuará a escapar como uma enguia aos escândalos que semeou. Nos EUA é a mesma coisa. Aguentamos as mentiras do Bill como verdades e as verdades de Hillary parecem, estranhamente, sempre falsas. Porquê?

A inteligência concreta. Sendo as mulheres, indubitavelmente, mais inteligentes que os homens, isso joga em seu desfavor na política. Racionalizar em política tem o mesmo alcance de racionalizar no futebol, uma coisa não casa com a outra. E racionalizar demais transforma-se, frequentemente, em azedume. E ser-se azedo em política não traz vantagem nenhuma, bem pelo contrário.
O lado fanfarrão e infantil dos homens, por outro lado, é apropriado à política. Para eles nada é imutável, nada é definitivo, nada é impossível. A realidade nunca é a realidade mas aquilo que sobre ela dizemos. Tudo é muito mais fácil dessa forma.

A teimosia. Nada é mais caracterizador do género do que a inflexibilidade das mulheres. Quando viram para um lado não há volta a dar-lhes. Eu que tive e tenho a sorte de viver rodeado de mulheres já de há muito percebi que é impossível ganhar-lhes uma discussão. Não se ganha uma discussão a uma mulher, nunca se ganha. Mesmo quando as fazemos calar pela força da nossa retórica razão, só as fazemos calar mas não as convencemos. O silêncio delas não quer dizer que nós ganhamos, não, quer apenas significar que elas naquela altura específica não escolheram as palavras certas, apenas isso. A razão das mulheres não é uma construção metafísica é um dogma. A verdade das mulheres é biológica não é filosófica.

A multifuncionalidade. Uma das coisas de que as mulheres modernas mais se orgulham, comparativamente connosco - os homens - é a sua capacidade de fazerem várias coisas ao mesmo tempo. Pensam na roupa dos filhos, na medicamentação da sogra, enquanto levantam a fervura ao arroz, ouvem a Judite de Sousa e trauteiam uma música da Beyoncé. Bravo! No entanto a vida não são os Jogos Sem Fronteiras em que os concorrentes empilhavam coisas na cabeça, seguravam a faixa da equipa com os dentes, empilhavam roscas nos braços, enquanto corriam para a meta em cima de estrados sobre a piscina. A vida é felizmente mais simples.
A monofuncionalidade em política é fundamental. A arte da política está em fazer várias coisas, uma a uma, e não muitas coisas ao mesmo tempo. E aí as mulheres ficam a perder, são demasiado ambiciosas e isso tira-lhes a concentração e a objetividade.

Vou haver-me certamente com a minha mulher por este meu “momento Pedro Arroja”. Paciência. Talvez a faça rir com um qualquer comentário posterior. E aí estarei salvo. As mulheres apreciam, fundamentalmente, quem as faça rir, quem as faça sentir bem. E quem melhor que nós -os abstratos, os flexíveis e monofuncionais seres masculinos – para cumprir essa higiénica função existencial?


Publicado in O Comércio de Guimarães (09.11.16) 

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