quarta-feira, 19 de maio de 2010

É o carácter, estúpido!

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O pragmatismo português é coisa rara. Quando algum político se atreve a dizer que o país está mal é castigado pelos eleitores que preferem claramente a ilusão à verdade. E chegados à actual situação, em que já não dá mais para esconder a real situação, o pânico surge no lugar do pragmatismo.
No entanto gostamos, na aparência, de nos darmos ares de pragmáticos. Se gostamos.
Nas conversas que se vão ouvindo sobre a vida política nacional o povo irrita-se sempre que se procuram esclarecer os casos. TVI, Freeport, submarinos, licenciaturas, que interessa isso? Ninguém liga nenhuma, como se o carácter de quem nos governa fosse uma característica física como ser gordo ou alto. E nada mais que isso. Os mais “esclarecidos” chamam a isto pragmatismo.
Eu entendo, pelo contrário, que o carácter de uma pessoa é a sua característica mais preciosa. Na política, na profissão, nos negócios ou nas relações humanas, o carácter é o vidro que separa a civilidade da selva. Quando se parte esse fino vidro entra-se no domínio da degradação das relações de confiança que devem caracterizar as sociedades evoluídas.
Por isso acho bastante mais grave os casos que envolvem o Primeiro-Ministro (PM) do que o facto dele só agora reconhecer que afinal tinha que subir impostos, ao contrário do que defendeu. Enquanto nos primeiros a questão central é uma questão de carácter, a segunda será uma questão de teimosia e de inépcia política.
Dir-me-ão alguns (se calhar a maioria) que a licenciatura do PM, ou o facto de ele não lidar bem com quem o critica, usando todos os meios para silenciar quem ousa pô-lo em causa, não interessam nada para o governo do país. Discordo completamente. Um homem que utiliza todos os meios, que não a razão, para se manter no poder é alguém que não merece confiança.
O regresso do carácter à vida nacional é uma urgência. Tudo o resto é nada … mesmo a economia.


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