sábado, 6 de outubro de 2012

O teatro

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Foto-Público

Perdi, infelizmente, o meu habitual otimismo no país e esse dia foi quando o Primeiro-Ministro anunciou as medidas da TSU. Não pelas medidas em si mas pela falta de envolvimento do país nessa decisão. Voltou atrás mudou as medidas e o país também não se envolveu … deixou-o sozinho a assumir as responsabilidades que são de todos.

Aquilo que eu chamei greicização está a acontecer. Dia após dia. As pessoas perdem facilmente a compostura que se lhes conhece e em períodos difíceis começam a disparatar em todas as direções e a fazer figuras tristes e a contribuir para o espetáculo de degradação da nossa vida cívica e política.

A começar pelos deputados do PC e do BE chamam-se de gatunos pessoas como Aguiar Branco, Paulo Macedo ou Vítor Gaspar com o ódio jacobino que as frustrações individuais sempre levantam em situações extremas. Aliás é verdadeiramente aí – nas situações difíceis – que se conhecem as pessoas, não é na farra ou na facilidade nova-rica que nos fez perder. E este é o ponto em que o caos começa e não demorará muito se os Aguiares Branco, os Macedos ou os Gaspar mandarem passear a cambada do ódio. Alguém duvida que isso lhes passa pela cabeça quando têm de fugir de um homem em aparente descontrolo que chama filho deste ou filho daquele a pessoas que desconhece, só para aparecer no telejornal?

Alimentamo-nos hoje deste espetáculo todos os dias. Não se discorda, agride-se. Não se contrapõem, esmaga-se. Como se tivéssemos liberdade para fazer escolhas inteligentes e sensatas…

O verdadeiro sofrimento não recorre à treta, esconde-se. Esconde-se envergonhado de um país sem solução, de um país de gente boa onde os malcriados ganham relevo … ou com novas e sempre frescas soluções daqueles que ainda há bem pouco sustentavam Sócrates como um deus.

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