quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Se eu fosse Óscar

Nesta época de início de ano, por influência das nomeações para Oscar e na ressaca da atribuição dos Globos de Ouro e dos prémios europeus de cinema (EFA), o circuito comercial tem uma atividade mais interessante do que o costume. Até o Cineclube de Guimarães, não sujeito a modas, mostrou na sua programação de janeiro um rol de filmes verdadeiramente fantásticos.

Do que vi para já, destacaria:

LOCKE (Inglaterra, Steven Night)




O filme do ano para mim. Passado apenas numa viatura em viagem, com um único ator, é a prova mais completa de que o cinema continua felizmente ainda a distinguir-se por uma boa história (o argumento é do realizador que tem apenas dois filmes).




Grand Budapest Hotel (EUA, Wes Anderson)




O cinema também deve ser reconhecível pelo autor, como o é uma boa voz. Wes Anderson tem desde o início a sua “marca”. Este filme é a mais perfeita das suas festas cinematográficas, com os atores do costume (Bill Murray, Adrien Brody, Jason Schwartzman, Owen Wilson) e outros senhores (Ralph Fiennes, Edward Norton) que no intervalo do seu ganha-pão decidem dar uma mão a este extravagante realizador.


Dois dias, uma noite (França, irmãos Dardenne)



Um drama excecionalmente interpretado por Marion Cotillard (nomeada para oscar e com o reconhecimento de melhor atriz no EFA). A vida e a dignidade que ela pressupõe.


Ida (Polónia, Pawel Pawlikowski)



Um achado de filme. Sereno, simples, profundo, com um preto-e-branco sem mácula. Vencedor de vários prémios no EFA, entre os quais o melhor filme e nomeado para melhor filme estrangeiro.


Boyhood (EUA, Richard Linklater)



Uma belíssima ideia e um projeto bem resolvido cinematograficamente. Surpreendentemente carregadinho de nomeações para os óscares e um dos grandes vencedores dos globos de ouro.


Birdman (EUA, Iñárritu)



Talvez fosse com expectativas demasiadamente altas, apesar de o mexicano Iñárritu sempre me ter irritado um bocadinho com a sua tentação pela grandiloquência (estragou o 21 gramas e o Babel dessa forma). No entanto Birdman é um curioso filme com um notável conjunto de atores e uma boa ideia (infelizmente) não concretizada como mereceria.



Cavalo dinheiro (Portugal, Pedro Costa)



Se eu tivesse conseguido segurar-me, nem que de forma ténue, a uma linha narrativa, talvez tivesse chegado perto de perceber a canonização cinematográfica do filme de Pedro Costa em curso há alguns meses. De qualquer das maneiras aguenta-se bem o peso do filme, e deseja-se até que ele seja ponderável e forte como é.



True Detective (EUA série)




A coisa mais diabolicamente perfeita que vi em série para televisão. Não levou nada nos globos de ouro... talvez por falta de homossexuais, ou transexuais em papel de destaque. Um Woody Harrelson perfeito e um McConaughey sublime, ou melhor, um Marty perfeito e um Rust sublime. E releva, ainda, não os tornarmos a ver juntos.


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