quarta-feira, 22 de maio de 2013

A lógica da batata


O jornal Público relata hoje, citando a revista eLife, que foi identificado ao nível genético a estirpe do fungo Phytophthora infestans  responsável pela grande fome na Irlanda em 1845, com consequências catastróficas nos anos seguintes.










A relação entre irlandeses e ingleses nunca primou pela amizade. Em meados do século XIX os irlandeses eram governados por ingleses  (ou pelas suas marionetas). As famílias protestantes, ou misturas anglo-irlandesas, dominavam a economia da ilha sendo a batata a base alimentar da grande parte dos irlandeses. A praga de 1845 matou cerca de um milhão de irlandeses e forçou outros tantos a emigrarem para países como os Estados Unidos. A insuficiente e insensível maneira como o governo inglês lidou com a dura realidade irlandesa perdurou no espírito dos irlandeses. Conseguiram a independência de grande parte da ilha 3/4 de séculos depois (1921) e a diáspora irlandesa não se coibiria de apoiar, quase até às portas do séc.XXI, a luta armada na Irlanda do Norte.

A Europa está mergulhada nesta e noutras histórias. Em termos continentais os alemães têm-nas com fartura com seus vizinhos, e os vizinhos entre eles próprios. Por mais distantes que alguns factos pareçam estar, em tempos de crise ou de lideranças indesejadas os acontecimentos históricos são a campainha de Pavlov capaz de libertar ódios incontroláveis. Veja-se, recentemente, a loucura jugoslava. Acho que, mesmo com todas as descobertas científicas, a verdadeira praga da batata ainda é, para os irlandeses, a Rainha Vitória.


Foto 
http://www.wikihook.com/wp-content/uploads/2012/02/Family_evicted_by_their_landlord_during_the_Irish_potato_famine.jpg

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