sexta-feira, 23 de julho de 2010

A euforia de um linchamento

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A silly season chegou mais cedo este ano do que aquilo que é costume. Pedro Passos Coelho deu o tiro de partida.

A proposta de revisão constitucional que o PSD apresentou e que tem o mérito de tentar tornar (pelo menos em ideia) a nossa Constituição mais adaptada aos novos tempos foi um erro. Resultou de um deslumbramento pessoal que colide com a realidade hipócrita em que nos habituámos a viver.

Vejamos o que foi mais polémico.

A não gratuitidade universal do sistema de saúde é uma necessidade para que esse mesmo Sistema se equilibre no futuro e continue a proteger os mais necessitados. Não se pode continuar a subsidiar quem tem posses para pagar. Mas o que resultou daí? Foi o PS a sair em defesa dos mais pobres, agitando um fantasma inexistente. Precisamente o partido, que com a actual Constituição, tem deixado que os portugueses das zonas mais interiores tenham cada vez mais dificuldade de acesso aos cuidados de saúde, fechando maternidades e centros de saúde de um interior progressivamente mais pobre e desertificado.

Em relação ao emprego parece-me também óbvio que Portugal se torne mais competitivo. E para que haja investimento e consequentemente emprego não podemos ter um sistema tão burocrático e pesado de que resulta um caminho inevitável de muitas empresas para a morte quando, com o sistema que atenda à sua própria saúde financeira, deve ser permitido que elas se ajustem às realidades sazonais. O PS e o Governo que só se têm preocupado em controlar politicamente as grandes empresas e que têm fechado os olhos à destruição progressiva das nossas PME’s atirou-se ao ar como se tivesse feito, ao longo dos últimos anos, alguma coisa pelo emprego, além de pontualmente se congratular com a descida de 0,01% no desemprego.

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Ou seja, não é preciso mudar a Constituição para atacar o Serviço Nacional de Saúde ou o Emprego como o PS tem feito. O que é preciso é ser hipócrita e gerar a histeria.

Ana Sá Lopes no i definiu a actual histeria como o guião que Sócrates já não tinha e que Passos Coelho deu. E viu bem.

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